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CARIOCA DA GEMA

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Categoria: Bairros e Cidades
Postado por Tumminelli em 31/03/2009 12:38

PRISÃO DE MAURO GUERRA DE MELLO - Mangueira - 1953
Em tempos de "guerra" entre facções criminosas que espelham o terror na cidade, voltamos no tempo 56 anos e vemos que muita coisa não muda, guardando as devidas proporções, é claro.

O local era a favela da Mangueira e o marginal era Mauro Guerra de Mello, assassino, traficante, isso mesmo naquela época ja era traficante de drogas (maconha), viciado e cafetão, cometeu seu primeiro assassinato aos 16 anos, quando matou um poilicial com um tiro de .45 na boca quando esse lhe dava voz de prisão após a tentativa de roubar um carro. A partir dai não parou mais. Foi internado no antigo SAM (Serviço de Assistencia a Menores). Conseguiu fugir e depois durante um carnaval fez vários assaltos com sua turma de bandidos menores de idade. Seus crimes não paravam, assaltos, mais assassinatos.

Foi autor, com mais 20 menores de um assalto num botequim na Mangueira onde balearam um freguês e m,ataram o proprietário. Isso em julho de 53. A onda de ceimes dele e de seu grupo durou até setembro quando foi preso. Sempre assaltos com mortes.

Passou a se esconder em diversas favelas, como a Mangueira, Favela do Esqueleto (atual local da UERJ), Morro da Caixa D' Água e ouros locais.

A policia do Distrito Federal (Rio de Janeiro à época) começou a desbaratar a gangue de Mauro em agosto, chegando à sua prisão em 28 de setembro de 1953. Foi preso no Morro da Mangueira após ser vigiado pelo Detetive Perpétuo e sua turma durante cinco dias. No ato de sua prisão Mauro ainda tentou sacar de sua pistola calibre 45 mas Perpétuo (que era muito mais forte que o franzino Mauro) conseguiu evitar. O comparsa de Mauro, Manoel Augusto da Silva, o Gazinho, foi baleado na operação.

Mauro foi pra cadeia com apenas 19 anos de idade.

O que será que houve com ele dpois de sua prisão? Morreu? Cumpriu a totalidade da pena? Fugiu? Ficam as perguntas e quem sabe a internet, que transformou esse mundo num ovo pode nos dar respostas a essas perguntas via algum comentário ou mesmo e-mail.



>> repostagem editada, a partir da original feita em 23 de janeiro de 2006.



Comentários (32):

Em 31/03/2009, às 13:05:16, Silvio disse:

Boa tarde Tumminelli.

A julgar pelo histórico dele, descrito acima, é de se supor que tenha se "suicidado" alguns dias após a prisão.
Em 31/03/2009, às 13:15:36, Fábio André disse:
Hoje com o aumento da miséria multiplicaram-se as pessoas com a capacidade de eliminar seu semelhante por muito pouco.
Em 31/03/2009, às 13:25:06, Cristina Coutinho disse:
Como bem gosta de observar Luiz D', até o traficante do morro era mais bem vestido do que os de hoje.
Em 31/03/2009, às 13:32:17, Lavra disse:
Reconheci logo o Detetive Perpétuo. Era uma profissional respeitadíssimo por todos. Muito sério. Não me recordo a continuação dessa história.
Em 31/03/2009, às 13:34:34, Pgomes disse:
Maldsde e crueldade desses crápulas não são novidades.E só faz aumentar.
Em 31/03/2009, às 13:38:41, Luiz D´ | página pessoal disse:

Obrigado Cristina por adiantar parte de meu comentário.

Nenhuma arma à vista, bem ao contrário do que ocorre hoje em dia.
Em 31/03/2009, às 13:45:10, Lavra disse:
Mauro Guerra cumpriu a pena, arrumou emprego, casou, teve filhos e netos. Pelo que eu sei, é um simpático velhinho aposentado que mora em São Gonçalo.
Para ganhar autoridade nos bairros pobres, Perpétuo precisava ser bom, inteligente - e ter muita sorte. Nunca perdeu tempo prendendo pés-de-chinelo, distribuía balas para a criançada, arranjou emprego para dezenas de ex-presidiários, pessoalmente enviava comida e roupas a mães convertidas em viúvas por assassinos que Perpétuo não conseguira prender em tempo.
Era capaz de sacar sua 45 mais rápido do que qualquer bandido e tinha mira tão certeira que fazia criminosos se entregarem apenas por saberem que Perpétuo estava atrás deles. Por tantas vezes, as balas não o acertaram que parecia que isso nunca aconteceria. Uma vez, subiu ileso um morro, em meio a uma saraivada de tiros, e desceu trazendo dois pistoleiros pelo colarinho. Em outra ocasião, conseguiu prender um pistoleiro que descarregara o revólver disparando contra ele à queima-roupa.
Por um erro.
Há três semanas, a sorte de Perpétuo do “corpo-fechado” teve fim. Seu trágico destino iniciou quando um assassino condenado, Manuel Moreira, o “Cara-de-Cavalo”, conseguiu liberdade condicional “por um erro” e, assim que saiu da prisão, matou a tiros um grande companheiro de Perpétuo.
Furioso com a negligência burocrática que prontamente dera liberdade a Cara-de-Cavalo, Perpétuo largou tudo e foi atrás do assassino. Embora o restante da força policial nada conseguisse descobrir, Perpétuo encontrou uma boa pista após dois dias.
Enquanto aguardava Cara-de-Cavalo aparecer em uma birosca na Favela do Esqueleto, surgiram dois policiais de outro distrito. Ciumentos da fama de Perpétuo, iniciaram uma discussão sobre quem tinha autoridade naquela região e começaram uma briga. De repente, um deles puxou a arma, enquanto o outro segurava por trás os braços de Perpétuo. Assim, sem ter como se defender, Perpétuo do corpo-fechado, 51 anos, foi assassinado a tiros por outro poli
Em 31/03/2009, às 13:50:05, Lavrador disse:
Foi isso: Morto por outro policial com ciume de sua fama. Lembro da tristeza que se abateu sôbre sôbre a população.
Em 31/03/2009, às 14:11:08, Pgomes disse:
Assim como na política, a inveja e os ciúmes acabam desviando a real função de políticos e policias.
Em 31/03/2009, às 14:12:18, Pgomes disse:
Corrigindo: policiais
Em 31/03/2009, às 14:17:20, Derani | fotolog disse:

