Postado por Ela em 23/09/2006 00:03
Deslembrança
Reuniu os ontens num canto da sala. Decidiu guardá-los ali para evitar os tropeços. O tempo em que ela prendia os instantes entre os dedos como se fossem borboletas pegas no ar havia se encerrado. Fazia questão agora de que todas fossem um sem-fim de indo-e-vindo desprogramado. Assim, Alice voltava a praticar o hábito de criança, quando escondia flores entre as páginas dos livros. E lá elas ficavam para que fossem, vez ou outra, a sutil surpresa no ato da decisão de ler um poema. Alice, menina, bem sabia em que livro estava a margarida descolorida ou a sempre-viva roxa desbotada. Mas pregava-se a peça de fazer de conta que já não se lembrava para achar encanto na florzinha (re)encontrada.
Agora, era assim com os ontens: guardou-os num canto, como se os escondesse de si mesma. Desaprendia que eles estavam lá e logo se tornavam flores dormindo dentro do livro.
Comentários (1):
Em 23/09/2006, às 00:28:49,
Berga
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página pessoal
disse:
Tem que curar essa asma, guria! O negócio é fazer mais exercícios, pra ganhar fôlego. Quem sabe um dia entra na Academia?