
Postado por Chérie em 14/01/2010 02:47
mais um anjo que se vai...
Ninguém sabe exatamente qual era a idade dele. Não sabemos se foi em 93, ou quem sabe em 95, que fomos naquela casa daquela moça que estava doando gatos. E então fomos todos lá escolher o nosso. E dentre tantos gatos lindos e perfeitos vimos um pequenino muito falante, mas ele tinha a ponta do rabo tortinha! E dissemos: "é esse!” e o Confa virou nosso gato.
Confucius, esse era o nome escolhido para o novo felino da casa, o pequeno siamês de rabo torto.
O bichinho era falante, meu Deus!! Todos esses anos que passaram, ele nunca deixou de ser o mesmo gato desconfiado, medroso, pidão e comilão.
Viveu muitos anos, e como dizem os meus irmãos, enterrou mil gatos que tivemos! A cada vez que chegava um felino novo na casa, ora recolhido da rua, ora encontrado no motor do carro (o Gambi!), vinha a crise de ciúmes e de medinho: dias passados embaixo da cama, circulando apenas de noite quando ninguém estava desperto e o novo morador, escondidinho em uma caixinha.
Ele era parte da quadrilha felina composta também pelo Gambi (preto e branco, o primeiro a falecer), o Mortadela (que quem acompanha este blog conhece a história), e o Porpeta (que continua firme, forte e gordo). Levávamos a trupe para a praia em duas caixinhas de transporte de gatos, cada uma com dois gatos, e o Confa sempre dava as suas miadas, para reclamar do parceiro ou das curvas da serra de Ubatuba.
Hoje pela manhã a minha mãe me ligou para me dizer que achava que tinha chegado a hora do Confa. Apesar de todas as tentativas de dar comida e colo, ele recusava tudo. Bem ele que era o maior pidão de todos, e não podia ver alguém comendo que vinha correndo! Frios, frango, carne, frango a passarinho, biscoito de polvilho...tudo!
O nosso Confa já não queria colo, se enfiou no armário, ou embaixo da cama...já dava sinais de que era a hora, e então a minha mãe disse : Ché, tô te ligando para que vc se conecte no Skype hj a noite, pra se despedir do Confa.
Meu mundo caiu. Eu tão longe aqui, sem poder fazer nada. Sem poder dar um último beijo, que na verdade eu dei quando fui embora do Br em novembro, pq eu sabia que seria a última vez.
E foi assim. Agora à noite o vi por Skype, meus irmãos estavam lá, agachados embaixo da cama, procurando dar um carinho, uma comidinha. E colocaram-no em cima da cama para que eu pudesse vê-lo uma vez mais e eu não sabia -ou sabia?- que seria a última.
1 hora depois, meu telefone toca, e minha mão diz: "Acabou, Ché, ele já foi. Deu 3 suspiros e foi.".
Passei o dia inteiro em casa entre lágrimas, negação, aceitação, choro, sonho. Compartilhei esse dia com meus pensamentos, pq de alguma maneira sei que não são todas as pessoas que entendem o amor que vc tem pelos animais. E a última coisa que eu precisava neste momento era ouvir de alguém algo do tipo "Não fica assim, Michelle, é apenas um gato." Apenas um gato? Era um serzinho que deu mais de 15 anos de sua existência a uma família, passou 90% de sua vida em um apartamento, e ainda assim ronronava para dizer que "tá tudo bem, eu tb amo vcs!"
Passei o dia inteiro pensando em escrever um post para ele aqui, desejando melhoras..melhoras para algo inevitável. No final, deixo aqui essas palavras regadas de amor por mais esse bichano querido que nos abandona e que se junta ao anjinho Mortadela e ao pequeno Gambi naquele lugar tão desconhecido para nós, o céu...que não é o céu dos gatos, não. É simplesmente o céu. Pq todos nós vamos para o mesmo lugar. Independentemente da forma que a nossa alma tenha tomado durante nossa permanência na Terra, nestes nossos corpos terrestres e tão descartáveis.
E, quando chegar a minha vez, eu não tenho a menor dúvida, é com eles que eu vou estar.
Vai com Deus meu pequenino valente, felino inteligente, meu pedacinho de gente. Vai que o Mortadela e o Gambi cuidam de você.
[Ché]
Comentários (1):
Em 16/01/2010, às 10:09:46,
Simone Novato
|
página pessoal
|
e-mail
disse:
Tu escreveu algo to lindo pra mim no meu blog e eu vim aqui retribuir mas nem sei como. Acho que nessas horas palavras não bastam, queria estar perto pra te confortar (o minimo possivel, eu sei) com aquele meu abraço cheio... tao silencioso mas que transmite tantas coisas... só as coisas boas que sinto por vc.
Tenta ficar bem e tenha certeza que seu ano não será como colocou no twitter, será um ano melhor. Pelo menos isso é o que desejo pra ti.
Bjo querida !