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Menina dos olhos

Postado por Carol Lapolli em 22/02/2008 09:55


Acalenta a noite fria, vem, me invade, me guia, me anuncia ao teu mundo desvairado.
E num pedido de amor equivocado, faz tudo aquilo que você sempre temia.

Se entregue! E se tiver coragem, olhe para mim e negue que sou aquilo que mais te atormenta. Que te faço sentir um amor que não agüentas, que te faço desejar a vida eterna.

Para que eu te prenda sempre em minhas pernas,
Para que meus beijos sorvam o fel da tua boca,
Para que você chame de louca, esta que te ama sem limites.

E você seguirá, bebendo em goles amargos os piores palpites de quem não me conhece.
E novamente, outro dia amanhece com você embriagado pelo teor alcoólico e melancólico de um amor alucinado.

E tentas outra vez enganar teu pobre coração, dissimulando toda esta paixão, que carregas em teu peito machucado por um passado dissecado por teus vultos.
Mas a lembrança do meu cheiro te fere como a dor de um machado que transforma em alimento ao fogo a árvore que já não produz frutos.

Sabemos que diferente jamais seria
Que indiferente jamais seguiríamos após aquela prece que fizemos por nosso amor eterno. Minha pele branca, meu vestido sujo, seu sapato bem lustrado, um chapéu, o melhor terno, um momento equivocado.

Nossos corpos testemunhas solitárias da escolha mais arbitrária do amor mais desmedido.
E mesmo que os infortúnios da vida, mesmo que teus amigos, tuas mulheres, minha bebida destruam o que nos resta de inocente, restará ainda uma semente.

Nosso amor em meu ventre. Corpo sadio, fruto de duas almas doentes.


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*já musicada! :o)
bom fim de semana...



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