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Astramundo

Categoria: Viagens
Postado por Bellatrix em 15/05/2009 21:27

Confissões aos pés do quadro de Klimt
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- Sim, eu esqueço os nomes muitas vezes, das coisas e dos seres. Confundo, misturo. Pedaços de uns em outros se aglutinam e surgem outras entidades, ou mosaicos costurados de uns em outros, idas e vindas. Uma bagunça psíquica fenomenal, feito trilhos de trem suspensos em abismo celestial.
Nome de música em outra letra, frase enigmática de poeta em beijo de desconhecido, teoria junguiana em confissão de amigo. Um carnaval metafórico desfilando pelas carnes e pelos tecidos que tingem minhas cruzadas ocasionais. Missa em bacanal, orgia em altar, sepulcro em pólen, cantiga em dorso de ventania, exercício de esgrima em diálogo com querubins.
Agora mesmo, fisguei dois olhos de vertigem oceânica no fio de luz atrás do vidro. Pupilas, tão tuas, de plâncton dançarino, invadindo avenidas que me expulsam, abismadas. Então cubro esta estranha luminosidade vinda de fora com seda meio transparente. Para que não me fites diretamente, assim, tão cego de mim. Costuro na meia-luz que dança na sala, o poema desconhecido que tu deves confessar quando beija a noite, correndo confuso entre polens, entre seres, entre preces cruzadas, fugindo, fugindo, fingindo um pranto de arlequim.

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Comentários (1):

Em 19/06/2009, às 00:36:50, João disse:
A luz do luar o balé incessante das copas é sempre mais interessante do que a estática etérea individual.
Mosacaico cerebral. Este é o canal.
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