HISTÓRIAS DA REDONDA, DA GORDUCHINHA, DO ESFÉRICO, DO BALÃO... ENFIM, DO CAROÇO

Postado por Caroço em 07/08/2006 12:25
Carta Aberta ao Torcedor
Por Maurício Capela,
Ando meio de bode depois da Copa do Mundo. Tudo bem, tudo bem que meu time não ajuda nada, mas olha que eu ando meio de bode. Também vejamos, você já viu o nível do nosso certame. Se tirarmos o São Paulo e o Internacional, o que sobra? Sinceramente, não sobra nada. Melhor. Quase nada.
O Corinthians anda uma bagunça. O Santos se esforça e só. O Palmeiras vive tempos de recuperação e o Fluminense ameaça se afundar em uma crise daquelas. Flamengo, Vasco, Grêmio, honestamente, não passam de meros figurantes. Um absurdo!
Acho que em termos de estrela, de atratividade, o Brasileiro versão 2006 é um dos piores da história. Nada parece bom. Nada. Carlitos Tevez, por exemplo, está louquinho para ter visto no seu passaporte em direção a algum lugar. Não importa aqui se é Londres, Madri, Barcelona ou Berlim, o craque alvinegro está louco para sumir da pressão do Parque São Jorge.
Tudo bem, tudo bem que o São Paulo tem confirmado o seu jeito vencedor de administrar futebol nos últimos anos. É fato. Mas mesmo o sucesso do Tricolor, que já foi alvo de análise minha, também não considero ideal. Sim, porque não é possível que um time tão organizado como os “engomadinhos do Morumbi” não sejam capazes de contratar jogador de primeira. Não é possível.
Para mim, esta é a prova cabal de que o futebol brasileiro está falido. O modelo precisa ser urgentemente revisto, porque não é só a força do dinheiro que explica o maciço êxodo em direção à Europa. Não. É simplista demais. É maior que isso. Até porque tenho a leve impressão de que mesmo que um investidor despejasse um rio de dólares por aqui nada mudaria o curso das águas. Falta é projeto no futebol brasileiro.
Muito dessa afirmação se apóia no óbvio. Até porque não é possível que o melhor jogador do Flamengo hoje seja, com todo respeito, Jônatas. Também não dá que o craque do São Paulo seja Rogério Ceni, com todos os méritos que ele tem. Edmundo, já na casa dos 30 e muitos, também não pode ser a única referência do Palmeiras.
É bom que se diga que Jônatas, Edmundo e Ceni são excelentes. Não há nada de errado neles. Mas é que isso me dá a exata impressão de que o futebol brasileiro virou cemitério de elefantes, expressão muito usada na década de 80 para definir jogadores em fim de carreira que resolviam jogar em clubes do interior para fechar o ciclo.
Então, fica fácil entender minha bronca. Para mim, é o fim da picada imaginar que Flamengo, Vasco, Corinthians, Palmeiras, Santos tenham virado “clubes pequenos” de Juventus, Milan, Barcelona e Real Madrid. Não dá para aceitar que assumam condição de formadores de jogadores e receptores de atletas em fim de carreira. Não, não dá. Algo precisa ser feito e já!
Comentários (1):
Em 7/08/2006, às 14:04:25,
Alberto Júnior
disse:
Maurício, está perfeito o seu texto. Somente a justificativa de que as economias da Europa são maiores que a do Brasil é pouco pra explicar as mazelas do futebol canarinho. A falta de um projeto é clara, embora com a maioria dos cartolas que temos é díficil acreditar que muitos queiram mudar a bagunça do nosso combalido futebol. Infelizmente, creio que teremos ficar pagando TV a cabo para ver os melhores jogadores brasileiros na Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, França, Portugal, Rússia, Ucrânia, Coréia do Sul, Japão,...