Caricaturista Repórter
Categoria: Outros

Postado por Alex Ponciano em 13/03/2009 23:34
Lendas do Cais - Jorginho e o Perfume de Gardênia
[TEXTO] Antonio augusto
Até que ponto o amor pode levar uma pessoa à loucura? Pois bem, é esta pergunta que a coluna traz aos leitores.
Nossa história começa na década de 50, quando o nosso personagem, Jorginho (nome fictício), um portuário que gostava de dançar e de uma boa paquera, se apaixona loucamente por uma misteriosa mulher. Porém, a paixão acabou se transformando em loucura.
Era verão e Jorginho acabava de deixar o serviço a bordo de um cargueiro sueco. Depois de tomar um banho, ele colocou seu melhor traje (um terno de linho branco) e foi para a Humanitária, em Santos. Ao chegar no salão, ficou hipnotizado com o olhar de uma bela morena que trajava um vestido vermelho. Alta, cabelos pretos e lisos, olhos amendoados, ela era o tipo de mulher de parar o trânsito. Namorador, Jorge se aproximou da moça e puxou conversa. Eles dançaram e, no final da noite, Jorge pediu para levá-la para casa. Ela negou o pedido.
A semana recomeçou e Jorge não conseguia esquecer a mulher e seu perfume, que tinha essência de gardênia.
Ainda com a lembrança na cabeça, ele teve a notícia da morte de um companheiro de trabalho. Abalado, foi ao enterro, no Cemitério do Paquetá. Na saída passou por uma campa que tinha a foto de uma mulher muito bonita na lápide. Ao mesmo tempo, ele sentiu no ar o perfume familiar que a morena misteriosa usava na noite em que se conheceram. Curioso, se aproximou da campa para ver a foto. Para seu espanto, a mulher, cujo corpo estava enterrado ali, era a mesma que ele havia conhecido. Ainda atordoado, chegou mais perto e viu a data da morte da mulher: agosto de 1904, aos 23 anos.
Sem entender o que estava acontecendo, pediu informações a um funcionário do cemitério, que disse que há anos muitos homens vinham ao local para deixar flores para a mulher.
Jorge saiu do cemitério e foi para casa. A partir desse dia, ele não foi mais ao trabalho e passou a perambular pelas ruas ao redor do cemitério em busca da amada. Com o tempo, acabou enlouquecendo e morreu num manicômio.
Ilustra editorial para jornal
Expresso Popular de SAntos
Comentários (1):
Em 14/03/2009, às 19:20:11,
Hugo Nanni
|
fotolog
disse:
Que bonita ilustra, e que legal seu texto, parabéns!
Inté.