
Postado por Carolina em 27/02/2006 14:13
Naquela noite Íris não conseguiu adormecer cedo, e quando o conseguiu fazer teve pesadelos. Quando acordava dos pesadelos, com a testa coberta de suor, a cara cheia de lágrimas, João estava ao seu lado, bem desperto, mantendo uma distancia considerável, e cantava como um anjo, para ela voltar a adormecer.
E aquela noite muitas outras se seguiram, nas quais Íris já fingia pesadelos só para João se deitar ao seu lado, mexendo-lhe nos cabelos, cantando com os lábios bem perto dos seus ouvidos, num murmúrio…
E durante o dia ambos se desfaziam em sorrisos quase tímidos. Íris perdera a concentração nos estudos, perdera a vontade de obedecer cegamente à mãe. Sentia agora vontade de todas as noites provar o gosto da irreverência. Sentia agora vontade de experimentar loucuras.
Maria, a empregada, encobria Íris que era como se fosse uma filha para si. Guardava segredo sobre o perfume de homem que pairava no ar do quarto de Íris, do quarto todo desarrumado, das almofadas por todos os lados, da janela muitas vezes aberta.
E uma noite, que parecia não menos especial que as outras, Íris foi abrir a janela a João, para que ele entrasse como de habitual no seu quarto. João pegou-a ao colo, e naquele dia ele estava mais feliz que em todos os outros. Íris riu também perante tanta felicidade e deixou o João abraçá-la como nunca havia feito.
- Conheci a minha mãe, Íris! Descobri a minha mãe, por um simples acaso! E ela é tão parecida comigo…estou tão feliz.
- Se imaginasses como eu me sinto feliz por ti! Isso é tão bom João…
- Sabes o que me falta para ser feliz? – Perguntou ele perdendo o sorriso que tinha nos lábios e encostando Íris à parede, ficando esta com a cabeça ligeiramente acima da sua.
- Podias-me dizer. – Disse Íris acariciando-lhe a face com os dedos compridos, suaves e extremamente brancos.
- Queres mesmo saber?
- Sem duvida!
- Faltas-me tu!
- Mas eu estou aqui contigo.
- Não do modo que eu queria.
- Não do modo que ambos queríamos. – Corrigiu Íris inclinando a cabeça para o lado esquerdo.
- Eu não quero invadir o “teu espaço”.
- O meu espaço é o teu espaço! Não tenho nada a esconder-te e nada a negar-te.
E algo de mágico aconteceu…sem saber exactamente como descrever o que estava a sentir Íris deixou que João a beijasse, envolvendo o seu lábio inferior com ambos os seus lábios. E soube tão bem a magia do toque dos lábios. O primeiro beijo…O primeiro toque! Tudo tinha corrido de um modo tão diferente de como Íris o planeara, e por isso fora de facto mais especial. E era assim que Íris queria que tudo acontecesse na sua vida…com magia!
E assim foi, porque João mostrou ser um verdadeiro mágico! O mágico que nunca lhe escondia os truques…Foi ele que soube trazer magia às tardes chuvosas de um Inverno frio, tornando-as em sorrisos quentes, dos quais eram testemunhas os espelhos do sótão.
E parecia que finalmente a felicidade viera para ficar com Íris.
Um dia mais tarde orgulhou-se da sua adolescência e orgulhou-se da sua decisão. Vivia numa casa pequena, na Foz do Porto, com João e dois filhos gémeos, com os olhos azuis da mãe e caracóis claros do pai. Trabalhava numa clínica de apoio a toxicodependentes e João era engenheiro civil. Apesar de parecerem apenas mais uma família…sabiam que eram uma família especial…porque haviam lutado contra tudo e todos e o amor falara mais alto! Porque em qualquer batalha o amor deve sair vencedor.
...The end
Branca De Neve*
Comentários (1):
Em 28/02/2006, às 08:51:14,
InÊs Guedes
disse:
PARABENXX LINDAAAA =)=)=)=)=)
p.s.- aki a tua nês ja n gota dakele gaijo k nos sabmx xD era so pa saberes..dps dakeles teus sermões ate valeram a pena =P
drt mtttttt