
Postado por Bill em 29/08/2007 13:10
Astro City
São 19h00 duma sexta-feira. Acaba de tomar o banho. A roupa arrumada. Tênis com cadarço, novo, lavado, pronto pra usar. As meias enroladas, organizadamente, uma dentro de cada calçado.
A calça por baixo da camiseta, tudo dobrado, pronto pra ser vestido, pra ser calçado. Enfim, tudo ali no lugar.
Relógio de pulso, marcando cinco minutos à frente. Mas nem ajuda muito. Sempre no horário. Coloca mais um outro adereço, olha pro oficial, faz a última prece e sai. A bolsa já estava arrumada. Uma roupa pra cada ocasião, pra frio e pra calor.
Desce até o centro da cidade; nesse dia é vazio e mais calmo, entra no trem e vai sentado. Sem a blusa que está na bolsa, acaba sentindo frio. "Ar condicionado de sobra", pensa. "… Se fosse outro horário, seria melhor. Precisa de mais gente aqui, mas não muita. Está confortável…".
Sai de um e vai para o outro mais vazio e barulhento. O metrô parece que vai engolir o mundo, aqui ou no Japão, em Nova Iorque ou Moscou.
Pára uma estação antes pra ver as escrituras. Escondido, faz uma prece e volta novamente para a plataforma elevada, como é naquela região. "Ao menos aqui o telefone funciona…", pensa de novo. Esse dia pensou pouco, ficou quieto até lá dentro. Lá dentro Dele, com Ele.
22h06 no relógio de pulso. Geralmente olha 5 segundos e depois deixa de olhar.
Chega tranqüilo no lugar, pega os tíquetes, olha pra tudo ao redor, abre um largo sorriso, que fica estampado na cara por mais de dois minutos. O olho mareja quando olha pra cima. E ali ninguém percebe, todo mundo parece gente de fotografia, como se o obturador tivesse sempre aberto. Gente sem rosto com movimento constante.
Assente por dentro, meneia a cabeça em gesto afirmativo umas duas, três vezes, e sabe que aquela é a última vez que está vendo aquilo.
Goodbye Astro City! Pois é aqui que nos despedimos para sempre.
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