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ELIANE POTIGUARA / METADE CARA METADE MÁSCARA

Postado por Eliane Potiguara em 27/01/2005 15:31

Daniel Munduruku e Eliane Potiguara no lançamento do Livro "METADE CARA METADE MÁSCARA"
VISOES DE ONTEM, HOJE E AMANHA: É HORA DE LER AS PALAVRAS.

Houve um tempo que pertencer a um povo indígena era quase uma maldição. Falava-se destes povos como atrasados, selvagens, inoportunos para o progresso, sem razões e sem convicções. Havia quem falasse que desapareceriam à mercê do capitalismo selvagem, já que não teriam como resistir ao impacto da “civilização”. Havia, porém, quem ousasse defende-los, encoraja-los, informa-los sobre seu real papel dentro da sociedade envolvente. Estes amigos acreditaram na verdade destes povos, acreditaram em sua índole, acreditaram no seu futuro.
O tempo passou e, aos poucos, alguns líderes foram conhecendo melhor a sociedade que os rodeava: dominaram as letras, os números, os códigos sociais, os processos econômicos, as políticas e passaram a ser protagonistas da história, passaram de objetos a sujeitos de seu próprio destino, passaram a ser senhores. Assim nasceu o “movimento indígena”, um primeiro exercício de expressão da própria dor; um momento de liberdade, ainda que ilusório; um átimo de futuro.
Daqueles primeiros líderes muito se viu e ouviu, pouco se leu. O povo brasileiro viu seu trabalho e ouviu suas palavras; viu o seu sangue escorrer pela covardia das emboscadas armadas pelos que eram atingidos pelas balas de suas palavras; viu suas danças embaladas pelas denúncias de desrespeito; ouviu suas músicas, lamentos de resistências; viu gestos, atitudes, dignidades, verdades; ouviu murmúrios, queixas, lamentos, choros rituais de quem briga para sobreviver.
Agora é hora de ler as palavras que foram ditas ao papel. Palavras que chocarão, trarão vertigens, denúncias, tristeza, verdades, realidades. Realidades sombrias, frágeis, únicas. Realidades marcadas pela dor, pela alegria, pela esperança, pelo sucesso. Realidades ditas pela poesia, pela prosa, por números, por nomes. Realidades mostradas com as singularidades das “visões indígenas”.
“Visões Indígenas”. Este é o nome escolhido para dar voz aos “indígenas em movimento”, homens e mulheres que lutam para dar esperança para a gente nativa deste nosso país. É um nome pensado para dar vazão ao pensar, ao sentir, ao viver dos povos indígenas brasileiros.
Esta série foi criada para dar possibilidade de externalizar o olhar indígena sobre si mesmo, sobre os “outros” das ciências e sobre a sociedade brasileira. Fazendo isso, acreditamos, estaremos “deixando que o Outro seja”.
Daniel Munduruku



Comentários (2):

Em 15/04/2006, às 12:19:29, moisestukano@hotmail.com disse:
visoes indigenas ,este e o nome escolhido para da voz aos indigenas em movimento dos homens e mulheres que luta para da em movimento.
Em 14/04/2007, às 15:27:11, WOATY(THE WOLF)... disse:
AH'O MITAKUYE OIASI'N...FOR ALL OUR RELATIONS...and more for all our RELATION WITH OUR MOTHER EARTH AND BEYOND...BE A RED INDIAN TODAY ITS BE A SHINE STAR TO SHOW OUR DEEP CONNECTION IN HARNONY AND LOVE...AH'O..


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