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ACORDA CORDEL

Postado por ARIEVALDO VIANA em 24/09/2009 11:29

ALBERTO PORFIRIO É NOTICIA NO DN
SAUDADE (Caderno Cidades - Diario do Nordeste)

Morre poeta e escultor Alberto Porfírio Silva

O poeta popular, xilógravo e escultor, Alberto Porfírio da Silva, faleceu ontem, aos 83 anos, vitima de insuficiência respiratória ocasionada por silicose, um tipo de fibrose pulmonar. O poeta deixou sete filhos, 20 netos e dez bisnetos. O corpo foi velado na Casa do Cantador e será enterrado hoje, às 8h30, no cemitério da Parangaba.

Alberto Porfírio, nasceu no município de Quixadá no dia 23 de dezembro de 1926. Figura amada e respeitada no meio da cantoria e do cordel, ele foi considerado um dos expoentes da poesia popular cearense.

Conhecido por sua inspiração no cordel, Alberto Porfírio foi autor de quase uma centena de folhetos e também de poemas, entre os mais conhecidos estão "Porque não aprendi a ler", "No tempo da lamparina", "Eu gostei mais foi do cão", "Cantiga da Dorinha" e "A estátua de Jorge". Autor, também, do livro "Poetas populares e cantadores do Ceará", escreveu um livro de sonetos e outro sobre as noites de viola na Casa de Juvenal Galeno.

O poeta popular recebeu do Jornal do Brasil menção honrosa especial pelos seus trabalhos como cantor-repentista.



Comentários (6):

Em 24/09/2009, às 12:01:48, KLÉVISSON VIANA disse:
*****

AO MESTRE ALBERTO PORFÍRIO
Autor: Klévisson Viana


Artista como Porfírio
Não nascerá mais nenhum
Com seu talento incomum
Tinha a pureza do lírio
Sofreu amor e martírio
Como todo menestrel
Mas sendo à arte fiel
Tinha talento de sobra
Morre o homem, fica a obra
Gravada em pedra e papel.

Lapidou versos na rocha
Fez esculturas nos versos
Rompeu vários universos
Empunhando a sua tocha
Como a flor que desabrocha
Seu estro de menestrel
Tinha a doçura do mel
Um gigante da palavra
Morre o homem fica a lavra
Gravada em pedra e papel.

Foi repentista inspirado
No verso foi professor
Seguiu sempre com amor
Tendo a viola de lado
Cantou bem, foi respeitado
Foi gigante do cordel
Ganhou palmas e laurel
No Nordeste em toda parte
Morre o homem fica a arte
Gravada em pedra e papel.

Vá em paz, meu bom poeta
Nessa nova caminhada
E lá na mansão sagrada
Onde a alma se completa
Jesus, o maior profeta
Lhe abrace com São Miguel...
E que o trono de Emanuel
Lhe dê amável acolhida
Morre o homem fica a vida
Gravada em pedra e papel.

Seja mais um passarinho
No pomar do Criador
Castro Alves, o Condor
Seguiu no mesmo caminho
Aderaldo, Canhotinho...
E todo bom menestrel
Que contemplando o vergel
Escreve para os ateus
Que o poeta é a voz de Deus
Gravada em pedra e papel.

Em 24/09/2009, às 13:07:09, ARIEVALDO VIANA | página pessoal disse:
Matéria do jornal O Povo

Morre, aos 83, Alberto Porfírio


Faleceu, na manhã de ontem, o poeta, escritor, escultor e cantador Alberto Porfírio, que, há cerca de sete meses, lutava contra uma fibrose pulmonar causada pelo contato com o cimento, uma das matérias-primas de sua arte. Antes disso, ele já havia sido acometido por um AVC, que o deixou semiparalítico mas que, conforme dizia, não o fez perder o senso.

Filho de pai agricultor e de poucos recursos, Alberto tinha deixado o hospital pela última vez em agosto, depois de uma melhora parcial. Na semana passada, no entanto, ele teve de ser internado novamente na UTI do Hospital Antônio Prudente. Dessa vez, ele não resistiu. ``Foi um grande sofrimento, mas, graças a Deus, ele está agora descansando``, afirma Eugênia, filha dele que, no fim de sua vida, supriu a deficiência do pai datilografando ou digitando seus escritos.

Ao longo de seus 83 anos de idade, o multi-artista nascido no município de Quixadá chegou a presidir a Casa do Cantador e traçou uma carreira que o tornou, segundo o cantador e repentista Geraldo Amâncio, um nome de grande importância para a cultura cearense. ``Além de sua produção, ele tinha também um lado intelectual. Ele dava aulas sobre métrica, rima, escrevia sonetos e livros``, explica. ``Ele é de uma época em que, em toda família, havia mais de um cantador``, lembra de forma nostálgica Geraldo, referindo-se a um artista que, de fato, tinha família grande, de nove pessoas no total.

Em 25/09/2009, às 22:58:57, Rouxinol do Rinaré disse:

FALECE O GRANDE POETA
QUE TIRAVA DO "ALFORGE"
PÉROLAS DA VERVE MATUTA
COMO "A ESTÁTUA DO JORGE".
Em 25/09/2009, às 23:05:42, Marco Haurélio disse:
É incrível como, até por parte dos poetas populares, o silêncio de muitos denuncia o descaso que têm para com a literatura de cordel.
A impressão que se tem é que, com o "boom" do cordel na sala de aula, oportinisticamente, tem sugido "cordelistas" que mal sabem encadear duas estrofes e desconhecem o essencial que o gênero produziu.
Os "pesquisadores", desses eu nem falo, por serem poucos os que respeito, pois desconhecem completamente as regras da poesia e não estão aptos a mensurar a qualidade deste ou daquele poeta. Quando homenageamos Antônio Teodoro, aqui em São Paulo, percebi o quanto é incômodo se falar de um poeta que não se tornou uma franquia, um arrimo para cordelistas sem alma e sem verve.
Alberto Porfírio será lembrado pela obra que deixou, pelos que o divulgam e pelos leitores que amealhou em mais de 60 anos de atividade artística.
E, independente disso, a baba adulatória, seletiva, que rende palestras e desinformação, continuará a ser o ópio dos picaretas.
Em 25/09/2009, às 23:19:43, Marco Haurélio disse:
E, para finalizar: parabéns aos poetas Arievaldo e Klévisson. O banco de dados que criaram ajudará muito quem quiser pesquisar a literatura popular sem chancelas e cancelas.
Em 26/09/2009, às 17:51:37, AESTROFE disse:

O Grande mestre da Literatura de Cordel ALBERTO PORFÍRIO já tem o seu próprio blog, adicione aos seus favoritos, eis o endereço:

http://fotolog.terra.com.br/albertoporfirio
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