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Categoria: Artes
Postado por Laudo em 23/06/2009 13:01

O TRAÇO: A FORMA E A EMOÇÃO 2
Olá, rapaziada. Bacana ver o retorno que essas questões que comecei a expor na postagem anterior. Hoje então, vamos avançar um pouco mais.


Desde meados dos anos 80 quanto iniciei minhas atividades nos quadrinhos de forma mais atuante, vinha buscando uma linha de desenho que acabou tendo um primeiro resultado em trabalhos como as hq’s que produzi em 1995 e 1996 do Zé do Caixão, a série de hq’s da personagem Meia-Lua e principalmente em “Depois da meia-noite”: o traço realista com base em referências fotográficas. Tudo, conforme disse na primeira parte, era feito à partir de fotos, desde cenários, expressões corporais, até a criação dos personagens, nesse caso sempre baseando-me em fotos de alguns astros para compô-los como no caso da atriz Vera Fischer que usei como modelo para a detetive Verônica em “Depois da Meia-Noite”.

No final de 1999 todo esse processo começou a se desgastar na minha cabeça. Incomodava-me todo esse trabalho: perder um tremendo tempo procurando referências. Depois ficar preso às mesmas. E o principal, comecei a perceber que muitas vezes a idéia da cena, da seqüência na página, não saía exatamente como eu havia imaginado no roteiro (meu ou de eventual parceiro), sacrificando então, toda a emoção que poderia ser trasmitida, angulações, movimentações, etc., por ter que usar o material fotográfico disponível, conseguido.
Nesse mesmo momento comecei a ver outros autores tanto de quadrinhos como de outros seguimentos, de traços estilizados, mais soltos. Até mesmo mais voltados pro cartum e pro caricatural. Eles começaram a me interessar mais do que os autores de traço realista.

Conforme foi avançando o tempo, mais certeza me vinha de que seria interessante dar essa mudança. Um risco, digamos assim a se correr. Estava com uma necessidade artística imprescindível e quando se quer muito...

Em 2000, logo no início desse ano, o André Diniz, amigo de longa data veio me propor o que seria então nossa primeira parceria, ensaiada e conversada várias vezes anteriormente e ela enfim iria se consolidar com a proposta dele de desenhar a hq seqüência de seu trabalho “Subversivos”. Topei de imediato e vi aí a possbilidade de arriscar um outro tipo de quadrinho, um outro tipo de narrativa. E isso me aguçou a curiosidade para saber como eu me daria numa produção onde estaria livre de fotografias, livre da extrema necessidade de referências, enfim, eu e o papel, ou melhor, só o lápis na mão, o papel e o que viesse pela cabeça.

Numa das vindas do Diniz na ocasião, do Rio de Janeiro pra cá, conversei com ele sobre a intenção de fazer algo solto. Expus toda a minha idéia para ele. Diniz, escritor e antes de tudo um artista que também vive em eternas buscas, sacou perfeitamente a idéia.

Aí que a coisa estourou na minha cabeça!

Na próxima continuamos com o papo, amigos!



Comentários (7):

Em 24/06/2009, às 02:28:35, JJ Marreiro disse:
Eu sabia que era ela! Eu tinha certeza!!! Bom trabalho, Laudo!
Legal esse lance com a referencia às vezes a gente fica meio travado na referencia, mas o legal é quando a gente usa como um guia. Coincidentemente o asunto da minha postagem da semana é semelhante:) Fiz um desenho e depois busquei a referencia pra clarear as idéias. O resultado tá lá no http://fotolog.terra.com.br/laboratorio_espacial
Abração!!!
Em 24/06/2009, às 05:22:03, Kal J. Moon | página pessoal | e-mail disse:
É curioso vc mostrar a referencia utilizada... Eu mesmo, em começo e testando as possibilidades, tinha um caderno onde recortava dos jornais e revistas cartazes de filmes e fotos que me agradavam. O resultado artístico nunca me agradou.

Essa semana comprei a edição especial 'Ex-Machina - Estado de Emergência' (Ed. Panini) e, ao final da edição, tem uma espécie de making-of mostrando como foram feitas algumas páginas... Tony Harris, o desenhista, pede pra amigos posarem como os personagens da história QUADRO A QUADRO.

Não é algo somente pra tirar uma ou outra dúvida. Ele 'resolve' a página inteira dessa forma. Fico imaginando o tempo da demora pra esse gibi ficar pronto...

Eu acabei me afeiçoando ao traço cômico e estilizado apenas depois de colaborar diversas vezes com o nobre Marcelo Salaza em várias revistas como Elite, Battle Eulogy e até em zines como o que era editado por mim 'Impressão Digital' e mais recentemente em 'Tempestade Cerebral' (onde colaboramos numa HQ do Escorpião de Prata).

O interessante é que minha formação é a realista mas só consegui algo mais significativo com o cômico e estilizado... Coisas da vida!
Em 24/06/2009, às 15:40:54, Rodrigo Vinicius | fotolog disse:
è engraçado que quando passo aqui e leio os comentários, todos passaram pelo realista e acabaram no traço cartunescopelo mesmo motivo que me morde constantemente, eu nunca fico faliz com o resultado final de um desenho em que uso a referência, tenho a impressão de que aaquela imagem está congelada e sem movimento, auxilia claro em alguns trabaljos como o teu trabalho acima,mas prefiro usá-la agora somente pra corrigir perspectiva e estas coisas, seus post despsrtou muita genteboa a falar do assunto como o jj, o lene e outros e isso está me ajudando bastante a definir um caminho, masis uma vez obrigado Laudo!
aguardo o outro post!
Em 24/06/2009, às 20:43:56, rodrigo romão disse:
aprecio muito essa busca,característica d pessoas humildes e guerreiras.
Em 26/06/2009, às 21:34:29, Hugo Nanni | fotolog disse:
Cara...que saga !
Sei bem do que você fala no seu texto, pois além de acompanhar seu trabalho pelos quadrinhos, também vivo em constante busca pelo toque que transforma toda concepção artística já consolidada em terreno aberto pra uma nova linguagem de significados, novos símbolos, novas soluções para os mesmos dilemas.
Assim,observando a transição de seu traço voltado para o realismo fotográfico, próprio das HQs do Zé do Caixão e até umas eróticas (pré Tianinha) até os atuais mais estilizados, vejo uma jornada que é própria do artista e até o que auxilia a termos um motivo especial pra continuar. Buscar o inusitado, a surpresa e tomá-la de posse.
Inté.
Em 28/06/2009, às 14:57:08, Rodrigo Mazer disse:
e ai, grande mestre...passei pra te deixar um grande abraço. passa no meu fotolog, blz? vera, né....nada bobo, né...hehehe. té mais!
Em 30/06/2009, às 22:00:00, anderson quespaner | página pessoal disse:
Ola Laudo. Tudo beleza rapaz?!
Olha, eu ja tentei fazer meu trabalho com traço ralista..Mas, confesso que nunca deu certo..Por que não me sentia bem com isto..Acho que tentava agradar as pessoas que queriam o meu traço de determinada forma..Ai que estava meu erro..Sempre fiz meus trabalhos em estilo mais cartunesco e tinha e ainda tenho melhores resultados do que teria sendo com o desenho mais realistico..
Como a ilustração que postei nestes dias atras( usei uma foto de referencia)..Ia fazer com traço realistico..Mas, nunca dava o resultado que eu queria.Fiz mais "cartunizado" e ficou bem melhor.
Eu adoro teu trabalho Laudo..Po quando tu vier ao Rj de novo avisa pra galera aqui se encontrar.
Abração
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