Terra Terra Fotolog
Banda Mamão

Desenhos, rabiscos, quadrinhos e outras
coisas mais!

Categoria: Artes
Postado por Laudo em 20/06/2009 13:12

O TRAÇO: A FORMA E A EMOÇÃO 1
Na minha última postagem, o Rodrigo Vinícius Abreu ao deixar seu comentário aqui, suscitou uma questão bem relevante enquanto comentava sobre seu exercício de desenho. Isso me chamou a atenção e resolvi compartilhar com vocês algumas experiências, vivências de processos de criação que talvez ajude a rapaziada mais nova e pra gente, um pouco mais “velho de guerra” como eu, a entender um pouco mais o processo nosso de criação, a busca de uma linguagem própria, a verdade no trabalho, a emoção a ser transmitida.

A imagem acima é uma seqüência da mini-série “Depois da Meia-Noite” que lancei no ano passado. A hq que tem roteiro e desenhos meus e arte-final do Omar, foi produzida entre 1995 e 1996 e mostra uma fase do meu trabalho e é tendo ele como primeiro exemplo é que quero começar esse papo com vocês.

Na postagem anterior, o Rodrigo Vinícius diz que é um apaixonado pela estilização, mas sempre cai na questão: o que fazer? Realista ou estilizar?

Essa mini-série, como alguns outros trabalhos desse período e anterior, faz parte de um momento em que eu tinha uma verdadeira obsessão pelo desenho realista, pelo traço acadêmico. Para isso, vivia estudando demasiadamente anatomia humana, músculos, via muita fotografia e como não vivíamos ainda no apogeu da tecnologia da informática, possuía uma infinidade de referenciais fotográficos em muitas, muitas pastas. Minha preocupação naquele período, e um pouco antes também, era a beleza estética, a beleza da página, o que para mim, significava o traço acadêmico. Principalmente nas figuras femininas aonde meu padrão estético inegavelmente bebia um pouco de artistas americanos
que tinham como forte o acadêmico, como George Perez e Adam Hugues.

O processo de criação de uma página era lento. Não tanto pela questão do desenhar em si, mas pela busca de referências a serem desenhadas. Perdia lá pelo menos uma hora e pouco, buscando fotografias
de expressões faciais e corporais, de cenários, de figurinos. Pelo que me recorde, na seqüência, o ato de desenhar a página em si era menos demorado, embora levasse seu tempo. Como disse, a realização vinha com a constatação, para mim, na época, de um resultado final aonde as imagens possuíssem um academicismo (o que eu julgava então estar a caminho, como muitos hoje em dia).

Na próxima postagem, continuo nosso papo e a tragetória...



Comentários (9):

