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Viva de maneira simples, para simplesmente morrer.

Postado por Paulinho Bragadah em 12/04/2006 13:13

O Segredo do Morro do Urubu (por Castelo)
Reflexão da Semana:
UM ASTRONAUTA DO BRASIL É TÃO SURREAL
QUANTO UM ENGENHEIRO DO HAVAÍ (Castelo)

O segredo do Morro do Urubu

Foi há muito tempo no Morro do Urubu, região de boa aguada no Alto Itapecuru, próximo a Pastos Bons.

Zezão e Chico Macaxeira faziam parte do bando de Mandacaru e Maria Surra-Homem – um dos mais perigosos já vistos no ramo maranhense do cangaço nordestino.

Os dois foram mandados pelo chefe para o Morro a fim de pastorear uma carrada de jegues pertencentes à cambada.
Subiram lá com a tropa de muares, num calor de 42 graus, e por ali foram ficando até segunda ordem.

Na carga levavam 5 arrobas de carne-de-sol, farinha de puba, rapadura e duas metralhadoras Hot Kiss armadas até a tampa.

Durante semanas os jegues pastaram placidamente no que sobrara de vegetação. E, aqui ou ali, um dos cangaceiros matava uma cascavel ou uma caninana que vinha com más intenções para cima dos burrinhos.

O calor aumentava dia e noite, a falta do que fazer idem.

Numa tarde daquelas em que o solão é capaz de fritar um ovo por cima de uma trempe, Zezão e Chico Macaxeira foram se banhar na cachoeira dos Fortes.

Zezão arrancou os pentes de bala do peito, atirou o embornal e as perneiras para longe e se meteu debaixo da água gelada.

- Éguuuuua! Êita porra fria do cão!!!!

Chico ficou de fora, mirando calmamente o companheiro se refrescando. Ficou assim por um bom tempo, palitando-se com um espinho de cacto. Depois, de supetão, falou:

- Zezão, vou pegar em teus quartos…

O outro cangaceiro não ouvia nada, a água lhe caindo aos borbotões por cima do rosto barbado.

Chico Macaxeira foi entrando de roupa e tudo na queda d'água. E, sem cerimônia, pousou a mão ossuda e calejada bem na nádega do colega de criminalidade.

Zezão tirou a cabeça do jorro e, olhando fixamente para Chico Macaxeira, disse apenas:

- Oxe!

Pouco se sabe o que aconteceu entre esse dia na cachoeira e a criação do novo bando de Zezão e Chico Macaxeira.

O que se viu mais tarde - dito por volantes, coronéis locais e outros bandoleiros - foi o surgimento do primeiro grupamento pansexual do cangaço: o bando de Cabra Loura e Zé Qualira.

Conta-se que o novo grupo chegou a ter 60 membros e todos ficaram conhecidos como sendo “cabras vinte-e-quatro”.

Baitola, Pemba Frouxa, Mané Roscoff, Bicha-Ruim, Frescura, Joaquim Caralha, Zeca Furta-Macho e Prefumado infundiram pânico e terror por décadas nos cafundós.

Os matutos do Itapecuru lembram-se que a primeira investida foi contra os ex-chefes Mandacaru e Maria Surra-Homem: numa clara demonstração de força, poder e viadice.

Vestida com gibões cor-de-rosa, alpercartas púrpura e chapéus de couro de veado, a cangaceirama de Cabra Loura e Zé Qualira montou cuidadosamente a emboscada na calada da noite.

E, no dizer de um dos participantes do massacre, hoje um tiozinho entendido: “A-RRA-SOU o bando de Mandacaru!”.

Daí para frente a fama do bando se espalhou pelo sertão.

Há quem diga até que o casal chegou a tentar que Padim Padre Ciço, em pessoa, oficiasse sua união na matriz de Juazeiro do Norte.

Mas poucos dias antes do matrimônio, uns macacos - disfarçados de mascates vendedores de batons e colônias francesas - debelaram o que restava deles.

No enterro, Bicha-Ruim cantou e tocou nos sete baixos o tema favorito da lendária dupla:

“Não se deve amar sem ser amado
É melhor morrer crucificado
Deus nos livre das mulheres de hoje em dia
Desprezam o homem só por causa da orgia”.

www.castelorama.com.br



Comentários (2):

Em 13/04/2006, às 11:57:37, Brise! disse:
Poxa querido, belo texto!
Sera que por aqui vc le que eu to com saudade!!!!!!!!??????
Bjos
Em 16/04/2006, às 16:24:40, ju | página pessoal | e-mail disse:
vc escreve demais...
e eu já disse q odeio ler...
só vim mesmo deixar um bjo, gambá!
bju

ju
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