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[CUIDADO...][INFLAMÁVEL]

Postado por Chérie em 02/11/2009 03:38

Sobre os abutres.
[Jean-Dominique Bauby, nascido em 1952, pai de dois filhos, era redactor-chefe da revista francesa Elle quando foi vítima de um locked-in syndrome, uma doença rara, que o deixou lúcido intelectualmente, mas paralisado por completo, só podendo respirar e comer por meios artificiais e mover o olho esquerdo. Bauby faleceu a 9 de Março de 1997, mas deixou este seu testemunho impressionante, bem escrito, e melhor traduzido, do que é ter um intelecto vivo dentro de um corpo morto.] Fonte www.scribd.com

O ESCAFANDRO E A BORBOLETA

Jean-Dominique Bauby


Neste trecho ele se manifesta quanto as cartas recebidas no leito do hospital.

"Recebo cartas notáveis. Elas são abertas, desdobradas e expostas diante de meus olhos segundo um ritual que o tempo fixou e que confere à chegada do correio um caráter de cerimônia silenciosa e sagrada. Leio pessoalmente todas as cartas com grande zelo. Algumas até são muito sérias. Falam do sentido da vida, da supremacia da alma, do mistério de cada existência, e, por um curioso fenômeno de inversão de expectativas, são as pessoas com as quais eu mantinha as relações mais fúteis que tratam com mais familiaridade essas questões essenciais. A leviandade delas mascarava interesses profundos. Será que eu era cego e surdo ou será que a luz de uma desgraça se faz necessária para iluminar a verdadeira face de um homem? Outras cartas contam, em sua simplicidade, os pequenos fatos que demarcam a fuga do tempo. São rosas colhidas no crepúsculo, a indolência de um domingo chuvoso, uma criança que chora antes de dormir. Captadas ao vivo, essas amostras de vida, essas baforadas de felicidade me comovem mais que qualquer outra coisa. Tenham elas três linhas ou oito páginas, venham do longínquo Levante ou Levallois-Perret, guardo todas essas cartas como um tesouro. Um dia gostaria de colar todas, uma após outra, para fazer uma fita de um quilômetro, que ficaria flutuando ao vento como uma auriflama à glória da amizade. Espantará os abutres."

E [definitivamente] na maioria das vezes é das pessoas que você menos espera que chegam as reações mais bizarras.
E é daquelas que você não espera nada que brotam os melhores sorrisos.
A partir de momentos extremos de sua vida (sejam eles de felicidade ou de tristeza) você pode classificar e definir amigos, não amigos, e abrir a porta para a entrada de novas pessoas na sua vida.


Sem mais,
[Ché]

Devidamente creditado, fonte:www.scribd.com



Comentários (2):

Em 2/11/2009, às 12:01:26, Kika disse:
Lindo, lindo, lindo!!!
Em 4/11/2009, às 12:15:31, Simone Novato | página pessoal disse:
Espero, um dia, ter feito você rir inesperadamente...
Abraço cheio (nao de palavras, mas de sentimentos muito bons!)
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