archi.sign - ARCHI-POINT-SIGN - Avilés se rende aos 100 anos de Niemeyer - archi.sign
Exposición. 100x100 Niemeyer. Del 01 al 30 de Abril 2007. Coincidiendo con los cien años del arquitecto Óscar Niemeyer, y bajo el título 100X100 Niemeyer ,se inauguró una muestra de las mejores obras del genial arquitecto brasileño. La exposición, que se llevó a cabo en plena calle , muy cerca de donse se construye el Centro Niemeyer, fue un éxito de público y crítica, y viajó posteriormente a Bruselas y a Madrid. En la actualidad, se expone en Barcelona....[+]
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Categoria: Celebridades

Postado por ARQ. LUIZ AMAURETY* em 01/11/2009 17:34
Oscar Niemeyer. artigo especial para o Correio. PRESENTE, PASSADO E FUTURO. Correio Braziliense. 'Z'
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artigo
PRESENTE, PASSADO E FUTURO
"(...) E fico a imaginar o setor cultural já realizado. De um lado, o museu com a sua cúpula enorme de concreto, o salão de exposições, os mezaninos se entrelaçando harmoniosamente, sem esconderem a cúpula imensa, bonita como um grande céu iluminado (...)"
Oscar Niemeyer
especial para o Correio
Pedem-me falar de Brasília, e acho justo — justo e necessário — que o novo governo e seus ministros saibam como tudo começou e como até hoje, já construída, ela vai evoluindo.
Para mim Brasilia se iniciou com Pampulha, muitos anos atrás. E vale a pena lembrar por que de Brasília participei.
O ministro Gustavo Capanema tinha incumbido o arquiteto Carlos Leão de cuidar do projeto da Universidade do Rio. E Leão me chamou: ‘‘Queria que você colaborasse nesse trabalho, a começar pelo projeto do hospital. Se o Souza Campos (era quem dirigia o empreendimento) perguntar o que está desenhando, não diga que é um hospital. Ele é médico, e, não sei por que, acha que todo hospital tem de ter a forma de um Y’’. Já iniciava meus desenhos quando ele apareceu: ‘‘O que está desenhando?’’ — perguntou. Sem querer mentir, respondi: ‘‘Estou desenhando um hospital, mas não em Y, como o senhor prefere’’. Discutimos, nos separaram, disse-lhe o que tinha a dizer e pedi demissão. Capanema não aceitou a minha demissão, convocando-me para o seu gabinete. E lá fiquei, em contato com o Leal, o Drummond, o Massot e o Cruz, atendendo Capanema nos assuntos ligados à arquitetura.
Lembro-me das pequenas tarefas que realizava, como o grande palanque construído no estádio do Vasco da Gama para o festival do Villa-Lobos. Capanema gostava de mim, e ficamos amigos pela vida toda. Um dia, o Governador de Minas Gerais Benedito Valadares pensou construir um assino no Acaba Mundo, e Capanema me indicou para esse projeto. Conheci Valadares e, com ele, JK, candidato a Prefeito de Belo Horizonte, que, eleito, logo me convocou: ‘‘Niemeyer — disse-me ele no primeiro encontro —, não vou construir apenas o cassino, mas um bairro, o bairro mais bonito do muno, na represa da Pampulha, aqui em Belo Horizonte. Vai ter um cassino, uma igreja, um clube e uma casa de chá’’. E mais categórico: ‘‘Preciso do projeto do cassino para amanhã’’. Eu o atendi e, trabalhando a noite inteira no hotel onde estava, entreguei o projeto no dia seguinte, como havia prometido.
Pampulha foi a primeira obra pública de JK, o primeiro projeto de vulto que elaborei e a primeira obra que Marco Paulo Rabello acompanhou como engenheiro. E Pampulha começou. A mesma correria, os mesmos problemas, as mesmas esperanças, o mesmo entusiasmo com que Brasília foi construída vinte anos mais tarde. Era a minha arquitetura que se iniciava, leve, vazada, cheia de curvas, como o concreto armado sugere.
