Além das Ilhas Flutuantes

Postado por Peu Ramos em 24/12/2004 11:52
Catarse
Eu precisava daquilo, precisava de um tempo sozinho, digo a todos que visitam esta ilha.
Depois das apresentações com meus amigos do Tuca, eu precisava entender realmente o que estava sentindo, o que o Teatro estava acrescentando em meus sentimentos, em minha vida, pois bem, assim que acabou a ultima apresentação tentei observar a todos, um por um que ali estava, desde de meus colegas, como a todos na platéia.
Foi incrível, sensação única que não consigo descrever até hoje, depois de ver que tudo deu certo, as pessoas se abraçando e eu apenas observando, imóvel estático, tentando sintetizar tudo aquilo que estava sentindo. É engraçado, depois começaram as pessoas a me abraçar, e foi a única coisa que passou por minha pequena mente, quero abraçar meus amigos, não um simples abraço mas, aquele abraço de alma, abraço de satisfação, de ver que conseguimos sim, com todas as dificuldades, realizar um trabalho, no mínimo interessante. Não sei, talvez o errado seja eu, por me entregar às pessoas de uma forma totalmente verdadeira, de coração, mas, sempre tem um “mas”, alguns de nós se sentem “iluminadinhos” e mesmo no ponto X, no ponto do abraço verdadeiro, conseguem quebrar a energia, abraçando de um modo estranho, frio, como diz Abujanra, talvez o abraço seja uma das coisas falsas que tivemos entre nós naquele momento.
Bom, o fato é que dez minutos depois de sair, recebo uma ligação dizendo que o trampo que eu tinha para fazer havia melado, estava liberado pra curtir com meus amigos, porem eu precisava entender o que estava aqui dentro, precisava de algum modo decifrar o que sentia, talvez por natureza eu goste de em tempos ficar só, mesmo que me arrependa depois, às vezes me escondo dentro do interior do meu interior, então fui pro meu casulo, mesmo sabendo que estaria sozinho, sem ninguém pra perguntar, foi bom?
Isso pode ser uma coisa que eu tenha de resolver comigo mesmo, talvez tenha de lutar contra estes momentos de “agonia e solidão”, a verdade que não sei o que senti até hoje, acho que foi um tipo de catarse, talvez seja isso catarse...
Acho que estou mesmo é cansado, não de escrever, muito menos do teatro, acho que estou cansado de levar-me a serio, de entregar-me de corpo e alma a tudo e a todos, nunca esperei nada em troca, ressalto, nunca cobrei nada e não quero começar cobrar nada das pessoas, sentimentos tem que vir de dentro, do coração e não espero que às pessoas sejam do modo que eu gostaria que elas fossem, então eu devo continuar esta minha caminhada, apanhando, batendo, esta é a vida, não?
Mas, o fato é que estou cansado, não de escrever, nem do teatro, repito, mas da rotina que temos neste mundo de desigualdades, talvez meu problema, ou melhor o meu e de vários dos meus amigos, principalmente do Tuca e do Terra da Garoa, é que não aspiramos a infertilidade deste nosso dia a dia letárgico, tampouco nos entregamos facilmente às regras estupedificantes da nossa medíocre sociedade.
Nem almejamos o Nirvana mas, sim, um mundo justo e edificante para todos, afinal, somos todos Severino, porem temos um diferencial, temos a criação ao nosso lado, somos artistas, aos olhos da sociedade somos como bêbados e drogados que quebram as regras, andamos fora da linha, a única dessemelhança e que estamos sóbrios, por isso mesmo é que dói, é por isso que alguns de nós nos tornamos poetas, atores e artistas, para ser grande, grande até na dor. E ainda que neguemos, fazemos arte e poesia mesmo por vaidade. Para ostentar um certo tipo de fetiche que fundamos em um mundo do qual todos, digo todos até os “iluminados” vamos desaparecer...
Este talvez seja o ultimo post deste ano, espero que me desculpem o desabafo, mas, é o que venho sentindo estes dias, espero que todos tenham um ótimo Natal e um 2005 de muitas Realizações!!!!
Até+
Comentários (11):
Em 24/12/2004, às 12:15:21,
Lucileni Amadeo
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fotolog
disse:
Oi Peu........ o que importa é os sentimentos verdadeiros quem vem do coraçao.....Vc é uma pessoa muito sensível e por ser assim sofre muito, neh? Continue assim e nao sofra, seus sentimentos só lhe traram coisas boas.......
Um natal com muita paz, saúde, amor e harmonia
Beijaum
Lu
Em 24/12/2004, às 14:56:33,
André
disse:
Muitas vezes me sinto assim poeta
Força
André
Em 27/12/2004, às 20:32:51,
Carol
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disse:
Olá Peu
Não de tanta atenção assim para as pessoas, o que importa é que seus sentimentos são verdadeiros, o mundo em que vivemos hoje é de fato hipócrita... o melhor é que existe pessoas de alma e coração puro como você, é isso que importa. Tente apenas dar atenção para pessoas que realmente se importa com vc de um modo verdadeiro, as outras, apenas as tratem do jeito que lhe tratam.
Beijaum
Carol
Em 28/12/2004, às 16:51:14,
Guilherme
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disse:
Peu, vc é foda!
Em 29/12/2004, às 13:11:11,
Ed
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disse:
Viva os sentimentos!
Lindo o seu texto no flog da Débora.
Eu assistia peça no segundo dia, e estava linda, adorei a dança dos corpos inicial...
Um abraço.
Ed
Em 5/01/2005, às 16:10:31,
weber
disse:
eh garoto, o teatro faz estas coisas conosco. pois aqui podemos ser, sentir, viver, chorar, rir, sofrer, etc tas e tal.
feliz 2005 pra gente.
bjs
weber
Em 6/01/2005, às 15:03:59,
viviane dos santos pereira
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disse:
Isso mesmo, adorei tudo que li,acho que nào tem nada mais gratificante de fazermos o que nos da prazer,quando realmente fazemos com gosto e com toda nossa alma. como se diz aquele velho ditado; (as vezes o que se cala tem mais impacto do que se diz)
Em 6/01/2005, às 17:18:51,
Vitor
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disse:
Sempre soube que um dia tu ainda ia virar poeta, vc sempre foi puro sentimento, nunca encontrei alguem tão verdadeiro quanto vc.
Precisamos tomar umas brejas juntos e jogar conversa fora.
abraços
Vitão
Em 10/01/2005, às 11:23:13,
julieta
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página pessoal
disse:
oi querido.
alguns abraços são frios e parecem congelar tudo.
"mas é preciso arrancar alegria ao futuro
nessa vida morrer não é difícil
o difícil é a vida e seu ofício."
o finalzinho do poema do maiakóvski.
um beijo, até mais.
fica bem
ju
Em 10/01/2005, às 20:00:05,
Adreia
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disse:
Puxa é isso aí...tudo lindo
Em 18/01/2005, às 08:39:14,
Ovelha Negra
disse:
Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem
Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando.
Vinicius de Moraes