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brincar de viver

Postado por Renata Franco em 31/07/2005 15:48

como entender o amor?
Como pode algo ser tão complexo quanto a nossa própria existência?Como o mesmo sentir pode nos levar ao céu e ao inferno, à felicidade plena e a dor profunda?Não se o porquê, mas gostei desse poema e resolvi postá-lo hoje.. talvez porque sempre amamos aquilo que nunca poderemos conhecer ou controlar, e por isso, essa infinita ambiguidade..

O nosso -Jorge Luis Borges

Amamos o que não conhecemos, o já perdido.
O bairro que já foi arredores
Os antigos que não nos decepcionaram mais
porque são mito e esplendor.
Os seis volumes de Schopenhauer que jamais terminamos de ler.
A saudade, não a leitura, da segunda parte do Quixote.
O oriente que, na verdade, não existe para o afegão, o persa ou o tártaro.
Os mais velhos com quem não conseguiríamos
conversar durante um quarto de hora.
As mutantes formas da memória, que está feita do esquecido.
Os idiomas que mal deciframos.
Um ou outro verso latino ou saxão que não é mais do que um hábito.
Os amigos que não podem faltar porque já morreram.
O ilimitado nome de Shakespeare.
A mulher que está a nosso lado e que é tão diversa.
O xadrez e a álgebra, que não sei.


Tradução de Cleber Teixeira, Walter Costa e Raúl Antelo



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