Recordo JK a nos convidar, altas horas da noite, para de barco vermos os prédios se refletindo nas águas da represa. Que entusiasmo! Para mim o êxito da arquitetura de Pampulha influiu na determinação com que JK resolveu construir Brasília tempos depois. E eu passei a ser seu arquiteto predileto.
Com a mesma decisão com que me convocou para projetar Pampulha, o Presidente me procurou na minha casa das Canoas: ‘‘Niemeyer, construimos Pampulha. Agora é a vez de Brasília, a capital do nosso país’’.
Acompanhei JK na primeira viagem ao local. Longe, longe demais, sem estradas, sem meios de comunicação. Terra vazia e abandonada. Mas o seu entusiasmo prevaleceu, a todos contagiando.
A presença do Presidente era imprescindível para o início dos trabalhos, e a construção de uma pequena casa onde ele pudesse passar os fins de semana surgiu como solução indispensável.
http://www.correioweb.com.br/hotsites/minhacasa/14.htm
http://stat.correioweb.com.br/hotsites/minhacasa/fotos/14.gif
http://stat.correioweb.com.br/hotsites/minhacasa/imagens/congresso.gif
Comentários (4):
Em 1/11/2009, às 17:44:56,
ARQ. LUIZ AMAURETY*
disse:
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Lembro a reunião que teve num bar da Cinelândia com o engenheiro Juca Chaves, o piloto Milton Prates e outros amigos de JK. A promissória que assinei e, descontada num banco, permitiu realizar as obras do Catetinho. Uma casinha de madeira sobre pilotis, uma sala e três quartos, banheiro e cozinha. Algumas árvores a protegiam. Um pequeno oásis naquele cerrado sem fim. Embaixo, uma grande mesa onde nos reuníamos e, na árvore mais alta, pendurada, a caixa d’água que abastecia a casa.
Ali JK passava os fins de semana, discutindo os problemas da construção de Brasília que se iniciava. Cedo, Bernardo Sayão aparecia de helicóptero para trazer os suprimentos. Ah, como o Catetinho foi útil na construção de Brasília!
‘‘Vamos construir o Alvorada’’ — disse-nos um dia JK. O Plano Piloto ainda não fora apresentado. E lá fui eu, com Israel Pinheiro, o capim a nos bater nos joelhos, à procura do local mais adequado.
Brasília se iniciava. Foi aberto o concurso do Plano Piloto e escolhido o projeto de Lúcio Costa. A cidade a se estender à volta do lago, onde a simplicidade das áreas residenciais e a monumentalidade que uma capital exigia estavam presentes, como ele tão bem soube imaginar.
E até o fim caminhamos juntos, de braços dados — ele resolvendo os problemas do urbanismo, e eu os da minha arquitetura.
Conversei com Israel Pinheiro e organizei a minha equipe. Levei comigo quinze arquitetos, um jornalista, um médico que pouco sabia de medicina — mas que era divertido — e dois amigos, desempregados, que achei ser o momento de ajudar. Não queria só tratar de arquitetura naquele fim de mundo, mas rir um pouco, falar da vida, que é mais importante que tudo.
Durante algum tempo trabalhamos, juntos, no edifício-sede do Ministério de Educação e Saúde, no Rio, e seguimos depois para Brasília, onde as obras das casas populares estavam sendo concluídas.
Em 1/11/2009, às 17:47:07,
ARQ. LUIZ AMAURETY*
disse:
Trabalhamos muito, de sol a sol, num barracão coberto de zinco onde desenhamos todos os palácios da nova capital. Morávamos nas casas geminadas que construímos; comíamos num restaurante improvisado. À noite, não raro, íamos para as boates da Cidade-Livre, onde engenheiros, arquitetos e operários se refaziam do trabalho e daquele ambiente hostil de lama e poeira que antes desconheciam. Parecia-nos que a vida estava melhorando, que éramos todos iguais. Uma ilusão que logo se desvaneceu, com a inauguração da nova capital, o poder do dinheiro a se impor novamente.
