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Ela na Janela

Postado por Ela em 04/10/2007 16:56

dicionário
Eu quero a palavra que sirva para o meu sentir. Que vista bem, corte cuidado, que não se tenha de levar ao alfaiate.
Eu quero a palavra sem remendo. Que seja bonita de a gente toda virar o pescoço quando ela desfila na página. Que vá embora quando a festa termina.
Eu quero a palavra que pegue o casaco na chapelaria. Que tenha hora certa. Que ela grite e te tire o sono. Que seja escandalosa, mas de voz suave. Que seja um tormento.
Eu quero a palavra reza. Que se deite feito mantra no ouvido. Que alcance os deuses, que faça cair anjos.
Eu quero a palavra com casa no céu. Que esteja estampada no alto, seu teto no mundo. Que dispute com a lua seus olhos.
Eu quero a palavra que você veja. Que lambuze a sua tela, que não tenha nome de você gritar “sai da frente”.
Eu quero a palavra deitada no meio da sua rua. Que faça pista para o seu caminho. Que entenda de direção, destino.
Eu quero a palavra que sinta para o que eu sirvo. Que é não sei, que é de longe, que é de adivinhar o infinito.
Eu quero a palavra de você me estender a mão. Eu fico.
Eu quero a palavra que sirva para o que eu sinto.

*

(Obra de Fábio Morais, que está no livro "Sebo".)



Comentários (1):

Em 2/12/1973, às 22:27:49, Clériston Machado | e-mail disse:
estava loendo uns artigos seus hj.

e me lembrei daquela aula de geografia como professor Jonas, quando ele quis questionar se aquele trabalho da vila rural tinha sido escrito por um jornalista a Folha de São Paulo, lembra-se????

E nao e que ele estava certo? Será q foi um pressagio????

Parabens Audrey...

Belissimo trabalho q tem feito.
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