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Cartuns de Campinas

Postado por Bira Dantas em 11/02/2006 11:56

O SESC BONFIM, ONDE ERA O ANTIGO HIPÓDROMO
Texto por Flávio
“Era uma tarde ensolarada de quinta-feira, quando recebi a visita de Paulo de Tarso (editor do Meu Jornal Campinas), Evandro M. Ceneviva (gerente do Sesc), Herconides M. Oliveira Filho (coordenador do Sesc) e o cartunista Bira Dantas. Passamos cerca de duas horas conversando gostosamente! Lembrei de meu mandato à frente do Sesc (1967/1971), época em que construímos a sede do Bonfim (acima representada pelos traços do Bira) e que marcava a separação entre SESC e SENAC. Naquele tempo era difícil alugar quadra em Campinas. As poucas que haviam eram alugadas por um ano inteiro. Estávamos restritos a uma sala na r. Gal. Osório. A sede da r. José Paulino era pequena e não dava para ampliar...
A administração do SESC optou pela construção da sede nova, pois identificávamos as prioridades de uma cidade em franco crescimento como Campinas. Fizemos muitos contatos e parcerias, com os quais definimos áreas e interesses da comunidade. O local tinha que ser grande. Na época, o Dr. Basílio (do Sesc) tinha o desejo de construir num rincão onde era o Hipódromo. Apesar de próximo ao Bonfim e V. Industrial, era um pedaço sem muita expressão da cidade e apareceram uns sujeitos que diziam: -“Dr. aqui está muito longe da cidade!” E ele respondia: -“Você está enxergando Campinas de agora. Temos que enxergar Campinas do futuro!”
Quando terminamos a construção, já tinha edifícios em volta. Começamos com os associados do Sindicato do Comércio. Isso cresceu tanto que vinha gente de todos bairros da cidade. Além de piscinas térmicas, tínhamos o ginásio poli-esportivo!
Nesse tempo, o Sesc levava 10 anos pra construir uma unidade. Agora, constrói 4 ou 5 ao mesmo tempo, em 3 anos.
Os moradores adoraram a vinda do Sesc, que já tinha muitos associados de muitos sindicatos. Nós fazíamos muitos torneios que movimentavam todo o pessoal. A aceitação foi total. Éramos muito solicitados para sediar festas e eventos cívicos. Houve muita mobilização do Sesc nos bairros, o que aumentou a nossa visibilidade e a aprovação pela comunidade. Investimos muito na área cultural. Naquela época, Campinas estava sem teatro, o Sesc tinha, e era colocado à disposição de toda população. Resolvemos fazer bailes abertos à comunidade, no Jardim Carlos Gomes. Durante vários anos fizemos até Carnaval, que era muito concorrido. Senhoras bonitas, senhores, jovens e crianças se esbaldavam, mesmo com aquele calor do sol da quatro da tarde. Na Praça tocava um conjunto muito bom, com veteranos do nosso grupo. As senhoras vinham de longo, passar a tarde com seus maridos e as crianças em atividades esportivas, jogando damas, xadrez e dominó.
Quando a Prefeitura percebeu que estávamos funcionando a todo vapor, passou a dar mais valor a esta região da cidade, cuidando da infra-estrutura, e assim, ajudamos na expansão dos bairros e da cidade, promovendo uma incrível inter-Bairros.
O Sesc passou a ser ponto de referência, tratando, com excelência, os temas ligados à Terceira Idade. A Universidade da Terceira Idade foi inspirada na nossa Escola Aberta para Idosos. Em 1963, José Papa Jr era o presidente e foi, com alguns conselheiros, aos EUA verificar esse trabalho lá. Estive em muitos congressos e logo me filiei à Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Montamos o Grupo de Estudos da Terceira Idade e o Jornal Nacional reportou a inauguração da Escola.
Isso tudo nos deu muita satisfação. Há 30 anos a presença do Sesc vem sendo solicitada para parcerias por clubes e entidades ligadas à educação e cultura. A importância do Sesc extrapolou a da sua diretoria e tomou a instituição como um todo. Tenho orgulho de dizer que o Sesc fez tudo isso e a gente estava lá (de 1963 a 1971), participando desse crescimento. Foi uma revolução. O Sesc de São Paulo fez o Sesc nacional despertar! E a população de Campinas não precisava mais se deslocar para ter acesso à gama de talentos que nós oferecíamos. Estava tudo aqui.



Comentários (3):

Em 11/02/2006, às 11:57:45, Bira Dantas | fotolog disse:
Antigamente se falava em comunidade, hoje falamos em Cidadania. Fizemos parte de uma fabulosa campanha por cidadania, com bibliotecas móveis, cursos profissionalizantes, teatro infantil, dia internacional da mulher. A gente não tinha fim de semana. Os eventos eram organizados por nós mesmos, com ajuda de umas meninas, estagiárias de Serviço Social. Mas o meu grande suporte veio de minha esposa Célia, uma companheira formidável e sempre presente. É uma maravilha saber que o Sesc esteve (e está) tão presente na vida das pessoas. Este festival de Blues recente, oferecido gratuitamente ao povo de Campinas mostra um novo padrão, com conforto, som agradável. E o festival de gaita do Sesc Pompéia, que faz a pessoa se apaixonar por um instrumento fascinante?
Mas o mais impressionante foi nosso Concurso de Pipas com medalhas e prêmios para adultos e crianças. Dava uma alegria ver aquele céu coalhado de pipas, que gostosamente faziam nossa imaginação voar.”

Flávio além de ter sido o primeiro gerente do Sesc Campinas, é advogado, sociólogo e gerontólogo.
Em 11/02/2006, às 21:11:22, José Emilio | fotolog disse:
Olá, Bira Dantas.
Você é uma pessoa que eu considero muito, gosto dos seus desenhos, são geniais, mas, o quê quer dizer sulfitão?? De qualquer maneira acho você um gênio em ilustração. (sem puxar e nem encher a bola) Obrigado pela visita. A ilustração acima está ótima. J.E. :)
Em 11/02/2006, às 22:12:45, Nei Lima | fotolog disse:
Tem razão, Birão!
Eu devia ter posto a frase num balão saindo do "boca-mole".
Falha nostra!
Acho muito legal essas panorâmicas que você faz! GENIAL!
PARABÉNS!
Abração!
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