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"Resistência e Esperança"

Categoria: Religião e Crenças
Postado por Reinaldo João em 19/06/2006 23:04

A mística da resistência negra
Cometário sobre a imagem acima, trazida aos cuidados do Card. Paul Poupard, Presidente do Pontifício Conselho da Cultura, com os dizeres:

"Para que a encarnação de Jesus Cristo seja o modelo de todo autêntico esforço de inculturação do Evangelho” (João Paulo II)


A mística da resistência negra:

"A inculturação, tão discutida hoje, já era algo normal e praticada no espaço de liberdade chamado de quilombo. Os sacerdotes eram escolhidos entre os mais capazes, que possuíam espírito de liderança, sabedoria e profundo conhecimento da natureza. A intimidade com o Deus Pai Todo-poderoso, chamado de Olorum = olo + orum (senhor do orum, ou seja: senhor de todos os espaços terrestres e celestes) era a principal qualidade nos sacerdotes.

O Quilombo dos Palmares gestou, ao longo de sua existência, uma utopia que hoje é atualizada e precisa ser retomada nos quatro cantos do Brasil em forma de proposta de ação dos militantes negros, das entidades civis, partidos políticos, dos governos federal, estadual e municipal e toda sociedade... Esta é uma luta teimosa porque, no conjunto da sociedade brasileira ainda há uma grande rejeição, medo e preconceito de se tocar neste assunto. Levar a luta adiante só é possível para aqueles e aquelas que estão imbuídos da certeza de que esta luta é digna e faz parte da construção do Reino de Deus. A mística que estamos retomando, cuja energia resgata séculos de resistência heróica de Palmares, é profundamente benéfica para toda nação brasileira. O projeto pluri-étnico que poderá ser desenvolvido com toda maturidade pela nação poderá ser um exemplo para o mundo que busca caminhos alternativos que atendam às necessidades provocadas pelo despertar das culturas nesta etapa de história dos povos chamada pós-modernidade.

Texto de Frei David Santos - Diretor-executivo da Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), mestre em Teologia e frade da Província Franciscana do Imaculada Conceição do Brasil



Comentários (11):

Em 19/06/2006, às 23:15:23, Frei Reinaldo disse:
“A semente, que é a Palavra de Deus, germinando em terra boa, regada pelo orvalho divino, absorve a seiva, transforma-a e assimila-a para produzir fruto abundante”. Assim é descrito o encontro entre a Palavra de Deus e as culturas, no Decreto Ad Gentes, do Concílio Vaticano II, sobre a atividade missionária da Igreja (cf. n. 22). Trata-se de uma inculturação que atinge as pessoas em âmbito pessoal, cultural, econômico e político, de maneira que possam viver uma vida santa, em união total com Deus-Pai, mediante a ação do Espírito Santo. A inculturação é a sempre encarnação renovada do mistério de Cristo, que, por sua vez, é o modelo supremo e a realização perfeita de uma autêntica inculturação.

*(A partir de nossa reflexão sobre o processo de inculturação em nossa Ousada tentativa de viver e testemunhar a Palavra Encarnada de Deus, cito as palavras do Card. Paul Poupard)
Em 20/06/2006, às 14:35:40, Fr. Márcio Benevides. disse:
Ainda é muito forte em nosso imaginário a idéia de que o continente americano seja formado apenas por três raças: a Indígena (dona da terra, pois aqui já habitava), a branca (colonizadora e "redentora no processo civilizatório"), e a negra (trazida como mão-de-obra escrava).Esta é uma idéia reducionista que dificulta o entendimento de que esse extenso continente é de uma riqueza cultural sigular, justamente por ser formado por uma multiplicidade de etnias. Dentro desta reflexão, fica a deixa: Por que a necessidade da afirmação do negro na sociedade atual?
Em 22/06/2006, às 00:40:46, Axéééééééé!!!!!!!!!! disse:
FIQUEMOS ATENT@S:
Podemos observar que a novela Sinhá Moça propõe questões polêmicas, com raízes históricas e ainda atuais. Falam de negros escravos e da força dos senhores de escravos. O que chama atenção é que na novela quem luta pelos negros e negras, presos nas senzalas das fazendas é um abolicionista apresentado como herói humanitário, desinteressado, branco.
A história nos mostra que em torno da abolição da escravatura existiam muitos interesses comerciais e a liberdade de um ser humano era usada como desculpa para o aumento de lucros. É Impressionante como em pleno século XXI, ainda distorçam-se os fatos, a favor de uma ideologia dos dominantes. O NEGRO sempre colocado como vítima que precisou e precisa de alguém que lhe dirija os rumos.
Será que não sabemos ou não temos nada a oferecer. SERÁ MESMO QUE UM HERÓI BRANCO NOS SALVARÁ OU NOS USARÁ????????????????????????
Axéééééééé
Em 29/06/2006, às 19:09:42, Fr. Nzinga disse:
Temos que lutar para que valores importantes superem a razão cínica a que estamos quase nos acostumando! Ninguém está dispensado de, como cidadão, assumir a tarefa de construir uma sociedade mais justa. Começando com a inclusão de negr@s com cidadãos a pleno título, Parabéns GRENI!!!
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Em 7/07/2006, às 11:01:44, Sandro Cipriano Farias | e-mail disse:
Para Frei Rinaldo.

