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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 13/07/2008 21:56

>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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10a. PARTE

23 Sobre as normas de filiação sagrada, Verger, Orixás, p. 20; sobre as estruturas do poder no país iorubá ver P.C. Lloyd, “The traditional political system of the Yoruba”, Southwestern Journal of Anthropology, nº 10 (1954), pp. 366-384. Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 359 habitantes de Iwoye, provavelmente muitos membros da linhagem (ou do clã) Aro.

Dentre esses, algumas pessoas deviam deter conhecimentos rituais especializados, os desdobramentos baianos indicando que havia pelo menos uma iyalorixá entre eles (creio que duas, como veremos em seguida). Esta saudação ritual reforça portanto a tese de que personalidades da linhagem Aro chegaram à Bahia, aqui exercendo liderança em função da sua atribuição familiar ilustre e de sua qualificação ritual. Deste grupo deve ter saído a iyalorixá que fundou o primeiro culto nagô do Brasil, a meu ver Iyá Adetá, lembrada nas tradições da Casa Branca e do Axé Opô Afonjá. Iyá Adetá é apontada por algumas versões orais como a verdadeira fundadora do primeiro terreiro de Keto do Brasil, a primeira mãe-de-santo do antigo candomblé da Barroquinha; nas demais versões, mais vagas, ela aparece apenas como uma das três fundadoras.

Segundo Felix Ayoh’Omidire, Adèta (pronuncia-se Adêtá) é o nome de um Exu “que guarda o além da casa, o lado de fora”. O contexto histórico e litúrgico sugere que o Exu de Iyá Adetá era associado ao deus dos caçadores, provavelmente seu protetor quando ele se aventurava pelo grande mundo exterior, “o lado de fora da casa”. Por outro lado, Exu é tido pelas tradições orais de Ketu como um dos seus reis, com o nome de Èsù Alákétu, conhecido e cultuado na Bahia. Ele, além do mais, é freqüentemente considerado como irmão de Oxóssi e de Ogum, portanto da mesma família de orixás.

Creio que Iyá Adetá possa ter sido a pessoa que ficou responsável pelas netas de Akibiohu após o ataque a Iwoye. Os dados disponíveis sugerem que grupos de mulheres e crianças deixaram a cidade quando da aproximação das tropas daomeanas, possivelmente procurando refúgio na zona montanhosa onde ficam as nascentes do Yewa, e
caído em uma emboscada próximo às suas margens. O Exu de Iyá Adetá era o mais apropriado para proteger as meninas em uma partida catastrófica para o perigoso mundo exterior, elas podem ter sido capturadas juntas, atravessado o Atlântico no mesmo navio negreiro e permanecido em contato na cidade da Bahia.

Só a ascendência de uma personalidade forte e influente poderia manter em crianças escravizadas durante pelo menos sete, provavelmente nove anos, a fidelidade a seu meio de origem, já que, naquele momento, ainda não havia uma 360 Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 comunidade nagô significativa na Bahia. Em tese, Iyá Adetá, sacerdotisa pertencente à linhagem Aro, fundou a primeira versão dos candomblés de Keto baianos, um culto quase que doméstico, instalado na sua residência, em uma das artérias principais do bairro da Barroquinha, a Rua da Lama (atual visconde de Itaparica), onde se cultuava Odé, o caçador, e Exu, seu mensageiro.

24 Relacionar Iyá Adetá ao Alaketo pressupõe que a memória oral deste último pode ser proveitosamente integrada aos documentos escritos e orais que consegui reunir em vinte e um anos de pesquisas sobre a fundação do candomblé da Barroquinha, considerado o ancestral de todos os demais candomblés de Keto antigos. É verdade que as tradições do Alaketo não admitem essa primazia, não citando na própria história nem o candomblé da Barroquinha nem Iyá Adetá.

Porém os dados hoje disponíveis indicam que a fundação dessas duas casas-de-santo foi intimamente relacionada. Um grande número de indícios e coincidências, o contexto histórico e litúrgico sugerem que a implantação inicial na Barroquinha de um culto a Odé, ancestral mítico dos fundadores do reino de Ketu, foi promovida por personalidades da família Aro.


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CONTINUA >>>>>



Comentários (10):

Em 14/07/2008, às 15:27:48, ANINHA T'OSUN | página pessoal | e-mail disse:
A Benção aos meus mais velhos
A Benção Ellegua
irmão sem comentarios Parabens
Ase
Em 21/07/2008, às 19:03:01, Jefferson Fiore | fotolog disse:
saudades de nossas conversa pelo msn..
Passando para deixar varios abraços e uma semana cheia de alegrias ***
Em 25/07/2008, às 12:46:14, Everton de Iyemojá | e-mail disse:
Awré querido ;;;
Muito interessante sua pág. ...
Sou omo Orixá do ILEOMIOJUARO.. ile axé conduzido por nossa iyá, Beata de Iyemojá...

AGRADEÇO EM NOME DE TODOS NÓS, PELA POSTAGEM HOMENAGEANDO NOSSO AXÉ ...
Em 1/08/2008, às 22:11:08, ANINHA T'OSUN | página pessoal | e-mail disse:
Viver é acreditar no nascer e no pôr-do-sol
É ter esperança de que o amanhã será sempre o melhor
É renascer a cada dia
É aprender a crescer a cada momento
É acreditar no amor
É inventar a própria vida...
No decorrer desta vida, o prazer, a alegria, a tristeza, a dor, o amor, desfilam
em nossa alma e em nosso coração deixando diferentes marcas.
São essas marcas combinadas que formam a riqueza da nossa caminhada.
Um caminho onde o mais importante não é chegar e sim "caminhar".
Valorize todos os detalhes, todas as subidas e descidas, as pedras, as curvas, o
silêncio, a brisa e as montanhas deste seu caminho, para que você possa dizer de
cabeça erguida, no futuro:
Cresci
Chorei
Sorri
Caí
Levantei
Aprendi
Amei
Fui amado
Perdi
Venci
Vivi
E, principalmente, sou uma pessoa feliz!
Beijos de Luz Sempre!!!
Em 13/08/2008, às 16:57:54, KAMBAMI | e-mail disse:
Iba se o Baba!

Ainda passo por aqui para ler viu, amigos não podemos esquecer.
Mande notícias.

Ire o
Kambami
Em 14/08/2008, às 21:47:10, Rafael d 'Oxossi | página pessoal disse:
Bença aos mais velhos

Estou um pouco ausente, mas não deixo de ler seus textos, são mesu aprendizados.
Asé
Rafael D'Oxossi
Em 20/08/2008, às 11:11:56, Anderson | e-mail disse:
Olá Elleguá.

Parabéns pelo blog e pela iniciativa..

Se puder me adiciona no msn aramist@oi.com.br
Em 20/08/2008, às 12:24:43, Tia Lela disse:
Oie meu amor, saudades! Benção.
Passando para dizer que estou vivinha, rs. tava em função de Olubajé.
Beijos
Em 21/08/2008, às 03:50:53, cris disse:
Parabéns pelo trabalho maravilhoso!

Aprendi muito com o pouco que consegui ler aqui durante a madrugada...voltarei mais vezes com certeza!
Em 22/08/2008, às 01:41:46, cris | e-mail disse:
Elleguá,

O glossário em Yorubá não contém a letra C...houve problema na postagem? Vc poderia me auxiliar nisso?

Obrigada!
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