ELIANE POTIGUARA / METADE CARA METADE MÁSCARA

Postado por Eliane Potiguara em 05/02/2005 16:41
Continuação do texto de Eliane Potiguara, "POVOS INDÍGENAS: ÉTICA, COOPERAÇÃO E DIÁLOGO"
A compreensão entre os seres humanos para que seja efetiva não deve passar pelo juízo de valor, pelo julgamento irresponsável, pelas críticas destrutivas, e por esses gritantes contrastes. A falta de ética conduz o indivíduo a interpretações tendenciosas de conceitos. Como vimos a falta de ética humana, a falta de cooperação, a não solidariedade e a falta da paz, a guerra, foram geradas num passado muito distante. Urge uma mudança de consciência do ser humano para que ele possa compreender que todos os seres humanos são iguais, independentes de cor, religião e a chamada e imposta raça.
A diversidade racial e étnica, a diversidade social e cultural, a diversidade de crenças e filosofias não podem ser vistas como barreiras, "muros de Berlim", guetos de Soweto, obstáculos incomensuráveis. Essa diversidade deve ser vista como características para construção de um mundo novo, onde nessa DIVERSIDADE SE ENCONTRE A UNIDADE, e onde o respeito, a cooperação e a ética humana imperem no contexto de todas as características humanas diversas. Mas para chegar-se aí muito trabalho precisa ser feito.Grupos por todo o mundo devem articular-se por esse objetivo. As mulheres já deram o primeiro passo, sendo assim o conceito de ações afirmativas para elas, torna-se mais compreensível para a sociedade.
Durante séculos a imagem dos povos oprimidos social e racialmente são configuradas de forma menor, pejorativa, inferiorizada, e conseqüentemente racializada. O racismo existe porque existe o poder, o capital, o medo... Quem sofre e quem sofreu o racismo nos últimos séculos? Quem perdeu terras, vidas, culturas, tradições espirituais? Quem ganha com o racismo?Quem participa constantemente da mídia televisiva, quem possui oportunidades de empregos e de estudo? Quem cresce economicamente no mundo? Quem mais ocupa postos no parlamento brasileiro?Quem possui carros, bens de consumo de qualidade? Quantos indígenas chegam às universidades? Quantos negros atingem o topo do mundo?Quanto capital chega para as Ongs indígenas e negras? E complementando o raciocínio da Prof. da Universidade de Pernambuco, a Dra. Silvia Cortes : Quando a "Casa Grande e Senzala" vai deixar de ser um navio ancorado em terra????
É hora de nós, povos indígenas e todas as DIVERSIDADES construirmos um mundo possível, resgatarmos nossas histórias, reconstruirmos nossas vidas e reconstruirmos nossa auto-estima que esteve por séculos jogadas na lama ou no porão da sociedade. A sociedade anestesiada, condicionada aos padrões dominantes, precisa compreender isso. Urge uma Campanha. A mídia, a escola, a Universidade são alguns caminhos. Isso é apenas um começo.
A Educação é um caminho extremamente importante para a formação da hereditariedade, da sociedade e do eu superior: a mente humana. As políticas públicas devem, sem temor, investir nessa bandeira.
As Ações Afirmativas são políticas públicas compensatórias e temporais para promover igualdade dos grupos vulneráveis. Num futuro não serão mais preciso essas ações, pois atingiremos à democracia racial verdadeiramente real. Elas existem para combater desigualdades sociais e podem se ampliar para vários setores como: saúde, educação, habitação, eletricidade, água potável, meio-ambiente, igualdade e oportunidade de emprego, além de atingir aos serviços judiciários, executivos, reformas eleitorais, reforma agrária, etc... Para isso é imprescindível uma estrutura de peso para implementar essa política e que tenha orçamento próprio, autonomia, recursos humanos altamente capacitados, campanhas de massa na mídia de conscientização do povo, para que não caia no descrédito e na crítica infundada e irresponsável, que prejudicam e distorcem os reais objetivos da luta contra as desigualdades social e racial. As Universidades deram o passo inicial, a Puc de Minas Gerais, a UERJ no Rio de Janeiro. Já existem Universidades indígenas. (http://www.elianepotiguara.org,br)
CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO POST
Comentários (1):
Em 8/02/2005, às 02:40:45,
Loba do Cerrado Goiano
disse:
Eliane, irmã de caminhada, de luta pela Mãe Terra, onde nossos gritos ecoam um pouco no vazio, pela incompreensão da humanidade, da desigualdade, das hipocrisias, do Governo que nunca deu o resguardo necessario as classes minoritária.
Eis que surge uma Gerreira que luta sem medo e pede auxilio a todos sem vergonha de dizer, sou indigena.trago meu rosto pintado dividindo minha raça que honro e prezo e pela qual luto.
Ler Eliane é sentir a realidade do indio, do negro, no menor abandonado pela sociedadee todos que são discriminados.
Unamo-nos a essa Grande Guerreira e Levantemos a Nossa Bandeira da Paz e União para que cheguemos não a uma Raça, mas seres de Luz e Divinos que somos.
Grata Eliane por existir e ser essa Grande Guerreira que és.
Namastê
Loba do Cerrado Goiano