Essa celebração inter-religiosa não passou dos limites não?
Vi em postagem passada que um fr. parabenizando pela comunhão que estava sendo feita. ( Que comunhão é essa? Com religiões, não por serem africanas, de base espirita. Repito, QUE COMUNHÃO É ESSA? A SANTA MADRE IGREJA NÃO QUER FAZER COMUNHÃO COM ESPIRITISMO, POIS ESTE É CONDENADO POR DEUS.)
E você fr. Rinaldo que fica dando "vivas" a entidades tais como anastácia.
Irmão, o que nosso pai seráfico Francisco de Assis ensinava não era isso. Ele se deu para salvar a Igreja estava em ruínas pelas às heresias que aconteciam. E esse outro Fr. Vilson?
também dando viva a entidades espiritas de religiôes afros? macumba, candoblé e outras tais, NÃO SÃO DE DEUS.!!!
Deus uno e trino, mas condena o Espiritismo e este não é de forma nenhuma cristão.
Quero que me responda. Hei de entrar em contato com um bispo OFMcap. que conheço para tirar essas minhas duvidas.


Em 8/07/2006, às 19:38:10, Fr. Reinaldo disse:
Sandro, você faz algumas inferências quanto aos "limites" do que podemos realizar ou não enquanto "comunhão" com as Religiões Afro. Não queremos ofendê-lo em sua fé, no entanto vc ao fazer tais colocações parece tentar argumentar em tom de ameaças e não de quem realmente gostaria de acolher qualquer forma de diálogo. Por que me perguntas, quanto a suas dúvidas, se dizes que vai "tirá-las" com um bispo?
Olha, pelas palavras que afirmaste, referindo-se a "heresias" aconselho-te a instruir-te melhor a respeito do que fazemos, pois pouco conheces para julgar desta forma.
Procure olhar as coisas na perspectiva do Verdadeiro Mestre de Nazaré, que se aproximou, acolheu e veio para todos os de coração aberto (sem rancores, sem ofensas). Ele não marginalizou ninguém. Ele que "veio para os seus" que acabaram não o acolhendo, como diz o Evangelho deste Domingo. Ele próprio fora rejeitado por se encarnar nas realidades humanas, na realidade do povo. Isso não é heresia, meu caro! A Paz!
Em 27/07/2006, às 21:55:27, Lamento de cativeiro e de libertação disse:
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: Que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu te mostrei o que significa ser templo de Deus. E, por isso, como sentir Deus no corpo e celebrá-lo no ritmo, na ginga e na dança. E tu reprimiste minhas religiões afro-brasileiras. E fizeste dela caso de polícia.
Eu te inspirei a música carregada de banzo e o ritmo contagiante. Eu te ensinei como usar o bumbo, a cuíca e o atabaque. E tu tomaste do que era meu, fizeste nome e renome, acumulaste dinheiro com tuas composições e nada me devolveste.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: Que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu desci os morros, te mostrei um mundo de sonhos, de uma fraternidade sem barreiras. Eu criei mil fantasias, e tu te alegraste e aplaudiste de pé. Mas logo, logo, me esqueceste, me deixaste na favela, na realidade nua e crua da fome, do desemprego e da opressão...
Em 27/07/2006, às 22:24:03, continuação disse:
Eu te dei em herança o prato do dia-a-dia, o feijão e o arroz. Dos restos que recebia fiz a feijoada, o acarajé, a cozinha típica do Brasil. E tu me deixaste passar fome. E permites que minhas crianças morram antes do tempo ou que seus cérebros sejam irremediavelmente afetados, imbecilizando-as para sempre.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: Que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!
Eu fui arrancado violentamente de minha pátria africana. Eu conheci o navio-fantasma dos negreiros. Eu fui feito coisa, peça, escravo. Eu fui a mãe preta para teus filhos. Eu cultivei os campos, plantei o fumo e a cana. Eu fiz todos os trabalhos. E tu me chamas de preguiçoso, me prendes por vadiagem. Por causa da cor da minha pele me discriminas e me tratas como escravo...

Em 27/07/2006, às 22:33:32, ... disse:
Eu soube resistir, consegui fugir e fundar quilombos: sociedades fraternas, sem escravos, de homens e mulheres livres. Eu transmiti, apesar do açoite em minhas costas, a cordialidade e a doçura à alma brasileira. E tu me caçaste como bicho, arrasaste meus quilombos e ainda hoje impedes que a abolição dos escravos seja para sempre verdade verdadeira.
Meu irmão branco, minha irmã branca, meu povo: Que te fiz eu e em que te contristei? Responde-me!

Texto retirado do livro "O CAMINHAR DA IGREJA COM OS OPRIMIDOS" no CENTENÁRIO DA LEI ÁUREA (1888-1988)
Em 28/07/2006, às 13:37:28, CONFERÊNCIA AVALIA COMBATE AO RACISMO disse:
Começou em 26 de julho, em Brasília, a Conferência Regional das Américas sobre avanços e desafios no Plano de Ação contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerâncias correlatas. Representantes governamentais de 21 países e de entidades da sociedade civil dos 35 países convidados da região da América Latina e Caribe, além da América do Norte, estarão reunidos até esta sexta-feira, 28.
Em eventos do tipo foram aprovadas resoluções que agora serão analisadas. Pretende-se saber se os países avançaram ou não no tratamento de questões da população negra e indígena.
O Brasil procura reforçar ações como: A criação da Secretaria de Igualdade Racial (SEPPIR), a proposta de cotas para negros em universidades e programas de saúde para a população negra, entre outras iniciativas que representam um encaminhamento que dialoga com as resoluções.
Com base nas avaliações, o encontro pretende debater as próximas iniciativas a serem encaminhadas e redigir recomendações aos governos.
Em 17/09/2008, às 11:19:34, yasmin Odorize | página pessoal | e-mail disse:
acho muito legal
sou católica e vivo a minha fé.
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