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mess around

Postado por jhey em 18/10/2009 20:11

Inglorious Basterds.
Não pretendo falar nada além de comentários que me passaram pela cabeça assistindo ao último filme do Tarantino, e tento reproduzir os meus pensamentos da maneira mais fidedigna possível.
Uma vez eu li algumas descrições de como eram os teatros gregos. Assim como existiu o teatro grego propriamente dito, a tragédia, que era direcionada aos que governavam a polis ou, em extrema ampliação do sentido, aos homens livres; também existiu o que se chama hoje de mimo, um teatro não só feito para o povo mas feito por ele, onde qualquer um poderia encenar uma cena da vida qualquer (não apenas assassinatos e desonras estarrecedoras).
A diferença entre os dois tipos de teatro, ao meu ver, se dava principalmente no modo como terminavam: na tragédia um lição tinha de ser dada no fim - o Estado tinha de ter escolhido algo bom para mostrar ao seu povo. No mimo nada era exigido, apenas uma trivialidade que não era capaz de ensinar nada além que a rotina já conseguia.
A tragédia era financiada pelos figurões.
O mimo era financiado pelo próprio público. (resumo meu)
O filme do Tarantino é uma tragédia - com perdão da palavra. E dentro do círculo trágico que desenhou ele quis colocar mímicos para atuar. Um Brad Pitt de queixo proeminente e humor digno da Família Buscapé, e um total desconhecido de unhas bem feitas (depois encontrei notas sobre ele no wikipédia - é um ator austríaco) tentando tornar as cenas perfeitas.
E para tentar concluir meu pensamento eu tento ressaltar as características trágicas desse cinema popular dos Bastardos Inglórios: os louros serão dados assim como eram dados no teatro grego, por figurões e suas estatuetas de ouro. E mesmo parecendo mímico o desenrolar todo do filme o que fica na nossa cabeça na saída da sala de cinema é a voz de uma judia judiada se vingando do Hitler em chamas: nada mais trágico!



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