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Cartuns de Campinas

Postado por Bira Dantas em 10/03/2006 11:58

CLUBE REGATAS, NO CAMBUÍ.
TEXTO: http://www.fotolog.net/sandraporto
“Conheci o Bira pelos seus trabalhos na net e ele conheceu os meus textos também por lá. A idéia de uma parceria aconteceu há algum tempo atrás só conseguindo ser concretizada através do convite que ele me fez para escrever sobre o Clube Regatas no Cambuí, ao qual aceitei prontamente. Esta foi uma experiência nova e difícil para mim, carioca que sou, não conhecendo Campinas e nem o seu cotidiano. Espero ter honrado esta oportunidade a mim oferecida por este excelente cartunista, com uma crônica leve e agradável, que possa exprimir um pouco do carinho que este amigo virtual tem por sua cidade. A propósito, me chamo Sandra Porto, tenho por profissão a Psicologia e por ambição a Literatura. Vivo em Niterói, tenho dois filhos, alguns mais que se dizem filhos do coração e três netos. O resto é contação de histórias...

NO VERMELHINHO.
O dia estava apropriado para o lazer. O sol pedia um banho frio para acalmar o calor escaldante daquele domingo preguiçoso. Ela resolveu juntar a família e ir ao seu clube preferido, atendendo ao apelo do verão. E assim foi feito.
Entrou despreocupada em seu biquini da cor do clube – afinal de contas todos o chamavam carinhosamente de “O Vermelhinho” – e não seria ela a fazer uma desfeita tamanha em colocar algo tipo preto ou branco ou outra cor que não demonstrasse sua gratidão pela existência daquele antigo e abençoado local. Chegou sorridente enquanto a menina levada corria para a água, ávida como toda criança pelas brincadeiras que a grande piscina azul prometia. Não se preocupava com nada ali, embora fosse uma mãe zelosa. Sentia-se em casa. Conhecia todas as pessoas que ali freqüentavam, a história daquele lugar e de seus fundadores a quem admirava e que se misturava com a construção daquela cidade e de seus arredores. Verdade seja dita, não compreendia muito bem algumas coisas. Talvez porque estas fossem incompreensíveis, ou mal-contadas ou mesmo bizarras.
Uma das coisas que a intrigava era aquela reprodução do David de Michelangelo, com uma folha de parreira tapando a inovação da arte da época, ou seja, a nudez nua e crua. Ouvira falar que aquilo fora obra da pressão do clero local, que havia proibido a ostentação da pujante imagem, coisa que não seria compatível, talvez, com a reputação do tão famoso rei bíblico. Sabe como são as más-línguas... Ou, quem sabe, eles poderiam ter confundido David com Adão, e daí a folha faria um pouco mais de sentido. De qualquer forma, ficava feliz em ter escapado desta época estranha, pois o que seria dela, ingênua e desconhecida, se a vissem entrar naquele minúsculo traje de banho, ainda por cima vermelho? A fogueira seria pouco diante de tal ousadia.
Abandonou tais pensamentos já que tinha certeza que este mistério nunca seria bem desvendado. Resolveu curtir o dia, já que este fora o objetivo a que se propusera. Deu uma olhada ao redor e viu a criança dentro da piscina, brincando e rindo, como se para a água tivesse nascido. Sentou-se numa mesa próxima ao bar do clube, onde sua cara-metade estava a desenhar freneticamente alguma coisa. Outra das coisas que não entendia direito. Mas com isto, já estava acostumada. Estranho por estranho, preferia gastar seus neurônios tentando explicar a folha de parreira de David (ou de Adão?).
Esparramou-se na cadeira confortável. Colocou uns óculos escuros e, fechou os olhos. Não sabe por quanto tempo ficou neste estado de relaxamento. Sentiu de repente que alguma coisa estava errada, como se um alerta fosse ligado sem seu consentimento. Resolveu abrir lentamente os olhos. Foi então que viu aquela criatura tão indesejada indo em sua direção. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo. Uma abelha! Ou melhor, uma meia-abelha. Meia abelha? Não existe uma meia-abelha, pensou. Achou que estivesse relaxado tanto a ponto de não conseguir entender o que estava se passando.(continua....)



Comentários (3):

Em 10/03/2006, às 12:00:59, Bira Dantas | fotolog disse:
(continuação)
Fechou de novo os olhos e os abriu logo a seguir. Sim, era uma meia-abelha, desenvolvendo-se para a sua totalidade, ou seja, tornar-se uma abelha inteira. Sua respiração se alterou, pois odiava abelhas, bem o sabia seu concentrado e quieto companheiro ali do lado. Muito concentrado, muito quieto, muito suspeito.
Olhou disfarçadamente para o desenho, já quase concluído. Para terminar, só faltava a metade do corpo de uma abelha...

XVII SALÃO CARIOCA DE HUMOR
Centro Cultural dos Correios, r. Visconde de Itaboraí, 20. Expo dos selecionados, Ao mestre com humor, Cartunistas da América Latina, lançamento do livro “Antologia do Pasquim (1969/71)”.

GIAN DANTON E “ENCANTARIAS: LENDAS DA NOITE”
http://www.burburinho.com/20060305.html
Em 10/03/2006, às 16:08:18, reginaldo | fotolog disse:
Bira vc não existe,tinha ceteza que pelo profissional que vc é o rascunho que eu vi do clube já era show de bola e o trabalho final ficou perfeito gostei muito das cores que estaw geniais e da crônica da sua amiga sandra parabéns meu amigo estou conhecendo campinas através do seu folg.
um abração e sucesso pra vc!!!!!
Em 9/04/2006, às 19:10:32, José Emilio | fotolog disse:
Olá, Bira.
Você é o profissional, mostra e dá a dica do que é capaz, incomum em outros profissionais da área, detalhes sem par para quem sabe analisar e desenhar, mas, vejo que anda sumido, mostre do que é capaz para os amigos, nem que seja só um, será sempre exaltado com a riqueza de traços que tem. (sem puxar) Do amigo. J.E. :)
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