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Banda Mamão

Desenhos, rabiscos, quadrinhos e outras
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Categoria: Artes
Postado por Laudo em 18/07/2009 14:08

O TRAÇO: A FORMA E A EMOÇÃO 5
Olá, rapaziada!
Nossa série de postagens aqui no Banda Mamão sofreram um certo atraso, mas cá estou para continuarmos nosso bate papo. Compartilhando histórias e aprendizado.


Conforme contei na postagem de 02/07, desenvolver os desenhos da hq “Subversivos: companheiro Germano” me abriu a cabeça em diversos sentidos (confiram lá, não vou repetir o papo todo aqui, né?!) e ao término desse trabalho sabia que havia começado uma nova etapa na criação de hq’s e para ver o que aconteceria adiante, nada melhor então que iniciar um novo trabalho, algo mais pessoal, algo que eu pudesse trabalhar com meus limites, aprendendo a lidar com eles e aprendendo a como ultrapassar alguns pontos ainda não feitos. Conquistar novos caminhos. Vulgarmente falando ousar brincar mais com as idéias. Há um raciocínio sobre isso que sempre permeia minha cabeça, pois o que é ousadia numa história em quadrinhos? O que é realmente experimental? E se é experimental, como dividir essa experiência com o leitor? Pois a experiência, no caso dos quadrinhos, só é válida se feita e compartilhada com o leitor e depois a reação dele é uma outra história.
A coisa toda veio embalada no projeto que virou “Yeshuah” uma trilogia de álbuns que concebi e que comecei a trabalhar em 2000 logo após o término da hq “Subversivos”. A questão da fé, da espiritualidade, Deus, nós, humanos, o que é bom o que é ruim, sempre esteve presente nos meus trabalhos, desde o princípio mesmo. “O duelo” de 1987 e publicado em 1992, a hq curta “Quando se está só” de 1988 e mesmo a mini-série “Depois da meia-noite” tratam desse assunto, por exemplo. Em “Yeshuah” (que originalmente se chamaria “Ele”) resolvi que iria falar justamente de Jesus e que nessa intenção a idéia era trabalhar com a expressividade de traço que vinha conquistando e que me ganhara e com raciocínios, idéias sobre tudo o que envolve a figura mística desse homem. Confrontar conceitos enraizados, que por mais que neguemos o lado “católico” estão presentes, pois quando julgamos fazer uma hq, por exemplo, em que debochamos da figura “católica” de Jesus para parecer que somos “do contra”, em determinado momento, caímos na armadilha ideológica por esse ou aquele motivo. Com a idéia da hq que estava desenvolvendo percebi que além do desenho teria que juntar uma narrativa desprovida de “dogmas” e mesmo formas ligadas ao quadrinho. Qual seria o caminho? É muito mais fácil, pegarmos a “figura” que temos aí pregada nos altares e criarmos deboche dele, pois intelectualmente falando, é mais “artístico” do que caminharmos para um outro lado, sem no entanto, criar um trabalho "carola", católico digamos.

Qual o raciocínio?
Se para eu trabalhar com questões que para mim são interessantes falar e que sempre estiveram presente na história da humanidade era algo que me interessava, na figura de Jesus estava tudo lá. Determinado estava que eu iria contar isso despido de pretensões intelectuais, analíticas e principalmente “donas da verdade”. Nada disso. É fundamental que o artista saiba de si e quem é, sem falsas modéstias e também sem deixar o ego ser maior que seu trabalho, nada disso. A idéia foi pegar um assunto que me interessa e trabalhar nele da maneira mais sincera e com o amor de quem cria um filho. Pode parecer bobagem, mas foi imbuído desse espírito que em final de 2000, sentei na prancheta aqui no estúdio e comecei a trabalhar com o projeto “Yeshuah”.

Acima, um detalhe da hq “Assim em cima assim em baixo”, primeiro álbum da trilogia “Yeshuah” que por enquanto está inédito.

Na próxima postagem, rapaziada, falarei ainda desse trabalho que foi um tremendo passo para meu aprendizado nesse caminho de criar quadrinhos.