Em 20/06/2009, às 14:44:14, rvoabreu disse:
AÊ lAUDO MUITO...MAS MUITO OBRIGADO! MAS MUITO OBRIGADO MESMO esse post por si só me fez refletir um pouquinho e entender que o caminho é natural e que no fim não depende só de nós a definição do estilo...é algo que vem naturalmente né, o importante é a versatilidade...mas olhe cara eutentei ir pra essa arte aacadêmica mas essa veia estilizada realmente acaba aparecendo e relmente me fsatisfaz..sou capaz de olhar 20 vezes pro mesmo desenho e me sentir como se estivesse dentro daquela página...muito obrigado Laudo!
um abraço!
Em 20/06/2009, às 14:45:23, rvoabreu disse:
add eu ai cara!
http://fotolog.terra.com.br/rodrigovinicius
um abraço!
Em 20/06/2009, às 19:20:29, Anita | e-mail disse:
Existem desenhistas extremamente dedicados ao aspecto minucioso e detalhado, na intenção de criar algo
bem próximo da realidade.
Outros, viajam livremente pela imaginação, deixando fluir algo esteticamente diferente e inovador.
Nesses casos, bem como em outros, o artista tem no papel o solo fértil para
mostrar através do traço, sombras e recursos diversos, sua essência artística.
Estilos podem variar mas o talento tem que estar presente.
No seu caso específico, independente da fase vivida, você sempre trabalhou com capricho.
Em 20/06/2009, às 21:04:22, rodrigo romão disse:
e aí mestre, certim? legal a discussão sugerida.
eu acho q uma boa hq é uma boa hq, independente d ser realista ou estilizada. alguns podem preferir isso ou aquilo, mas é gosto mesmo.
vale lembrar q é muito difícil viver exclusivamente d hq no brasil e q um desenhista versátil ( caso do laudo ) pode atuar em outras áreas ou escolher o estilo mais adequado para o trabalho em questão.
gostei dos desenhos rodrigo, parabéns.
Em 20/06/2009, às 22:12:59, Carlos Reno | fotolog disse:
Fala cumpadi. Interessante sua dissertação sobre o tema, vou deixar o assunto rolar um pouco pra dar minha opinião sobre o mesmo. Sobre seu desenho aqui, sempre admirei seu traço acadêmico (tanto quanto os atuais estilizados), que por mais realista e pesquisado sempre teve uma marca "Laudo" estampada, acho que não devia deixá-lo de vez, mesmo que não o use nas hqs, mas em outros trampos que se encaixariam perfeitamente. De uma forma ou de outra o segredo seja deixar o desenho "fluir" naturalmente, não? Abraço.
Em 21/06/2009, às 00:20:21, Hugo Nanni | fotolog disse:
Obrigado Mestre Laudo!O que postou foi nada menos que uma pequena e valiosa aula.
E se fosse preferir, se me permite, acho sua fase atual excepcional!
Mais uma vez obrigado!
Em 21/06/2009, às 08:37:02, NANDOART disse:
Po, Laudo,
Muito enriquecedor para nós calouros e fans essa sua idéia de compartilhar o seu conhecimento conosco.
Abre esse baú ai e manda mais coisas.
Um abraço
Em 21/06/2009, às 11:55:45, braga | página pessoal | e-mail disse:
Mestre Laudo, comento pouco aqui no seu fotolog, mas não pude deixar de ler com atenção, o post anterior e este agora, além de aguardar ansioso o próximo, pq sou um desenhista que aprendeu o pouco que sabe, observando o trabalho de artistas como vc, que tem uma eterna busca por identidade artística, e uma capacidade de assimilação enorme. Tb sinto a dúvida do amigo RVOABREU, de que estilo devo seguir, porém ao desenhar a primeira hq do Capitão Alfa, usando um estilo mais "simples" enveredei por um caminho que ao que parece não tem volta, embora admire e muito o trabalho realista de artistas nacionais e americanos, sinto saudade do traço que vc apresentou no post anterior. Me parece que é onde o artista vai mostrar toda a sua arte, buscando soluções estéticas e artísticas perfeitas, e que não podem ser encontradas em referências fotográficas. Admiro muito o trabalho de um ALEX ROSS, mas não posso deixar de me encantar com um RON GARNEY, MIKE MIGNOLA, WILL, VC, HUGO NANNI, DANIEL BRANDÃO, JJ.MARREIRO, e muitos outros que dão um show no quesito "estilizados"! Muito grato pela aula, e aguardamos ansiosos a próxima! GRANDE ABRAÇO!
Em 22/06/2009, às 05:29:50, Kal J. Moon | página pessoal | e-mail disse:
Lembro-me quando comecei a ver quadrinhos como algo sério...

Foi em 1994, durante a Comicmania (RJ), quando consegui meu primeiro autógrafo: Jim Lee...

De lá pra cá, foi muito estudo de traço e muito contato pelos correios. O primeiro fanzine que comprei foi o Phobus nº 5 (especial de aniversário) que tinha ótimas HQs. Dentre elas, uma do mestre Laudo e sua personagem 'Meia-Lua' num traço que lembrava o estilo do desenho animado 'Batman Animated Series'...

Foi a partir daí que comecei a acompanhar os quadrinhos nacionais com muito mais atenção do que antes, percebendo que tem mesmo como histórias diferentes se passarem no Brasil sem parecer clichê...

Curiosamente, meu primeiro passo em relação a trabalhar com quadrinhos se deu com desenhos mais realistas, ainda que num cenário fantasioso, com o mestre indiano Marcelo Salaza. Mas depois ele conseguiu publicar do jeito que sempre quis, com seu traço estilizado e muito cativante.

Confesso que eu não gostava daquele traço a princípio e foi apenas fazendo a arte-final do personagem Elite que acabei vendo como colaborar com este estilo é gratificante e desafiante tb.

Espero pela parte dois do debate para poder tecer mais comentários...
Nome:
Mensagem:
caracteres disponíveis
E-mail (opcional):
URL (opcional):