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Categoria: Artes
Postado por Laudo em 30/07/2009 15:09

O TRAÇO: A FORMA E A EMOÇÃO 7
Outro ponto que vale a pena ser comentado aqui nessa série de depoimentos, é sobre a criação de personagens. Porém, vale dizer que falo de “personagens” e não heróis. Heróis é outra coisa. Outra história.
O personagem por si torna-se mais interessante para se trabalhar tanto na criação, quanto no desenvolvimento dele através de sua história ou de suas histórias. E novamente volto no período de desenvolvimento da hq “Subversivos: companheiro Germano” e se estendendo para “Yeshuah” e até hoje em dia, claro. Quando comecei a trabalhar nessas hq’s já livre das referências, foi extremamente estimulante criar o visual dos personagens independente de me mirar em uma foto, mesmo que determinado personagem tivesse esse ou aquele astro como referência, a coisa em si iria funcionar apenas pela idéia e tão só por ela. Em “Subversivos” recriar personagens que já haviam sido feitos pelo André Diniz foi um tremendo aprendizado, aí pude exercitar plenamente a questão do “fazer o personagem segundo minha visão”. Aí está a chave, “minha visão”, meu modo de ver e nada mais. Cada pedaço do rosto e corpo do personagem a ser criado (não importa se seu ou de outro roteirista) deve vir do que manda seu interesse, seu prazer, seu senso de criação e será ele, livre de qualquer vício e barreira que irá ditar o caminho. Quem ganha é a hq e os leitores, claro.
Em “Yeshuah” o desafio de criar todo o “cast” dessa saga espiritual, foi (e ainda é) maior. A idéia não era cair nos chavões dos personagens bíblicos. A concepção era criá-los mediante ao meu entendimento, ou seja, Maria e José (no caso do primeiro volume, “Assim em cima assim em baixo”) e todos os outros, agora deixariam de ser ícones religiosos para se tornarem “meus personagens” e aí, deveriam seguir o que minha idéia deles pedia, óbvio. Um processo introspectivo. Não houve menções a esse ou aquele quadrinho. Nunca. Isso inexiste. O que seria o foco eram meus estudos tantos textuais quanto pictóricos. Alguns personagens saíram diferentes outros nem tanto. A figura de Yeshu (Jesus) foi a mais difícil de trabalhar, pois por mais que não se acredite ou não na sua existência, não importa isso, aquele padrão católico está enraizado. Imaginei Maria, sua mãe, uma menina e não outra coisa mais. Nada daquele ar angelical, loirinha, uma moça. Não! Uma menina, que na minha história, de certa forma, estaria assustada, estupefata com tudo o que estaria lhe acontecendo. A questão do psicológico do personagem prevaleceria e prevalece na criação primeiro, o visual vem na cola.
É difícil imaginarmos hoje em dia, algo novo, que nunca foi feito. Bobagem. Buscar isso? Cada um sabe do seu trabalho. Porém algumas fórmulas, alguns procedimentos, acabam, pelo menos é o que eu acredito, não original, mas sincero, mais honesto. Esse talvez seja o segredo: sinceridade e honestidade com o que se quer criar. Aí não importa se um trabalho extremamente autoral ou profissional.
Na criação de um personagem é fundamental termos a noção do texto que iremos trabalhar, um claro entendimento da história e de como serão seus personagens retratados. Muitas vezes caímos nas armadilhas dos vícios de fã de determinados desenhistas, ou gêneros de hq’s e aí quando vamos entrar em um processo de criação, aquele nosso gosto está tão enraizado que cometemos o erro do vício, ou seja, criamos determinado personagem “inspirado” digamos assim nos gostos e às vezes os personagens a serem criados, necessitam de um pleno entendimento seu da história/roteiro, pois caso contrário vai ser muito claro, que a coisa vai sair no mínimo falsa.


Na ilustra acima, estudos (em sentido horário) dos personagens de “Yeshuah”: Maria Madalena, Pedro, Judas Iscariotes e Maria.

Esse papo continua. Na próxima postagem ainda quero falar sobre a criação de um personagem. É a vez da nossa querida loirona, ela mesma...



Comentários (7):

Em 30/07/2009, às 18:31:54, Lorde Lobo | página pessoal disse:
Cara, este papo tá incrivelmente didático!
Até vou retomar a leitura, desde o começo!
Grande abraço, cara!
Tudo de bom!
Em 30/07/2009, às 19:24:01, reginaldonakamura | fotolog disse:
Mais outra aula que é muito rara de se encontrar!

Você tem razão, um exemplo que eu me lembro agora e que vai nesse sentido, é aquele relatado pelo Stan Lee, em que ele relata que ao criar o Homem-Aranha teve de recusar o visual criado pelo Kirby e aceitado o do Ditko. Apesar de todo o talento do Kirby, era do traço do Ditko que o personagem pedia... ao que parece ele não errou!
Em 30/07/2009, às 23:02:22, spacca | e-mail disse:
véio, não entendi esse teu sentido horário.
Teu relógio é em zigzag?
No meu tá assim: muié, hómi, muié, homi.
Se a primeira à esquerda for a Magdalena, o carequinha seria o Pedro, depois vem a Maria e aí vem o Juda Skywalker (ou Judas Carioca). braços, sp
Em 30/07/2009, às 23:42:53, LAUDO RESPONDE disse:
Senhor Spacca, tá certo, viajei bonitinho!
Muié, homi, muié, homi. Correto!
Em 30/07/2009, às 23:55:19, Vera Lúcia | página pessoal | e-mail disse:
Olá Laudo...
Cada postagem, uma verdadeira aula. Mto bem. Parabéns pelo seu trabalho, arte e texto.
Obrigada pela visita e comentário incentivador. Para Rosalvo isto é mto importante. Demorei para responder, pois estávamos viajando. Vc perguntou, pois bem; Rosalvo é meu maridão.
Abçs/Vera e Rosalvo
Em 31/07/2009, às 11:17:48, Caio Majado | página pessoal | e-mail disse:
Laudão... a arte-final acima é sua ou do Omar! Tá duca, hein!

Beijos!
Em 31/07/2009, às 11:40:40, LAUDO RESPONDE: disse:
Grande, Caio Majado!

Legal que curtiu os desenhos. Olha, a arte-final da Maria Madalena, do Pedro e do Judas são minha, são estudos na verdade, já a Maria é do Omar e é um detalhe de um quadrinho do primeiro álbum.
Grande abraço!
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