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O BAÚ DO CORDEL

Categoria: Artes
Postado por Cacá Lopes em 28/08/2009 16:49

Mais um Clássico em Cordel é lançado pela Nova Alexandria
.

Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne, é o novo título da coleção Clássicos em Cordel, da editora Nova Alexandria. A cordelização desse importante romance de ficção científica foi feita pelo poeta cearense Costa Senna. As ilustrações são de Cristina Carnelós:

Abaixo, as primeiras estrofes deste que promete ser mais um sucesso dentro da vitoriosa Coleção:

Final de mil e oitocentos
Do ano sessenta e três,
Começava essa história,
Maio, era este o mês.
E esta vai acorrentar
A atenção de vocês.

Na velha Rua do Rei,
Casa número dezenove,
Em Hamburgo, na Alemanha,
A idéia se desenvolve
E, só no final do livro,
É que tudo se resolve.

Ao cientista Lidenbrock
Esta casa pertencia.
Este voltou apressado,
O porquê ninguém sabia.
Vamos tentar descobrir
O que meu tio sentia.

— Muito cedo pra jantar,
A boa Marta falou.
– Axel, se entenda com ele,
Veja o que o transtornou.
Aquela mulher amável
Assim me aconselhou.

Ele entrou no gabinete,
Gritou: — Axel, pode entrar!
Eu fiquei paralisado,
Sem jeito de caminhar.
Ele gritou novamente:
— Tenho algo a lhe mostrar!

Entrei, ele disse: — Veja
Que inestimável tesouro!
Com alegria falava:
— Isto vale mais que ouro!
Era um livro muito antigo,
Coberto com velho couro.

Meu tio, entre as funções
Que com orgulho exercia,
Era mestre em várias áreas
E em mineralogia
Era grande referência
Nos estudos que fazia.

(...)

Costa Senna é filho de Joaquim Raimundo da Costa e Raimunda Sena da Costa. Nasceu em Fortaleza, Ceará, no dia 30 de novembro de 1955.
Ingressou na arte no começo da década de 1980. Participou de várias manifestações culturais, atuando nas peças teatrais A noite seca, Deus lhe pague, Cigania e Luzidia. É um dos poetas pioneiros na utilização de temas ligados à educação na literatura
de cordel. Publicou, entre outros, os seguintes folhetos:
Os atropelos do Português, É outra história, O doido, Carta a Jesus e Cordel da Matemática poética e a antologia Caminhos diversos – sob os signos do cordel.
Artista versátil, além de humorista, é cantor e compositor, tendo lançado os CD’s Moço das estrelas e Fábrica de Unir Versos (MPB) e Costa Senna em cena (poemas e humor). Em São Paulo, já se apresentou em inúmeras escolas e centros culturais divulgando o cordel e a cultura popular.

Fonte: Fotolog de Marco Haurélio: http://fotolog.terra.com.br/marcohaurelio:141



Comentários (4):

Em 1/09/2009, às 18:48:13, Severino Honorato | página pessoal | e-mail disse:
Este Costa é do Sena!
Faz o aceno valer cem
Encontrou o Cacá Lopes
Que aos ouvidos convém
Aproxegou-se a Monteiro
Que o neme de Pedro tem
Escrevem e cantam a história
Que ao meu ego faz bem.

Em 1/09/2009, às 20:05:11, costa senna disse:
Algo me diz que vocês vão gostar,
hoje li o livro duas vezes seguidas,
você se prende no desejo de ver o final, a aventura te busca para dentro dela,te fazendo viver o acontecimento;
confesso, não sei como ficou tão maravilhoso, mas está.
Em 3/09/2009, às 00:24:36, Pedro Monteiro disse:

Severino Honorato,
Este é uma ciência:
Jamais tropeça na rima,
Poeta por excelência.
É como se Brecht falasse
Põe lume a luta de classe
Instigando a consciência.

Em 24/09/2009, às 12:06:37, KLÉVISSON VIANA disse:
*****

AO MESTRE ALBERTO PORFÍRIO
Autor: Klévisson Viana


Artista como Porfírio
Não nascerá mais nenhum
Com seu talento incomum
Tinha a pureza do lírio
Sofreu amor e martírio
Como todo menestrel
Mas sendo à arte fiel
Tinha talento de sobra
Morre o homem, fica a obra
Gravada em pedra e papel.

Lapidou versos na rocha
Fez esculturas nos versos
Rompeu vários universos
Empunhando a sua tocha
Como a flor que desabrocha
Seu estro de menestrel
Tinha a doçura do mel
Um gigante da palavra
Morre o homem fica a lavra
Gravada em pedra e papel.

Foi repentista inspirado
No verso foi professor
Seguiu sempre com amor
Tendo a viola de lado
Cantou bem, foi respeitado
Foi gigante do cordel
Ganhou palmas e laurel
No Nordeste em toda parte
Morre o homem fica a arte
Gravada em pedra e papel.

Vá em paz, meu bom poeta
Nessa nova caminhada
E lá na mansão sagrada
Onde a alma se completa
Jesus, o maior profeta
Lhe abrace com São Miguel...
E que o trono de Emanuel
Lhe dê amável acolhida
Morre o homem fica a vida
Gravada em pedra e papel.

Seja mais um passarinho
No pomar do Criador
Castro Alves, o Condor
Seguiu no mesmo caminho
Aderaldo, Canhotinho...
E todo bom menestrel
Que contemplando o vergel
Escreve para os ateus
Que o poeta é a voz de Deus
Gravada em pedra e papel.

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