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A procura do Tom

Postado por Tom em 15/04/2005 12:00

SSSSSinTo TanTo
Sensações. Minha vida é um vazamento contínuo de sensações exteriores que convertem-se, ou não, em significados. Às vezes para que um significado destaque-se neste nosso universo sensorial é necessário algum sacrifício, é necessária a morte de algo. Um ator morre para dar vida a existências que ele considera mais... delicadas do que a dele. Eu morro cada vez que me movo rumo ao trivial dos momentos cotidianos: o supermercado, a fila do banco, os planos para preencher o vazio dos dias... O vazio... é nesse vazio que encontro a vida, a vida silenciosa que converte qualquer ruído em significado puro e emocionante, a vida calada que encontra no movimento mínimo a máxima expressão.Nossa, que terminologia mais teatral! Mas é... a arte do palco é, novamente reitero, a arte da vida.

Ode Triunfal
À Dolorosa luz das luz das grande lâmpadas eléctricas da fábrica
Tenho febre e escrevo.
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.

Ó rodas , ó engrenagens, r-r-r-r-r-r eterno!
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria!
E fúria for a e dentro de mim,
Por todos os meus nervos dissecados for a,
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!
Tenho os lábios secos, ó grandes ruídos modernos,
De vos ouvir demasiadamente de perto,
E arde-me a cabeça de vos querer cantar com um excesso
De expressão de todas as minhas sensações,
Com um excesso contemporâneo de vós, ó máquinas!


Em febre e olhando os motores como a uma Natureza tropical –
Grandes trópicos humanos de ferro e fogo e força –
Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro.
Porque o presente é todo o passado e todo o futuro
E há Platão e Virgílio dentro das máquinas e das luzes eléctricas
Só porque houve outrora e foram humanos Virgílio e Platão,
E pedaços de Alexandre Magno do século talvez cinquenta,
Átomos que hão-de ir ter febre para o cérebro do Ésquilo do século cem,
Andam por estas correias de transmissão e por estes êmbolos e por estes volantes,
Rugindo, rangendo, ciciando, estrugindo, ferreando,
Fazendo-me um excesso de carícias ao corpo numa só carícia à alma.

Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!
Ser completo como uma máquina!
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!
(…)

Ah... Eis um texto expressivo... “quantas mortes” para ele nascer!



Comentários (4):

Em 15/04/2005, às 12:03:47, Tom | fotolog disse:
Gente desculpem naum ter colocado os créditos da Ode triunfal, pelo amor de Deus: Alvaro de Campos!!!
A foto com a Marisa... Eu pensei que naum ia ter muito a ver com os textos... Mas sabem que ficou muito significativo! Pelo menos pra mim.
Em 18/04/2005, às 18:01:13, Rodrigo | página pessoal | e-mail disse:
Essa é a segunda vez que eu tento postar um comment aqui (espero que dê certo). Também é a segunda vez que acesso seu fotolog.
Gostei deste post pra caramba! A Marisa, o texto de Álvaro de Campos...tudo combinando...

lol

Abraço

Em 19/04/2005, às 08:44:57, Fejones disse:
Precisamos de estímulos nessa vida
Precisamos nessa vida sentir
Precisamos de sacrifícios nessa vida
Precisamos nessa vida sofrer
Pra quê?
Precisamos nessa vida
de quê?
Em 20/04/2005, às 18:45:54, sol disse:
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