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Categoria: Saúde

Postado por Carlos Eduardo em 12/03/2008 21:37
APITERAPIAHOLISTICA PARTE I
REFLEXÕES SOBRE O PARADIGMA HOLÍSTICO E
HOLISMO E SAÚDE
Elizabeth Teixeira*
TEIXEIRA, E. Reflexões sobre o paradigma holístico e holismo e saúde.Rev.Esc.Enf.USP, v.30,
n.2, p. 286-90, ago. 1996.
Trata-se da reflexão sobre o paradigma holístico e sua constituição no âmbito
das ciências. Apresenta seus princípios fundamentais e discute sua inserção na saúde.
Holismo e saúde surge como desafio para o novo milênio. Destaca os eventos
Importantes que apontam o paradigma como novo rumo para a humanidade. Faz
uma reflexão sobre suas bases, pressupostos e conceitos gerais.
* Livre Docente em Enfermagem pela UNIRIO, Professor Adjunto do Departamento de
Filosofia e Ciências Sociais da Universidade do Estado do Pará (UEPA), Docente do
Curso de Mestrado em Enfermagem da UFPA.
286 Rev.Esc.EnfUSP, v.30, n.2, p.286-90, ago. 1996.
UNITERMOS: Paradigma holístico, holismo e saúde.
SURGE UM NOVO PARADIGMA
O paradigma holístico emerge de uma crise da ciência, de uma crise do
paradigma cartesiano-newtoniano, que postula a racionalidade, a objetividade e a quantificação como únicos meios de se chegar ao conhecimento. Esse paradigma
busca uma nova visão, que deverá ser responsável em dissolver toda espécie de
reducionismo. A holística força um novo debate no âmbito das diversas ciências e
promove novas construções e atitudes.
O planeta terra está doente, seus habitantes enfermos e seu habitat poluído e contaminado. Urge uma nova atitude, novos habitantes e novos modelos de ser/fazer ciência.
As ciências da saúde não podem estar alheias a este movimento nacional e
internacional. CAPRA (1986), propõe novos rumos para a saúde e aponta para o paradigma holístico. Ao propor novos caminhos para a saúde, ressalta que há que se rever os atuais modelos de serviços, de instituições de ensino e de pesquisas em saúde. A transição para o novo modelo, alerta-nos o autor, há que ser efetuada lenta e cuidadosamente, por causa do enorme poder simbólico da terapia biomédica em nossa cultura ocidental.
O novo paradigma força uma visão sistêmica e uma postura transdisciplinar. O modelo sistêmico atende ao conceito de interdependência das partes. Postula que tudo é interdependente, que os fenômenos apenas podem ser compreendidos com a observação do contexto em que ocorre. Postula também
que a vida é relação.
A postura transdisciplinar é uma atitude de encontro entre ciência e tradição, entre ciência e sabedoria. A transdisciplinaridade reata a ligação entre os ramos da ciência com os caminhos vivos de espiritualidade. O novo profissional deverá ser cientista e filósofo e o pesquisador deverá ser afoito, aberto e inclusivo, basicamente distinto do tipo clássico. CREMA (1989).
O precursor do paradigma holístico foi Jan Smuts (1870-1950). Foi o criador do
termo Holísmo, quando divulgou seu livro em 1926. 0 filósofo sustentou a
existência de uma continuidade evolutiva entre matéria, vida e mente. Seu
conceito avança para uma visão sintética do universo e propõe a totalidade em
oposição à fragmentação.
Em 1967, Arthur Koestler desenvolve o conceito de Hólon, levando em consideração a dinâmica todo-e-partes. O antropólogo Teilhard de Chardin discute a lei da complexidade-consciência, propondo novas uniões entre partes e partículas rumo ao todo-um. 0 psicólogo Carl Rogers e a sua tendência realizadora do ser humano também estão em busca de um novo rumo e de um diferente modelo explicativo.
Todas as construções ocidentais, porém, no oriente, já são antigas e estão
descritas em diversos tratados tradicionais de várias das tendências orientais.
Percebe-se, assim, que urge uma aproximação com tais culturas, pois estas têm bases holísticas e podem nos apontar novos rumos e novos mundos.
(CREMA,1989).
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