Terra Terra Fotolog
Enquanto isso, na hora do almoço...

Postado por Edgar Correia em 19/07/2007 13:22

... eu fico pensando se podemos voar
Já há algum tempo eu venho pensando em reativar esse fotolog. Mas eu sempre hesitava, ou por preguiça ou por não saber sobre o que falar por aqui.
Desde ontem, no entanto, percebi que posso, por aqui, pelo menos ir dividindo com o mundo (sejá lá quem for, que passe algum tempo a ler isso aqui) as minhas angústias e decepções, meus pontos de vista, além das alegrias e conquistas que a vida sempre nos reserva.
Um dos motivos mais fortes para eu ter me decidido foi uma pseudo-conclusão (que aqui sempre existirão, visto que sou inconsistente e volátil como o álcool que corre em minhas veias), à respeito dos jornalistas, ou como diria o Bob Fernandes, da bancada objetiva, isenta e imparcial.
Retomando conversas que tive com meu amigo Marcelo Monegato, noticieiro de profissão, lembrei que para "assinar" uma matéria jornalística é necessário um tal documento. Vamos à conclusão: para se falar sobre tudo é preciso ser um leigo diplomado.
Pois é assim que andam nossos canais de notícias, ou nossos programas de notícias. Leigos falando sobre tudo, sobre todos, da maneira que acham cabível, e, como essa lhes pertence, somente a verdade dos fatos.
Anteontem, e ontem, vivemos duas das maiores tragédias desse país chamado São Paulo. A queda (anunciada como a de qualquer avião que passe sobre a casa do Mário, vizinho da avenida dos Bandeirantes, aqueles "heróis" que levaram a civilização branca européia aos rincões desse país, mas que por sorte, deles, não foram pela avenida que leva seu nome, pois provavelmente teriam ficado parados até hoje nos congestionamentos), e a cobertura da queda, que me pergunto se não foi mais trágica que a própria.
Ontem tive enjoô, e quase vomitei, quando, em casa, jantando, vi a maneira como a imparcial da Chucri Zaidan, através de seu editor-chefe, mostrava as reações dos familiares dos passageiros do avião que caiu.

Pra quê?

Simples assim: essa pergunta não tem complemento nem resposta.

E as pessoas ainda se perguntam porquê tudo anda do jeito que engatinha nesse arremedo de país.
Lembram do canhotinha de ouro, ultrajado por uma geração por conta da propaganda de cigarros? Ele estava certíssimo. Queremos levar vantagem em tudo. É isso que marca nossa identidade nacional, e não a miscigenação, o samba ou o futebol (que, diga-se de passagem, se é pra ser tático eu prefiro o da bola amassada ao do sétimo anão).
Não me venham com coisas do tipo: "faltou investimento do governo", "a pista não deveria ter sido liberada" ou "a emporesa garante todas as indenizações das famílias das vítimas". Pois passou da hora do Campo de Marte da Zona Sul virar um grande heliponto, como o da ZN.
Mas isso não pode, isso não dá (como diria o já saudoso FHC, que, na sua época, me fazia pelo menos ter um inimigo claro e objetivo), por que o câncer da sociedade paulistana (e brasileira) não pode pegar seu carrinho financiado e ir a um aeroporto mais afastado do que 10 km da Paulista.
Ah, onde se lê câncer, leia classe média. É, você mesmo que está lendo isso aqui, porque pra ter acesso a fotolog você só pode ser de classe média, assumindo isso ou não.

Bom, é isso. Ou não.

Em tempo: quando perceberemos que aqui é, na verdade, o país do volei?

"Você deve notar que não tem mais tutu
e dizer que não está preocupado
Você deve lutar pela xepa da feira
e dizer que está recompensado
Você deve estampar sempre um ar de alegria
e dizer: tudo tem melhorado
Você deve rezar pelo bem do patrão
e esquecer que está desempregado

Você merece, você merece"
Gonzaguinha



Comentários (2):

Em 19/07/2007, às 13:36:37, Thais Reis disse:
Boa forma de abrir seu coração...
Te amo!!!!!!
Em 19/07/2007, às 22:40:36, Michel Alonso | e-mail disse:
Faaaaaaaaaala aí Edgar !!

Precisa ter uma foto dos "trutas das antigas" desfilando pelas praias paradisíacas do Boqueirão hein mano ?!?!

Abraço,
Michel
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