A fôrma de onde saiu Perpétuo foi quebrada e dela não sai mais ninguém igual...
Em 31/03/2009, às 14:23:57, Wagner Bahia disse:

Sem querer desviar o foco, exponho uma pergunta: o que fazia a PM na época?

Em 31/03/2009, às 14:25:32, Menezes disse:

Taí uma das coisas que o passado não deixa saudades.
Em 31/03/2009, às 14:26:31, Oswaldo Mendez disse:

Naquela época os pliciais subiam a favela de palató e gravata com um revolver na mão. Hoje sobem com coletes fuziz, muita munição e muitas outras armas, fora o apoio de helicopteros. E a população assistia a tudo de perto sem medo de represálias e de balas perdidas.
Em 31/03/2009, às 14:29:23, Oswaldo Mendez disse:
Correções:

policiais
fuzis
Em 31/03/2009, às 15:10:49, Lavra disse:
Na época a PM fazia o policiamento ostensivo, andando pelas ruas. Em dupla eram chamados Cosme e Damião. Ao que me lembro dava certo. Pelo menos, em lugares de mais movimento. Isto é uma explicação bem simplificada.
Em 31/03/2009, às 16:25:40, jose eduardo silveira | e-mail disse:
Depois da verdadeira "aula" que o Mestre Lavra deu para os menos informados no assunto como Eu , so fica a certeza de que naquela epoca ainda havia alguma "esperança" de mudança na area de segurança publica. A catastrofica realidade dos dias atuais mostra que a coisa descambou mais para a realidade padrão Capitão Nascimento do que os tempos outrora romanticos do Detetive Perpetuo. Observemos tambem na foto o detalhe de que apesar de ser uma area bem carente , todos os policiais estão de terno e gravata algo inimaginavel nos dias de hoje visto que andam via de regra de jeans e camisas mais simples.
Seria uma interessante homenagem caso algum Cineasta se propusesse a filmar a vida de uma pessoa digna como foi o Detetive Perpetuo , algo fora de moda nos dias atuais , infelizmente..............
Em 31/03/2009, às 16:35:41, NALU disse:
Fui aluna de um filho do detetive Perpétuo - o Prof. Fábio - e, por coincidência, na UERJ, onde fora a favela do Esqueleto.
Em 31/03/2009, às 18:21:38, Marcelo Almirante disse:
Por essas e outras prefiro o Rio de Janeiro da década de 1920.
Em 31/03/2009, às 19:24:52, Menezes disse:

É,a Mangueira ainda tinha poucos barracos ou melhor casas.
Em 31/03/2009, às 20:21:14, Senna disse:
Nessa época, o Morro da Mangueira tinha a 2ª. maior população em favelas do Rio.
O poder de fogo dos marginais de hoje é a principal diferença para aquela época. A redução da corrupção e do contrabando de armas seriam um bom começo para diminuir a violência.
Mas tem gente poderosa por trás desse tipo de contrabando e nunca se ouve falar na conclusão das investigações quando se apreende algum carregamento de armas e de munições, que aliás precisam de reposição de estoque com mais frequencia.
Em 31/03/2009, às 21:42:24, Nilton disse:
Naquela época os policiais eram divididos em 3 categorias, delegados, comissários e investigadores e todos, sem exceção só trabalhavam de terno e gravata e seu armamento consistia em um revólver calibre 38.

Quanto à marginalidade, havia os contraventores, que eram ligados ao jogo do bicho e os criminosos, geralmente assaltantes como os da foto. No caso dos ligados ao bicho, não havia uma resistência armada contra a polícia, mas sim a ameaça de denuncia dos policiais corruptos que eles tinham relacionados em um "gibi" para ser usado no momento conveniente..

