INBRAPI/Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual/ Conselheiros
Ailton Krenak – Jornalista e Diretor do NCI
Ambrosio Kadiwéu – Geógrafo
Catalino Aquino Guarani – Pajé Tradicional
Chiquinha Paresi – Historiadora
Daniel Kabixi – Administrador e Liderança
Edmundo Xavante – Pedagogo
Eliane Potiguara - Professora e Escritora Indígena
Getúlio Kaiowá – Pajé Tradicional
Marcos Terena – Piloto
Megaron Txucarramãe – Administrador e Liderança Tradicional
Miriam Terena – Diretora do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas
Suzana Xokleng – Liderança do Movimento de Mulheres Indígenas
Vitor Bakairi – Jornalista
Wilson Terena – Advogado
CARTA da KARI - OCA
Nós, escritores indígenas, estivemos reunidos no Rio de Janeiro nos dias 22 e 23 de setembro de 2004, para realizar o I Encontro Nacional de Escritores Indígenas. Nosso evento fez parte da programação do 6o. Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil que aconteceu durante o VI Salão do Livro Infantil e Juvenil organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil - FNLIJ, teve como tema "O Direito Autoral e a Proteção dos Conhecimentos Tradicionais", cujo objetivo era debater formas alternativas para o incremento de uma política de proteção dos conhecimentos coletivos de nossos povos.
Durante estes dias pudemos conversar com o público leitor, editores, autores e ilustradores de literatura infantil e juvenil e aprender os mecanismos para a publicação dos textos de autoria indígena. Foi um encontro recheado de boas surpresas e aprendizado para nós e para a sociedade brasileira, representada pelo acolhedor povo carioca. Nosso evento, organizado pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual - INBRAPI -, apoiado pela Fundação Ford e pela Embaixada da Noruega - NORAD, tornou-se um marco importante no estabelecimento de uma nova relação com a sociedade e com os organismos responsáveis pela proteção dos conhecimentos tradicionais e pelas leis de proteção ao direito autoral.
1. Nosso conhecimento tradicional é coletivo e está vivo e presente em nosso país muito antes dos conquistadores europeus aportarem em nossas praias. É um conhecimento que abrange o material, mas principalmente o espiritual de nossa gente e não pode ser considerado domínio público, pois o uso indevido pode empobrecer seu verdadeiro valor moral e social e deturpar seu sentido poético e simbólico;
2. Nossa oralidade é parte fundamental para a manutenção dos nossos sistemas sociais, políticos, religiosos e educacionais. Entendemos a necessidade de revigorar nossa tradição e nossos valores a partir da oralidade, bem como entendemos que um meio disso ocorrer é através da edição e difusão de livros de autoria indígena, nos quais nossas crianças poderão encontrar incentivo e estímulo para o conviver com sua própria identidade étnica;
3. Os conhecimentos de nossos avós foram deixados para nossos netos de forma oral como uma teia que une o passado ao futuro. Esta fórmula pedagógica tem sustentado o céu no seu lugar e mantido os rios e as montanhas como companheiros de caminhada para nossos povos. Tais conhecimentos, em forma de narrativas - chamado mitos pelo ocidente - foram sendo apropriados por pesquisadores, missionários, aventureiros, viajantes que não levaram em consideração a autoria coletiva e divulgaram estas histórias não se preocupando com os seus verdadeiros donos e não repartindo com as comunidades os dividendos provenientes de sua comercialização no mercado editorial nacional e internacional. Consideramos este tipo de manipulação prejudicial e reivindicamos uma relação mais ética e transparente com o patrimônio cultural - material e imaterial - de nossos povos.
Em 20/05/2008, às 16:27:53,
viviane
| e-mail
disse:
gostaria de saber coisas sobre o valor simbolico e utilitario das propriedades indigenas. poderiam me mandar por e mail ?
obrigada