
Postado por Marinho em 26/09/2009 12:39
A Revolta de uma mulher
Daí o artigo que pode ser encontrado neste álbum
“Brinquedo Macabro” do jornalista Moacyr O. Filho, que diz que teu pai te deixava com as presas que acabavam de ser torturadas. Se fossem torturadas, como ele diz, como podiam ter bom relacionamento com os integrantes do órgão e como podiam aceitar, e não só aceitar, mas reclamar a nossa presença, quando por algum motivo, falhávamos um dia?
Pena que não tivessem os integrantes do órgão, a malícia dos terroristas!... Porque, se tivessem,
fotografariam ou filmariam tudo, e casos como Bete Mendes (que não tive o desprazer de conhecer,
enquanto presa) seriam comprovados como mentirosos.
Sinto o nome de uma família inteira: pais, mães, sogros, irmãos, mulher e filhas, enxovalhados, e
como o militar não pode e não deve, por regulamento disciplinar do Exército, se defender, tomo eu,
exclusivamente eu, a iniciativa de deixar para vocês, nossas filhas, este álbum, de caráter particular, com tudo que puder vir a reunir, além do Livro de Alterações do pai de vocês, condecorações por arriscar a vida, elogios, para que, como eu, se orgulhem, acima de tudo, de se chamarem BRILHANTE USTRA.
Um nome, cujo único erro cometido, foi cumprir com seu dever e, principalmente, cumprir bem: com honra, com dignidade e humanidade, lutando sempre para evitar males maiores do que os que se passavam no momento.
Compartilho a dor dos pais, mães, parentes, enfim, dos que por infelicidade perderam seus entes
queridos, fanatizados por ideais que não me compete julgar, e que não deviam ter usado a violência para tentar consegui-los, mas não posso deixar de me revoltar contra as calúnias jogadas sobre um homem bom, como o pai de vocês.
Beijos
Maria Joseíta S. Brilhante Ustra.
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