Terra Terra Fotolog
[CUIDADO...][INFLAMÁVEL]

Postado por Chérie em 11/02/2009 01:40

Um pouco sobre o mar, a nostalgia e o grande irmão (ou será a grande irmã?)
Acabo de assistir a um documentário sobre o Queen Mary II, e como qualquer documentário sobre navios, fico hipnotizada pela lindas imagens exibidas por aquela caixinha chamada televisão.

Por muito tempo o Queen Mary foi considerado o maior navio do mundo, até a chegada do meu Freedom of The Seas...meu Freedom, chega a ser irônica esta referência...na verdade, todas as palavras, independente de sua ordem na frase, são irônicas.

Nesse gigante navio transatlântico (e também no não tão grande Splendour) enlouqueci, chorei, surtei, gritei e, vigiada 24 horas, repensei a vida, dias e dias a fio.
Mas, como tudo na vida, o tempo passa, e a gente esquece das coisas ruins, e ficam apenas as recordações boas.

Embarcada conheci a grandes amigos e ao meu grande amor, chorei de alegria, dormi o sono dos deuses nas poucas horas disponíveis que tinha. Dava valor a cada minutos de folga, a cada momento com meus amigos, a cada noite na cabine que eu dividia com o Juan, a cada mergulho no mar azul-turquesa do Caribe.
Chorei ao meu despedir de passageiros maravilhosos, ao ver as lágrimas correrem pelos seus rostos no nosso último abraço, abraço esse sempre acompanhado de um convite para visitá-los em algum lugar do mundo. Chorei também de raiva dos passageiros que me tratavam mal, e de alguns chefes carrascos e sem educação, que faziam da minha vida um pequeno inferno.

A bordo do Freedom e do Splendour, viajei o mundo, vi inumeras vezes 'o pôr do sol' mais belo de todos. Sentia a brisa do mar batendo no meu rosto.

Da praia, em momentos de folga, me pegava admirando-os ao longe, ora com desgosto por ter de voltar ao trabalho sofrido, ora com fascinação por não acreditar que aquilo era a minha casa, que me levava para todos os cantos do mundo.
E ao voltar, sofria novamente com aquele trabalho tão esgotador que, ao longo de 2 longos contratos de 6 meses cada, exauriu as minhas forças, e me mudou para sempre.

Esses dois contratos, divisores de águas em minha vida, deixaram para trás grande parte de mim, e me mudaram de maneira indescritível.
'Elas' fazem parte de mim! Sim, pq por maiores que sejam esses transatlânticos, eles nada mais são que senhoras desbravadoras de mares, verdadeiras ladies de aço, carinhosamente chamadas de "she"("ela").

As vezes penso...e sonho...e repenso, será possível que eu realmente morei dentro de um navio? E nós não nos damos conta do quanto aquilo nos marcou até reencontrá-las em algum porto, como aconteceu em Santos há 10 dias atrás. Ali estava ela, Splendour of the Seas, a pequena notável, que cruzou o atlântico e me trouxe de volta sã e salva à terrinha. Não esperava o encontro e à primeira vista não contive as lágrimas.
Será possível? Como pode alguém se emocionar ao reencontrar aquele navio no qual foi tão infeliz?
Não tenho resposta. É como eu disse à minha mãe: "É muito dificil ver algo que se ama, e não poder ter aquilo para você."

Parafraseando a mim mesma:"(...) a relação de amor e ódio com navios é como quando você termina um relacionamento muito importante em sua vida. Você ainda ama aquela pessoa, vai amá-la para sempre...sempre vai bater uma nostalgia, e você nunca vai deixar de pensar, nem um dia sequer, em tudo o que viveram. Porém, se você tiver a oportunidade de voltar, acredite: Você não volta."

Na verdade, esse post enorme foi inspirado não só pelo documentário que vi, mas também pelo triste Big Brother. Vejo aqueles imbecís chorando, enlouquecendo dentro daquela casa cheia de regalias, piscina...aquele monte de marmanjo trancados em uma mansão, sem nenhuma responsabilidade diária e aquilo me arranca tantas risadas. O navio nada mas é que um Big Brother onde se trabalha, MUITO.
Esse povo não aguenta nem uma semana de contrato em navio! Pois lá, a 'Grande Irmã' não perdoa ninguém! Ela sabe tudo. Ela tudo vê. Afinal de contas, ela é a rainha dos 7 mares.
Esses fracotes não sabem nada!

um beijo grande e nostálgico,
[Ché]

Foto: Freedom saindo de St Thomas



Comentários (4):

Em 11/02/2009, às 10:54:12, Marina disse:
Adorei o post...=) Beijos!
Em 11/02/2009, às 21:55:57, SIMONE! | página pessoal disse:
Nossa, sinceramente quase choro com seu post... é como se por sua escrita eu estivesse presente em cada momento...
Eu nao estive lá, mas estive com meus pensamentos em vc aqui...
E com certeza vou estar quando vc partir, mas agora por terra... desbravando esse Mundao de Deus.
E eu serei (se vc deixar) aquela passageira visitante, que quando tem que voltar, volta com lagrimas nos olhos, mas com a certeza e o convite de vc voltar pra me visitar um dia (e o principal) agora acompanhada.
Bjo amiga
Em 2/03/2009, às 09:32:11, Rafael disse:
Depois de muito tempo acabei voltando aqui.
Não consegui me despedir direito de você, e assim como a Si postou logo a cima, eu quase chorei também lendo seu post
Detalhe, estou no trampo agora
HIOAHEOIHIAOEA
Mas enfim, agora eu sei como você se sentia, só muda que eu trabalho bem menos, e ainda não tomei vergonha na cara pra começar a estudar
mas do mesmo jeito fico aguardando ansiosamente as 11 da noite de cada sexta feira
Acho que estou crescendo, mas as vezes não me sinto preparado para enfrentar o mundo, quando voltava da praia no carnaval fiquei conversando com um amigo do meu amigo mais velho que eu, e foi bem legal porque ele me incentivava a não ter medo das coisas, que só enfrentado eu irei conseguir.
Só espero que eu não perca o meu espirito de criança
HAIOHEOHAOHEAOOEA

Enfim minha eterna Mousse
vou senti falta das vezes que passavamos horas ou minutos conversando
Beijão amorinho
Em 3/03/2009, às 14:33:54, Malaca disse:
EIIIIIIIIIIII MANDA UMA NOTICIA !!!!! Qualquer coisa, onde mora, que tá fazendo, que tá comendo, que horas faz cocô... hauhuauhauahauhauahuahuaha... MANDA ALGO !!!! SINAIS DE FUMAÇA...

beijo
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