
Postado por Bill em 05/09/2007 10:32
Galleria degli Aura
Temendo que a crise da Alitalia a colocasse nos cemitérios de aviões, aproveitei a poupança que fiz durante alguns anos para viajar à Itália o mais rápido possível.
Quem já viajou de avião da Varig no Brasil e nos aviões da Pan Am nos Estados Unidos da América entendem o que quero dizer com isso; tão emblemático como comprar a primeira edição do Wolverine (que pra mim de garra nunca teve nada).
Na verdade não foi sacrifício nenhum: guardava lá entre 100 a 200 Dataris da República por mês, se bem que um tempo me empolguei tanto e poupava em quinzenas, mas ainda assim em doses bem homeopáticas, que não prejudicassem a vida, o cotidiano, afinal esta viagem não era um santo remédio.
Chegando lá alguns lugares na cabeça, meio sem saber como seria o roteiro, o que está perto disso, daquilo e assim vai. E isso significa gastar dinheiro sem pensar, mas todos sabem que viagem… viagem tem um pouco disso. A gente sempre faz umas bobagens, "…este dinheiro é reservado para meu erros…".
Fui em Roma, Modena, Milano, Caldogno, Travagliato, Bologna, Torino e Firenze.
Até então não havia visitado nenhum museu. E a hora era essa!
Entrei com câmera fotográfica na mão pronto pra disparar e dizer com aquilo que estive ali. E estranho, mas ninguém parecia turista e todos eram. E como ninguém queria tirar fotografia?
O guarda me olha e avisa que é proibido fazer fotografias de obras de arte pois o relâmpago a mais de 2000º C pode estragar os quadros.
Aquilo não fazia sentido algum. E se esses quadros foram pintados ao ar livre, en plein air, como fiquei sabendo tempos atrás, o Sol não conta neste caso? Que bobagem sem sentido.
Só que depois de um tempo você começa a reparar, reparar em algo que pouca gente se dá conta e isso não faz de ninguém privilegiado. Mas começou a fazer sentido a regra imposta de não tirar fotografia (mas podia tirar fotografia de fotografia).
Mas ali, nem eu, nem os demais turistas, nem o guarda nos demos conta de algo importante: o que importa é ali, só ali, naquele momento irrepetível. Se quiser ver (mesmo!) tem de voltar e toda fotografia resoluta do mundo não substitui isso.
A regra… a regra surgiu há mais de 70 anos atrás.
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