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Categoria: Artes
Postado por Laudo em 02/07/2009 10:43

O TRAÇO: A FORMA E A EMOÇÃO 3
Olá, amigos...
então, continuemos.


Com a proposta do André Diniz de estrearmos nossa parceira, vi a possibilidade de dar um salto, de mudar de lugar e arriscar fazer uma outra forma de história em quadrinhos. A idéia era partir do princípio lápis, papel e idéias na cabeça.
O roteiro de “Subversivos: Companheiro Germano” era uma seqüência de “Subversivos” que Diniz havia lançado aproximadamente um ano antes, com desenhos dele. A idéia de trabalhar numa continuação me aguçava a idéia. Havia nesse novo texto alguns personagens da primeira história e alguns novos. Um desafio bem interessante dentro dessa nova expectativa de desenho.

O vício do referencial fotográfico em excesso, havia, de certa forma limitado a minha idéia de concepção de personagem. Uma coisa era ter a idéia de determinada figura pública, de cinema, tv, música o que fosse para usar como referência para criação do personagem, a outra era tirar o rosto e corpo inteiramente da cabeça, da imaginação. Não parece tão complicado assim, porém os vícios, os hábitos às vezes dificultam quando se quer passar de um estágio para o outro.
Após desenvolver os personagens e recriar os outros que haviam aparecido na primeira parte, parti para os desenhos. A sensação era como de uma criança que começar engatinhando e logo dá seus primeiros passos e começa a ficar em pé. Descobertas. O ótimo roteiro do Diniz causou inúmeras conversas entre eu ele, muitas vezes até altas da noite. O perfil psicológico complexo dos personagens da trama, os papos sobre os mesmos estimulavam mais ainda a criação dos desenhos, das seqüências, enfim de toda a ação. A cada página feita sentia um prazer pleno do ato de criação, procurando estimular a cada nova seqüência novas possibilidades dentro da narrativa do roteiro.

Com o término da hq, definitivamente eu havia mudado a minha forma de pensar quadrinhos, de como desenhar uma hq. A coisa toda de trabalhar livre sem estar preso às necessidades de referencial, proporcionando um livre campo de criação estimulava muito minha cabeça gerando muitas idéias de muitas possibilidades. É importante frisar que um dos pontos que muito me ajudou a chegar nessa linha foi o fato de trabalhar fazendo caricaturas das pessoas ao vivo em eventos. A coisa de ter ali, durante uma ação, várias pessoas a serem desenhadas, a dependência só sua e do papel e o traço mais solto possível, em um determinado momento veio se juntar à necessidade de uma nova forma de desenhar quadrinhos. Ali, então seria o meu jeito de contar uma história desenhada. Muito mais importante que uma beleza estética, puramente gráfica, seria a força ou a tentativa de expressar o máximo possível uma cena, um quadro. Emoção, sentimentos, enquadramentos mais significativos, tudo pró uma melhor forma de expressar a minha idéia criadora. E nessa, obviamente, o quanto mais se consegue chegar aos objetivos, mais se tem também um belo resultado gráfico onde o próprio leitor iria perceber no final, na hora da leitura.

Havia um imenso caminho para descobrir e ainda há e isso me estimula.


A página acima é uma seqüência de “Subversivos: companheiro Germano” com arte-final do Omar.


Na próxima continuamos, rapaziada!



Comentários (8):

Em 13/12/1973, às 15:17:06, Omar | fotolog disse:
Foi aí que tudo mudou!
Em 13/12/1973, às 15:25:14, Rodrigo Vinicius | fotolog disse:
mais uma lição aprendida, concordo com a liberdade de referenciais e essa manha da caricatura é engraçado, sempre sou convidado pra fazer essas caricaturas as vezes até me oferecemdinheiro mas sempre nego por achar que não vou conseguir satisfazer as pessoas, vi um desenho teu no flog do omar e fiquei impressionado com a simplicidede da arte nos detalhes, é isso que tento alcançar.
Em 13/12/1973, às 15:26:17, anderson quespaner | página pessoal disse:
Ola Laudo. Tudo na paz?!
Bem, agradeço o seu comentario no meu flog..Realmente e maravilhoso quando temos liberdade de trabalhar sem limitações de criação e de estilos de arte.Eu amo desenhar, conhecer novos trabalhos e artistas mesmo que não sejam do meu "estilo"( se e que tenho algum ..heheheh).Aprender mais com os grandes mestres e tambem com quem esta começando..Longe de mim querer ser melhor do que "beltrano ou Fulano"..Eu sou um mero aprendiz aqui.
Enquanto, Deus ainda me conceder forças para isto, sempre vou querer aprender e desenvolver mais os meus trabalhos.
Olha, to achando muito gratificante esta serie que e exibida aqui..Bom, para os profissionais da area, como os que estão se embrenhando neste novo mundo e que não tenham medo de aprender.
Grande abraço Laudo
Em 13/12/1973, às 15:31:57, Jonathan Pires | fotolog disse:
Opa!, eu estou bem, e vc?

Pow, Brigadaum!,.. Valew pelo comentário!,..

Volte sempre..

Abração!
Em 13/12/1973, às 15:42:52, Rodrigo Romão disse:
Oi mestre !! Parabéns pelos textos esclarecedores .
Quanto ao " Subversivos : companheiro germano " , grande obra !!! Resultante da maturidade artística do trio , leitura obrigatória pra qualquer leitor q c preze.
Em 13/12/1973, às 16:04:07, Kal J. Moon | página pessoal disse:
Nobre Laudo... Como sempre, vc acaba sendo mais um dos mestres do quadrinho nacional... Já pensou em fazer um livro sobre suas experiências pessoais em relação a todo o universo gráfico???

Além de ser uma ótima ideia, tb seria um campeão de vendas...

Pensaq nisso e depois me diz...
Em 13/12/1973, às 16:32:39, Erick Artmann | página pessoal disse:
belas imagens e um bom depoimento do q é fazer hq com a alma!
sucesso, cara! abração
Em 13/12/1973, às 17:39:21, Gilson disse:
Grande Laudo, estou acompanhando seu processo de desenvolvimento de HQ, não pude comentar antes, mas quero aqui agradecer pelo seu ato nobre de expor suas experiências profissionais que contribuem em muito com o aprendizado nosso e contribui para o crescimento profissinal de todos. Na parte de referencias(recortes) me identifiquei muito, pois fazia alguns desenhos tendo como base gente famosa, as revistas de fofocas sempre traziam fotos em boa resolução, né?

Abs
Gilson Alvarenga
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