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ACORDA CORDEL

Postado por ARIEVALDO VIANA em 26/04/2006 10:17

ACORDA CORDEL NA IMPRENSA
LITERATURA POPULAR (25/4/2006)
Cordel pedagógico
Délio Rocha
Os versos de Zé Maria de Fortaleza e Arievaldo Viana anunciam outra façanha dos folhetos de literatura popular. Além de narrar os entreveros dos sertanejos e os duelos mais curiosos, de descrever reinos mágicos e contar histórias mirabolantes, o cordel pode se tornar uma importante ferramenta no processo de alfabetização das pessoas. O projeto “Acorda cordel na sala de aula”, idealizado por Arievaldo Viana, vem ganhando escolas da rede pública no Ceará, Tocantins, Paraíba e Rio Grande do Norte

Não é nenhuma novidade a utilização da poesia popular na instrução de pessoas. Esse é um caminho que já foi percorrido pelas crianças da Grécia antiga, como assinalou o historiador cearense Gustavo Barroso, na obra “Ao som da viola” (1921): “O ensino começava pela poesia, por ser o meio mais fácil de guardar na memória, nessa época em que livro era raro... Assim pôde o povo grego conservar, carinhosamente, de cor, os admiráveis cantos de seus rapsodos”. Os livros deixaram de ser raridades. Mas ainda são caros e inacessíveis para a maioria dos brasileiros. Ao contrário do cordel.

O poeta Arievaldo Viana sabe dimensionar a importância dos ‘versos’ no processo de educação do nordestino. “Fui alfabetizado pela literatura de cordel, em 1973. Os folhetos eram as únicas leituras disponíveis para aquele menino do interior. Primeiro, decorava os versos lidos por minha avó. Depois, ela foi me ensinando a identificar as letras e a formar palavras”, diz. Logo depois, Arievaldo virou atração em uma mercearia perto de sua casa. “As pessoas ficavam impressionadas com aquele menino de seis anos lendo cordel com desenvoltura”, recorda.

A partir daí, o poeta cearense ficou com uma dívida com a literatura de cordel. Um débito que ele pretende se livrar com o projeto “Acorda cordel na sala de aula”, que tem, como carro-chefe, um livro didático pronto para ser utilizado tanto por professores como por alunos. A obra passeia pela história da poesia popular, traz versos de alguns dos principais nomes do gênero e faz parte de um “kit-educação” que inclui, ainda, uma coleção de 12 folhetos. Entre os títulos da coleção estão alguns clássicos do gênero, como “O Justiceiro do Norte” (Rouxinol do Rinaré) e “Epopéia do Boi Corisco” (José Vidal dos Santos).

O rigor gramatical é levado em conta no Projeto “Acorda cordel na sala de aula”. “A gente tem a preocupação de revisar todos os folhetos, para evitar erros de concordância, de vírgula, de acentuação. Mas sem tirar a vida dos versos”, explica Viana. Os cuidados com a correção da escrita já são verificados nos versos originais de alguns cordelistas estudados dentro do Projeto, como Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha. “Não é todo folheto que serve para ser usado na escola. A gente seleciona os autores e os temas mais adequados”, avisa.

CONTINUA...

Fonte: DIARIO DO NORDESTE, 25/04/2006



Comentários (1):

Em 27/04/2006, às 01:17:56, Rariosvaldo | e-mail disse:
Tenho percebido que vc é um grande artista, um poeta de classe e de um repertório bastante variado.
Quero lhe dizer que tbm sou facinado pela cultura popular e gosto muito de ler cordel,acho impressionante a beleza da poesia rimada em versos de cordéis.
È fantástico...
Parabéns Eriavaldo pelo seu trabalho, grande contribuição para a continuação da cultura nordestina...
Parabéns!!!!
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