Comentários (11):

Em 18/07/2009, às 17:37:33, Luigi Rocco | página pessoal | e-mail disse:
Salve, amigão. Quarta-feira fui deixar minha mulher no metrô Tatuapé. Quando passava pela banca em frente à estação me deparei com um montinho de revistas 'Depois da meia-noite'. Devem estar lá já há algum tempo pois estavam todas meio desbeiçadas. Escolhi um exemplar melhorzinho de cada um dos volumes e agora estou lendo. Não terminei ainda a história mas por enqunanto está bem legal. Abs. Rocco.
Em 18/07/2009, às 20:44:33, célio cardoso | fotolog disse:
gostei da arte final..valewww...
Em 18/07/2009, às 21:27:52, Reginaldo Nakamura | página pessoal disse:
Só o fato de não se prender apenas ao aspecto desenho ao comentar a elaboração de hq´s já é um fato digno de admiração. Agora, comentar a elaboração de um roteiro com essa propriedade que você desenvolveu aí acima não tem preço!
Valeu!
Em 18/07/2009, às 22:29:38, Reginaldo Nakamura disse:
Aproveitando a ocasião, quem quiser conferir meus trabalhos, estarei postando também em meu fotolog recém criado "realidades alternativas". Todos os comentários serão bem-vindos!
Em 19/07/2009, às 18:37:01, Kal J. Moon | página pessoal | e-mail disse:
Lembro-me que, quando conheci teu trabalho primeiramente lá nos idos dos anos 90 no fanzine 'Phobus' com a minha amada 'Meia-Lua', nunca imaginaria que vc envergaria seu traço de forma tão diferente quanto em 'Yeshuah'...
Um colega em comum, o nobre jornalista Antero Leivas, já havia me falado do projeto 'Ele' - por coincidência, havia um outro projeto europeu, envolvendo até Moebius, com a figura de Jesus, que era pra ser publicado em 2000 mas nunca mais ouvi falar dele...
Como muitos daqueles que apreciam teu trabalho, aguardo ansiosamente pela publicação deste álbum. Espero tb que muitos comprem, pra que garanta a publicação da trilogia...
Em 19/07/2009, às 18:56:35, LAUDO RESPONDE disse:
Olá, Kal.

Pois é, rapaz, esse trabalho tá por aí desde 2000, mas há uns quatro anos que venho tentando acertar o início da publicação.
O Moebius lançou um trabalho sobre a vida de Jesus sim, não é hq. O trabalho se chama "2001 apres Jesus Christ", não saiu em edição brasileira mas acredito ser meio fácil de achar em comics shops.
Abração!
Em 20/07/2009, às 11:23:44, spacca | página pessoal | e-mail disse:
Rapaz, já te falei pessoalmente, naquele fim de semana em Petrópolis com o Diniz, que como esse projeto está bonito, como o desenho me impressionou. Mas agora fico sabendo que o nome do álbum podia ser "Ele". Cara, gosto de Jeshua, mas Ele é muito bom!!! Se tem um livro que pode se chamar Ele, é Esse. abração
sp
Em 20/07/2009, às 19:15:04, LAUDO AVISA! disse:
Amigos, Banda mamão no Twitter:
https://twitter.com/laudoferreira
Em 21/07/2009, às 10:47:27, Samuel Bono | fotolog disse:
Grande Laudo, beleza? É o projeto do Gedeone mesmo cara, eu estou fazendo aqueles tons de cinza e as letras já estou produzindo. Assim que tiver tudo pronto, já te passo.
Na verdade, estou pensando em falar com o Samicler e tentar publicar colorido, se eu conseguir, é claro, eu te comunico.

Grande abraço e desculpe o sumiço.

Bono.
Em 21/07/2009, às 19:33:06, francisco g matos | e-mail disse:
olá se puder me passe o atual endereço ou e mail da simoni izzi eseu zine sacrificio ritual
Em 27/07/2009, às 15:51:47, felipe.maretta disse:
Gostei da sua explanação sobre a criação e no final acho isso mesmo...a gente tem que ser verdadeiro, e não dono da verdade...e se desprender de todas as amarras pra ser fiel ao que queremos!!!!
Assim a gente faz algo que vale a pena pra gente e usufrui da expreriência com o leitor!!!
Valews
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