Tinha fechado o meu escritório no Rio e, preocupado com minha situação, JK me telefonou: ‘‘Niemeyer, quero que você projete a sede do Banco do Brasil e a do Banco do Desenvolvimento Econômico, de acordo com a tabela de honorários do IAB’’. Disse-lhe que não podia aceitar, que era um funcionário. Mas como nos agradava vê-lo interessado nos problemas pessoais de todos que com ele trabalhavam!
Cedo, muito cedo, Israel nos procurava com seu vozeirão. Era um homem bom; sem ele Brasília não teria sido construída. E, juntos, seguíamos pelas estradas enlameadas a ver as obras em construção. Muitas vezes JK aparecia. Queria acompanhar tudo, sentir que seu sonho predileto se realizava afinal.
E as obras foram concluídas. Era a arquitetura de Pampulha que de novo surgia, mais audaciosa, inovadora. Como me agrada poder afirmar hoje aos visitantes: ‘‘Vocês vão ver os palácios de Brasília, podem gostar ou não, mas nunca dizer terem visto antes coisa parecida!’’ Ou Le Corbusier a declarar a Ítalo Campoflorito, ao subir a rampa do Congresso: ‘‘Aqui há invenção!’’.
O tempo correu. Coisas boas e ruins se passaram na nova capital. Não vou perder tempo em enumerá-las. O mesmo acontece em todas as cidades do mundo. A densidade demográfica excessiva, o poder imobiliário a aumentar gabaritos, ou a mediocridade ativa a intervir sem controle no campo da arquitetura.
Em 1/11/2009, às 17:48:55,
ARQ. LUIZ AMAURETY*
disse:
A mim o que mais me constrange é sentir como os visitantes de Brasília caminham, com entusiasmo, da Praça dos Três Poderes até a Catedral, e aí, diante da terra vazia que se estende até o viaduto, perguntarem surpresos: ‘‘O que é isto? Por que este espaço vazio e abandonado?’’ E isso explica por que os que como eu viveram aqueles velhos tempos de Brasília sentem-se hoje obrigados a apoiar o governador Roriz, ao vê-lo tomar todas as providências necessárias para a construção do museu e da biblioteca previstos no setor cultural. E agora, para tranqüilidade nossa, é o Presidente Lula a me declarar convicto: ‘‘Vou construir o museu’’.
E fico a imaginar o setor cultural já realizado. De um lado, o museu com a sua cúpula enorme de concreto, o salão de exposições, os mezaninos se entrelaçando harmoniosamente, sem esconderem a cúpula imensa, bonita como um grande céu iluminado. E depois a praça, a biblioteca — os jovens de Brasília contentes de conhecerem o presente, o passado e o futuro deste estranho mundo. Do outro lado, o grande salão musical a revelar a riqueza da música popular do nosso país, e a seguir os cinemas e o planetário.
É claro que Brasília tem problemas — a densidade excessiva que um apoio mais efetivo às cidades-satélites reduziria, a falta dos estacionamentos projetados que, construídos, eliminariam o problema dos carros a esconderem a arquitetura dos principais palácios da cidade, a ameaça constante às áreas livres que o Plano Piloto fixou, e essa audácia, essa falta de ética com que se propõem aumentos de gabaritos e outras modificações nos prédios existentes, impossíveis de aceitar.
Em 1/11/2009, às 17:50:22,
ARQ. LUIZ AMAURETY*
disse:
Releio este texto, elaborado às pressas, eu mais preocupado com este mundo em que vivemos e que o imperialismo norte-americano degrada, a massacrar o povo desprotegido do Iraque, sem nenhum respeito pelo que lá existe da memória dos homens. É claro que nos conforta a política externa que o atual governo brasileiro adota, nacionalista, certo de que é o momento de se unir esta América Latina tão ameaçada e ofendida.
Oscar Niemeyer é arquiteto