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ELIANE POTIGUARA / METADE CARA METADE MÁSCARA

Postado por Eliane Potiguara em 27/01/2005 16:51

Continuação da entrevista da Sandra Baldessin/ABRALI/Ass.Brasileira de Literatura
ELIANE: Educadores e pensadores indígenas, temos, nos últimos anos, trabalhado conceitos para a implantação de uma Educação indígena diferenciada para povos indígenas, através, inclusive de materiais didáticos específicos. Indigenistas sensíveis têm participado desse processo. Isso porque a retrógrada educação visava conceitos completamente fora da realidade e cosmovisão étnicas, conduzindo povos indígenas à integração nacional e perda das tradições e culturas, levando o brasileiro a perguntar às suas crianças em escolas, “como viviam os índios” ? Povos Indígenas, não viviam, vivem, todavia! O desconhecimento e preconceitos são enormes e o brasileiro não se dá conta disso. Isso precisa mudar, realmente.
Neste sentido, Educação e Literatura são caminhos que podemos seguir para a implantação de conceitos filosóficos que correspondam ao conceito de territorialidade, conceito esse que abrange toda a biodiversidade indígena: terras, trabalho, desenvolvimento, saúde, educação, espiritualidade, ética, meio-ambiente, universo feminino, etc...tanto para o contexto indígena, quanto o da sociedade brasileira, servindo de subsídios para a mídia impressa, eletrônica, etc.
E, quando buscamos esse caminho, nos reportamos à nossa história real e à história imposta pelos colonizadores que dizimaram consideravelmente parte da nossa cultura indígena e nossos valores. Nessa desconstrução de antigos conceitos, flui a verdadeira e abafada cidadania indígena, cidadania, aí, no sentido de exercício dos direitos humanos dos povos indígenas. Sendo assim, Educação e literatura passam a constituir ferramentas altamente ideológicas para nós, povos indígenas: instrumentos de conscientização!

SANDRA B. Fale-nos sobre o GRUMIN e a sua importância no sentido de integrar os indígenas aos cenários mundializados.

ELIANE: Na década passada, o Grumin não só trabalhava ideologicamente para a constituição dos direitos humanos como também aplicava alguns projetos de desenvolvimento comunitário objetivando o “empowerment” da mulher indígena. Hoje, o Grumin constitui-se na Rede de Comunicação Indígena, objetivando a democratização da informação, um canal de comunicação e também de incentivo à produção literária. O nosso objetivo não é a integração dos povos indígenas ao mundo globalizado, é justamente o contrário. É tornar possível o conhecimento acerca da globalização, compreender seu papel frente ao mundo e se adaptar às reais condições de suas raízes indígenas e territoriais, buscando a preservação de culturas e tradições. Para isso, povos indígenas , nas últimas décadas constituíram-se na chamada organização indígena para ocupar espaços políticos na sociedade em geral. Como exemplo, podemos nos referir à participação indígena nas mesas de debates com o governo criando políticas públicas, defendendo cotas políticas para suas necessidades básicas, nas áreas de Educação, Saúde e Desenvolvimento. Nos organismos internacionais como a ONU, a OEA, a OIT, por exemplo, vemos já ali representantes indígenas, inclusive mulheres, discutindo suas considerações. Povos indígenas internacionais já ocuparam esses espaços há mais de três décadas. Se há espaços, cadeiras para nações livres, como Itália, por exemplo, há de se constituir espaços para as etnias indígenas, porque elas existem e se diferenciam por suas línguas, tradições, culturas e espiritualidades indígenas e brasileiras.

SANDRA B.: Como preservar o patrimônio cultural imaterial dos brasileiros indígenas, no mundo globalizado, como agir no sentido de impedir que esse patrimônio se transforme em produto de consumo da indústria cultural?

ELIANE: Os direitos fundamentais dos Povos Indígenas são protegidos pelo Direito Internacional, da mesma forma que os direitos de todos os outros cidadãos do mundo.

CONTINUAÇÃO NO PRÓXIMO POST.



Comentários (2):

Em 28/01/2005, às 15:10:39, Efigênia Coutinho | página pessoal disse:
Estimada Eliane, acredite, mesmo sendo poeta, eu tenho uma forte ligaçào com a natureza, com o ser humano , principalmente os menos favorecidos culturalmente, onde eles não tem culpa da ignorância. Então eu te direi, encontrei em sua pessoa, uma mulher espetacular principalmente pela sua ideologia. e, esta sua frase aqui é a cara do nosso povo: O desconhecimento e preconceitos são enormes e o brasileiro não se dá conta disso. Isso precisa mudar, realmente.

Vamos fazer está parceria, para o mundo ficar ciente dos problemas existentes e das coisas boas que são em numeros bem maiores do que a sociedade imagina.

Eu trabalho só no Site, mas daremos conta desta nova etapa, que asumo com você para ser realizada na Távola Literária Daniel Cristal.
Gostaria de sua opinião quanto ao nome a ser dado a suas matérias que seram postada, digo titulo. Fico na espera, desejando um grande sucesso a você. Atenciosamente, Efigênia Coutinho http://www.saladepoetas.eti.br/index2.htm
Em 6/09/2008, às 20:44:38, BARREIRA, Edilson | e-mail disse:
Boa noite!!!
Prezada Efigênia Coutinho,
gostei muito do seu senso de colaboração com a Potiguara. Conte com o meu humilde apoio. Sou admirador da natureza e dos povos com suas raízes, prrecisamos resgatar as origens culturais de cada povo. Gosto muito desse assunto e quero pesquisar mais sobre o comportamento humano e suas inesperadas reações.
Abraços
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