Caricaturista Repórter
Categoria: Outros

Postado por Alex Ponciano em 26/10/2009 21:30
“Besouro” e outros bichos - Arnaldo Jabor
Ilustração Editorial para coluna semanal de Arnaldo Jabor no jornal A Tribuna
Este filme Besouro de João Daniel Tikhomiroff surge num momento de “passagem” do cinema brasileiro. Vivemos divididos entre um cinema de autor e um cinema de mercado, entre um cinema que queremos fazer e um cinema que deveríamos fazer. Com a vitória do mercado como deus único, o desejo de significar alguma coisa de importante para o cinema ou para a cultura virou quase um desvio da norma.
Há alguns anos, começaram a vir para cá famosos “script-doctors”. Syd Field era um deles; as regras de ouro de Hollywood passaram a ser ensinadas aos diretores do País, como axiomas, dogmas a serem cumpridos sob pena do fracasso. Leis brancas para filmes mestiços, leis de senhores para serem obedecidas: o mocinho, o bandido, o bem, o mal, a redenção final obrigatória. Sumiram os resquícios de zelo dos produtores dos anos de ouro; tudo ficou muito frio, muito bruto.
Há pouco tempo, um executivo declarou que não é mais necessário que o autor tenha amor ao cinema; ao contrário, isso ate atrapalharia. Quem filma agora são os produtores. No filme Besouro há alguma coisa parecida com filmes da década de 60, do surgimento do Cinema Novo – o cinema livre dos estúdios, dos arcos voltaicos, o cinema ao sol, ao vento, ao sal, a câmera denunciando injustiças como uma arma, a impaciência com o cinema psicológico, a pele nua contra o figurino, a câmera voadora, movente como um “besouro”. Apesar do som Dolby, da “féerie” tecnológica, lembrei por instantes de filmes como Barravento (também na Bahia) ou A Grande Feira ou Ganga Zumba. A ação se passa em Santo Amaro da Purificação, município do Recôncavo onde nasceu a lenda do capoeirista, no começo da década de 1920. Ali, a comunidade de negros tenta se livrar do passado recente – pouco mais de 20 anos desde a abolição da escravidão – e em muitos lugares o trabalho assalariado dos negros e a discriminação permanente não era muito diferente do regime escravista.Besouro surge em meio a outros filmes brasileiros, a outros bichos que voam mais baixo, buscando o sucesso comercial tecnicamente programado em computador – o espectador manipulado como num vídeo game.
Assim como o cinema de estúdio americano era filho do teatro, o Cinema Novo era filho do documentário. Besouro sai desta mesma toca, do desejo de entender o país um pouco mais e da vontade de romper com a linguagem obrigatória do cinema programado. Depois de décadas de publicidade, acho que João Daniel queria ar, voar. Besouro é um filme de ruptura com as regras obrigatórias e também com a própria experiência em propaganda. (Eu já fiz muitos “comerciais” – vivi disso 15 anos – e sei como é; dá vontade de explodir os gabinetes e clientes escrotos; eu fiz um filme em que o cliente nos obrigou a apagar a favela da Rocinha ao fundo dos prédios em lançamento...)
Besouro tem uma idéia na cabeça: mostrar a dificuldade de individualização dos homens pobres (mais que negros) através de uma cultura que não chegou pelas caravelas, mas nos navios-negreiros. Assim, mostra que o escravismo não cessou com a abolição e também que o racismo vai mais além da pele – se estende a tudo que é “diferente”. A fortaleza cultural dos pobres inquieta os capatazes da cultura oficial.
Momentos que podem parecer desvios de narrativa denotam o desejo de partir para a fábula. Só a fábula dá conta de situações além da pura psicologia realista, só a fábula pula por cima do princípio, meio, fim e do happy end simplista.
Recentemente, foram feitos filmes (bons) sobre a miséria, a injustiça social, mas faltavam trabalhos sobre as ameaças à cultura. Existe no Brasil uma grave injustiça antropológica também – não apenas política ou policial. Besouro denuncia como a religião afro-brasileira é sabotada por canalhas e exploradores da religião católica ou evangélica. Na Bahia, ainda hoje querem identificar o candomblé com o diabo, aos poucos carcomendo o que havia de mais belo na mais bela de nossas c
Comentários (5):
Em 26/10/2009, às 22:08:34,
Carlus Alexandre
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fotolog
disse:
Olá, gosto muito do seu trabalho esse em especial está fantástico, me lembrou algo bom da escola franco-belga.
Abraço!
Em 27/10/2009, às 12:49:31,
Dodô
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página pessoal
disse:
Ficou bem legal essa ilustra alex, muito bem bolada.
Em 28/10/2009, às 11:40:02,
Machado
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página pessoal
disse:
Eu vi o pessoal da Tribuna lá!!! Valeu mesmo!!! Abração!!!!
Em 29/10/2009, às 14:21:24,
Franco
disse:
Oi, visite:
fotolog.terra.com.br/terapiavirtual1.
Uma maneira bem legal de conhecer o ser humano e sua maneira de pensar. Deixe lá sua opinões, conselhos dúvidas...
Conhecendo melhor a si mesmo e a outros.
Seja bem vindo!
Em 18/11/2009, às 17:43:44,
max
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fotolog
disse:
fala ae ponça!!!!!!!
olha carinha, to so na correriaaaa
sampa todo dia!!!!
mas gracas a deus, ta muitu bom aqui mano!!!!!!!
fala po jotta q o estudio ta pronto e agora la pelo começo de dezembro ja termina a tattoo sim!!!!!!!
enatao mano, manda abracao pro diiiiaaaaaaaasssss e brigadao ponça,
sempre aprendendo um pouquinho a cada dia ja ta bom!!!!!!
qqr coisa, to te add por aqui!!!!!
abracao, inté!!!!!!!!