Terra Terra Fotolog
ELIANE POTIGUARA / METADE CARA METADE MÁSCARA

Postado por Eliane Potiguara em 27/01/2005 16:44

Continuação da entrevista da Sandra Baldessin/ABRALI/Ass.Brasileira de Literatura
E, como mulheres, por querer saber o que aconteceu com os nossos avós que trabalharam para as falidas empresas que escravizaram a população indígena e deixaram centenas e centenas de mulheres grávidas, obrigadas a fugir de suas terras, de sua família tradicional, é que sofremos muitas perseguições. Afinal, o nosso silêncio ou nossa voz, têm sexo! Os pais indígenas, sabedores desta realidade, gostariam de lançar suas jovens filhas para esses abutres?
Por outro lado, lamentavelmente, os homens indígenas por pressão histórica, continuaram mantendo suas mulheres na retaguarda e, conseqüentemente, pelo contato com os colonizadores acabaram adquirindo os seus maus hábitos e vícios, entre eles o de subjugar e desrespeitar a mulher, não esquecendo nós, que os piores caracteres, moralmente situando, foram os enviados para a Terra Santa, no início da colonização portuguesa.
Os direitos humanos das mulheres indígenas foram descritos em várias Conferências Nacionais e Internacionais, onde conseguimos espaços políticos para dar um grito de basta ao sofrimento secular de nosso povo, onde o racismo e a falta de apoio ao cidadão e cidadã indígenas são os motivos mais agravantes. As campanhas de solidariedade devem ser um veículo de luta para a efetiva conscientização da sociedade, como um todo, de que os povos indígenas são os primeiros habitantes deste país, as primeiras nações e, como tal, devem ser respeitadas, veneradas, preservadas como patrimônio humano do planeta terra, ao invés de sermos racializadas , discriminadas, empobrecidas, excluídas social, histórica e racialmente. Que possamos ver um Estatuto do índio realmente voltado na prática para os direitos humanos dos Povos Indígenas, tanto na área de desenvolvimento, trabalho, saúde, educação, preservando o patrimônio cultural, o direito à propriedade intelectual, a biodiversidade indígena, a espiritualidade.
As mulheres indígenas, aos olhos da sociedade, estão abaixo do último degrau que compõe as camadas da sociedade. Indígenas, pobres, discriminadas, excluídas, INVISÍVEIS, mão –de- obra escrava em plantios de cana-de-açúcar, algodão e outros. Na proximidade de mineradoras, tornam-se objeto sexual de garimpeiros ou mineradores, como muitas histórias que já ouvimos dos YANOMAMIS, em Roraima. Se estão nas cidades, empurradas por alguma razão social e política de sua nação, tornam-se, prostitutas nas grandes cidades, objetos de tráfego internacional de mulheres ou empregadas domésticas ou operárias mal remuneradas.
Urge um trabalho de conscientização dentro das aldeias contra a violência doméstica, sexual , o estupro, o assédio , o alcoolismo que resulta nas violências interpessoais, nas intrigas, nos distúrbios psicológicos, nos suicídios. Um programa imediato, referente aos direitos reprodutivos e saúde integral devem ser implantados na prática, pelo governo e pelas ONGS.
Urge um trabalho de conscientização nessas nações que mais sofreram os resultados maléficos da neocolonização, como povos Ressurgidos e junto aos Quilombolas. Essas nações têm consciência de sua identidade indígena, o que é uma vitória, mas precisam de apoio em todos os sentidos. E isso é de responsabilidade governamental, tendo o apoio das Ongs e parcerizadas com apoio tecnológico, oriundo de entidades nacionais e internacionais.Outro estudo importante é sobre povos indígenas emigrados e suas conseqüências.
As organizações indígenas devem, finalmente, desenvolver programas de formação de gênero, interagindo a cultura indígena com a diversidade, identidade, questão do poder e a transformação, criando assim seus objetivos e metodologias próprias. Que possam promover a justiça social de gênero e conseqüentemente fortalecer o papel da mulher indígena em todos os segmentos.

SANDRA B.: Qual o papel que a Educação e a Literatura desempenham nessa luta?

CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO POST.



Comentários (0):

Nome:
Mensagem:
caracteres disponíveis
E-mail (opcional):
URL (opcional):