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ACORDA CORDEL

Postado por ARIEVALDO VIANA em 28/05/2008 15:24

ENTREVISTA DIARIO DE PERNAMBUCO - CONCLUSÃO
PARTE IV (conclusão)

7) Quais as principais marcas que Leandro deixou nos cordelistas atuais? Quais são seus principais herdeiros?
ARIEVALDO – De um modo geral, todos os poetas receberam, de alguma forma, influências do mestre de Pombal-PB. Lógico que uns mais e outros menos. Existem poetas fazendo algo mais ligado a cantoria ou a poesia matuta que estão muito distantes da escola de Leandro. Se aproximam mais de Pinto do Monteiro e Patativa do Assaré. O seguidor de Leandro não se limita à poesia descritiva nem comete agressões (conscientemente) às normas vigentes da gramática. O discípulo de Leandro é criterioso quanto a forma e utiliza-se prodigiosamente da força da imaginação. Quando recria um tema popular, coloca pitadas de humor e procura fugir do lugar comum. Dentre os poetas que encontram-se militando nos dias atuais, eu citaria Mestre Azulão, Manoel Monteiro, Gonçalo Ferreira, Costa Leite, Antonio Alves e João Firmino Cabral (todos da velha geração). Da nova safra de poetas, eu destacaria o trabalho dos irmãos Evaristo e Rouxinol do Rinaré, Marco Haurélio, Klévisson Viana e outros que sabem trabalhar com a imaginação e são capazes de produzir um romance de 32 ou 48 páginas. Desde que me enveredei pelo ramo da poesia popular, no final da década de 1970, procurei assimilar as boas influências de Leandro e outros mestres, dentre os quais citaria José Pacheco, Joaquim Batista de Senna, Manoel D’Almeida Filho, Delarme Monteiro e José Camelo de Melo, todos já falecidos.

8) Leandro ilustrava seus cordéis?
ARIEVALDO – Não há evidências de que Leandro fosse ilustrador ou xilogravador. Sabe-se que a grande maioria de suas capas eram as chamadas “capas-cegas”, aquelas ilustradas apenas com arabescos e vinhetas. Quando se tratava de um assunto palpitante como a 1ª Guerra Mundial ou a prisão de Antônio Silvino, ele aproveitava clichês utilizados pelos jornais para ilustrar suas capas.



Comentários (3):

Em 29/05/2008, às 01:53:28, Ivan Maurício | fotolog disse:
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Em 31/01/2009, às 18:59:24, Pedro Ernesto Filho | página pessoal | e-mail disse:
Erivaldo foi feliz em suas respostas. Na verdade, Leandro foi e continua sendo exemplo que deve ser seguido pelos poetas populares.Ele era um cordelista que zelava a gramática, como hoje faz Manoel Monteiro, de Campina Grande.Verso popular tem regras e estas devem ser obedecidas.Também escrevo algumas coisas e me esforço para manter o nível que a arte de fazer verso exige. Vejam o livro de minha autoria, Cidadania do Repente, onde a parte introdutória trata de metrificação e rima. Há autores pouco precocupados com a qualidade dos cordéis que produzem e não aceitam opinião daqueles que seguem a escola de Leandro Gomes de Barros, aliás, até criticam.
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