Todo esse quadro mudou drasticamente na época da ditadura militar, quando os chamados presos comuns, quase sempre condenados por crimes banais, eram colocados juntos com presos políticos. O resultado dessa convivência se observa até hoje, com formação de facções, financiamento de armas pesadas pelo próprio crime, táticas de guerrilha, etc. E do lado policial a influência daquele regime também influenciou na criação dos grupos justiceiros, tipo esquadrão da morte, homens de ouro, grupos de extermínio e outros e, mais recentemente nas milícias.

Todos esses ingredientes não poderiam resultar em outra coisa que não fosse a guerra urbana que vivemos hoje
Em 31/03/2009, às 21:47:11, Tumminelli | fotolog disse:

Quero agradecer a todos os coemntaristas pelas excelentes contribuições na postagem de hoje.

Abs a todos

:-)
Em 1/04/2009, às 00:50:28, Romulo Figueiredo disse:
Com referência ao "post" de Nilton,
só pode ser desconhecimento - ou brincadeira - querer justificar o descontrole da criminalidade a prisões políticas geradaas pelos governos militares, quando é sabido que Brizolla na sua primeira gestão fez acordo com os bicheiros, liberando o controle total dos morros pelo tráfico e o aumento incontrolado da criminalidade no seu segundo e lastimável (des)governo.
Em 1/04/2009, às 12:24:05, Hélio D. Fonseca disse:
Acho que tanto o Nilton quanto Romulo Figuiredo(será parente do expresidente?)têm razão. Os militares confinaram subversivos com marginais comuns de alta periculosidade na Ilha grande, onde os primeiros ensinaram táticas de guerrilha aos outrs, que passaram a se organizar e criaram a primeira organização do crime: a Falange Vermelha. Já o Brizola, demagogicamente, deu liberdade total aos bandidos cerceando o direito institucional da P.M. de combater o crime, impedindo-a de subir os morros. E hoje estamos pagando por esses erros de ambas as partes!
Em 1/04/2009, às 12:42:31, Tumminelli disse:

Brizola foi um câncer no estado do Rio, que deixa sequelas até hoje:

Cesar Maia
O Casal Garotinho
Sergio Cabral
Em 1/04/2009, às 12:42:56, Nilton disse:
Romulo,
Concordo que o governo Brisola foi um dos mais corruptos que se tem notícia, o cerceamento da P.M. de combater o crime, visava a centralização do suborno na alta cúpula.

O que eu disse é que mil vezes lidar com bicheiros do que com essa estrutura criminosa organizada de hoje.

Como o assunto é extenso, vou citar só o exemplo do PCC e do Comando Vermelho, que tem como "pai" um padre portugues, ativo militante comunista e que peregrinou por 16 prisões pelo país difundindo seus ideais. A seguir palavras do próprio:

"Tenho poder de organização. Organizo grupos por onde ando. Fiz isso em todas as prisões por onde passei. Não me arrependo. Perguntem à polícia por que um grupo de malfeitores se apoderou na cadeia dos princípios da organização dos presos políticos. Primeiro, nos misturaram alegando que ambos assaltávamos bancos. Depois, mataram na cadeia todas as lideranças entre os presos comuns, os que estudaram conosco. Pensavam com isso desmantelar o CV ou o PCC. Mas deixaram os bandidos, a cadeia entregue à bicharada, unida à polícia corrompida."

Dá até para sentir saudades dos males do jogo do bicho, assim como se sente saudades da gonorréia em tempos de AIDS.
Em 1/04/2009, às 17:41:01, ALEX disse:
Tempo da brilhantina.
Tempo de madame Satã..
Tempo da navalha.
A melhor defesa contra a navalha, era a camisa de ceda de manga comprida.
Tempo da gonorréia. Eu peguei três vezes.
tempo dos bons 'malandros'
Tempo da 'maconha'
Em 22/04/2009, às 19:21:15, LuizT disse:
Hoje nenhum desses clássicos detetives - de paletó e gravata - sairiam vivos dessa batida policial. Aliás, nem lá vão, caso contrário irão comer grama pela raiz.
Em 23/04/2009, às 04:30:29, Fábio Freitas | página pessoal | e-mail disse:
Agradeço por terem reproduzido aqui parte do texto que publiquei em meu blog "Mais que coisa". É a tradução que fiz da matéria que saiu na Revista Time logo após a morte do meu pai.

Um abraço a todos, especialmente para a Nalu,
Fábio Freitas

Em 17/05/2009, às 12:13:31, taciana brito | e-mail disse:
mas que coisa ñ!!!!!
Em 27/06/2009, às 21:38:46, valter jose dos santos | e-mail disse:
mauro guerra , um homem que errou,mais pagou pelo seu erro, pode fazer muita coisa boa tambem ,sua velhice foi pra ajudar muita gente ,ficou vivo ate seus 70 anos,em porto seguro ,saudade eterna . hoje deveria ter outros perpetuo ,com certeza muitas coisas seriam diferentes
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