Terra Terra Fotolog
ELIANE POTIGUARA / METADE CARA METADE MÁSCARA

Postado por Eliane Potiguara em 05/02/2005 16:37

Continuação do texto de Eliane Potiguara, "POVOS INDÍGENAS: ÉTICA, COOPERAÇÃO E DIÁLOGO"
Sou uma mulher de fibra, porque eu me reconstruí por mim mesma, depois de dançar desvairadamente na vida com meu iludido sapatinho vermelho.Quase perdi os meus pés, as ervas daninhas enrolaram neles pra que nunca mais caminhasse pelas estradas do saber, da consciência e do mais alto grau da espiritualidade indígena, mas pude dominá-los e arrancar esses malditos sapatinhos vermelhos das chamadas "MULHERES E MÃES BOAS-DEMAIS"!!!!!! que por serem assim, vivem sufocadas pelo peso da história e da opressão e quando vislumbram uma "semiliberdade", uma ilusão, a pseudoliberdade, se perdem nos terríveis sapatinhos vermelhos da cultura falsamente iluminada, que escamoteia o poder, o preconceito, o racismo. Meu ego , não pode ser mais forte que minha alma. Minha alma é ancestral, meu ego não pode dominar minha verdadeira história. (...) ."(Trecho do texto "Pele de foca" de Eliane Potiguara, inspirado no livro 'Mulheres que correm com os lobos de Clarissa Pinkola Estes)

As desigualdades no amor entre o homem e a mulher se acirram também a partir da nova concepção predatória. E as mulheres trabalharam incessantemente séculos e séculos na categoria de diferença, para atingir o estágio atual. Dentro desse raciocínio expandimos a análise sobre desigualdade para as categorias, raças, etnias, culturas, religiões,orientação sexual, condições físicas, classe social e idade. Essas diferenças são motivos de desigualdades, o que deveria ser de apreço para a sociedade em geral e de orgulho.

2- O DIREITO À IMAGEM POSITIVA NA SOCIEDADE: CONSTRUÇÃO DA AUTO- ESTIMA

OS que se consideram erroneamente superiores por assimilar padrões preponderantes, perpetuam essa dominação, assim como aqueles que também se consideram inferiores. Conceitos dominantes como louro, olhos azuis, forte, normal, capaz, e outros, se contrapõem e se chocam a diversos padrões minimizados na sociedade, como feio, negro, fraco, deficiente físico, indígena, mulher, macumbeiro, feiticeira, assim por diante. Urge desconstruir esses conceitos.

Esses estereótipos que se opõem , na realidade, nos levam à discriminação, ao preconceito e à intolerância. A discriminação social e racial conduz a sociedade a compartir má qualidade de vida, desigualdades de oportunidades de trabalho, de estudo e de participação social, contribuindo com o indivíduo a construir uma auto-imagem depreciativa que o impede de crescer no patamar social. Permanecemos no porão da vida e temos que subir para terraço e vislumbrar quem somos!!!! Minha avó indígena, com grandes peitos e olhos apertados, todos os dias permanecia do lado de fora das grades quando eu ia à escola primária. Os alunos sabiam que ela era minha avó e debochavam de mim, me chamando de índia e perguntavam porque vovó permanecia ali idiota e estática. Era porque vovó sentia-se orgulhosa da neta estudante e temia que algo de ruim acontecesse, por isso perdia seu tempo do lado de fora da escola, tentando desesperadamente me fazer crescer para que eu pudesse ser uma professora. Depois ela ia vender bananas.... E eu tinha vergonha... Eu tinha vergonha porque vivia num gueto indígena, eu tinha vergonha porque minha educação não era diferenciada como deveria ser. Eu tinha vergonha porque nas horas que não estava na escola, estava presa literalmente num quarto para que eu não visse a miséria do gueto onde vivia, para que eu só assimilasse a energia, a cultura e a espiritualidade que vinha das mulheres guerreiras da minha pequena e extinta família indígena.Por isso não conheci a infância e a adolescência.

Bem, como já sabemos todos nós temos somente uma raça : a humana. Mas mesmo assim, no sentido político, o mundo está dividido mesmo em raças: negros, brancos, amarelos, etc... Ou no sentido político-religioso, o mundo está dividido em milhares de segmentos como por exemplo, judeus, muçulmanos, católicos, protestantes, budistas, etc...(http://wwww.elianepotiguara.org.br)

CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO POST



Comentários (2):

Em 26/10/2005, às 15:34:59, parabéns!!! | e-mail disse:
fiquei muito feliz de saber de pessoas assim,fortes guerreiras e detreminadas a preservar a cultura amerindea e passa-las com amor,fé e espiritualidade..
Em 1/09/2008, às 14:55:10, Cristina Almeida disse:
Parabéns! Belíssimo texto... Me ajudou bastante numa pesquisa universitária. grande abraço.
Nome:
Mensagem:
caracteres disponíveis
E-mail (opcional):
URL (opcional):