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Menina dos olhos

Postado por Carol Lapolli em 22/02/2006 13:57

...
Confesso a você...houve um tempo em que sentir era mais fácil. Tempo em que eu construía sonhos e castelos de areia, com a facilidade de quem monta um quebra-cabeças de 12 peças.

Neste tempo os sentimentos chegavam antes, como um furacão, derrubando minhas estruturas levitantes, que não encontravam nenhuma ligação ao solo. Eu não tinha medo das incertezas.

Eu flutuava, bailava na vida. Sem medos, sem regras ou pensamentos. Mergulhava de cabeça, sem verificar se haviam pedras no rio, se as águas eram turvas ou límpidas ou se haveria uma queda, um precipício de onde eu fatalmente despencaria.

Hoje molho os pés primeiro. Construo meus planos e meu castelo tijolo por tijolo. Estou aprendendo tudo novamente, como se a vida tivesse me dado lições em branco. Sou eu a arquiteta dos meus caminhos. Carrego sobre mim este fardo e esta responsabilidade.

A vida me tornou forte, colocou em minha boca um gosto de fel. Roubou minha inocência, mas não minha alma. Me fez perceber que existem momentos em que devo me entregar, e outros em que devo me preservar.

Ainda estou aprendendo a encontrar um meio termo. Ainda estou aprendendo a não me sentir perdida, a não me sentir perdendo. Ainda me assusto com as constatações do que sinto. Ainda me incomodo com o meu pé atrás, com o meu medo, com o meu ainda.

Sou tua neste momento, e de mais ninguém. Mesmo que os vultos do passado me façam por vezes, ter medo de ti e do sentimento inesperado. Olho em teus olhos, cor de esperança, e por vezes quero fugir de mim mesma, que vejo refletida, presa em tuas retinas.

Mas é quando me afasto de ti que percebo a força dos meus braços me pedindo que eu permaneça em ti.

E volto, mais uma vez...feliz e confusa para dentro de ti. É quando consigo enxergar um pouco do que já fui e que perdi. Do que temo não encontrar novamente.

Espero que me compreendas pacientemente....espero que consiga te fazer me sentir nas entrelinhas de tudo o que escrevo, faço e sou.



Comentários (2):

Em 22/02/2006, às 15:09:16, andré disse:
sinto este belo furacão balançar minha estrutura...

...me deixando leve......me levando ao céu.

te agradeço por fazer parte da minha vida.





Em 22/02/2006, às 15:28:09, Maiara disse:
Não sei explicar como pode uma coisa dessas, Carol! Lí teu texto e fui absorvendo cada palavra como se tivesse precisando delas! De muitas maneiras, teu texto me coube... E é assim cada vez que te leio, porque você define por mim minhas angústias e anseios cravados aqui dentro... Te leio e me conheço! É cada vez melhor!

Beijo no seu coração! E toda minha admiração!
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