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Postado por ellegua.com em 23/12/2007 21:14
>>> O candomblé da Bahia na década de 1930 <<<
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>> 10a. PARTE
Nota-se, aí, a típica estrutura das comunidades, dos ebés (do iorubá egbé, para comunidade, sociedade, associação) tradicionais da cultura iorubá nagô. Essa forma associativa permanece, reconhecível ainda hoje, nos terreiros da Bahia, apesar das mudanças porque vem passando a sociedade de classes em que o candomblé, como um sistema simbólico interativo, se insere. Esse padrão tradicional dos ebés envolve, naturalmente, uma liderança, um chefe e uma numerosa hierarquia, além de aderentes e associados informais, com vagos compromissos rituais. Os titulares, donos de postos ou cargos, se encarregavam das diferentes atividades rituais do ebé.
Todos, iniciados, sabedores das coisas, e cada um com seu saber específico, ajudando a liderança para além do conhecimento iniciático geral, que era de toda a coletividade. Assim, Aninha foi iniciada por Marcelina e Bamboxê, mas também com Tia Teófila e Tio Joaquim. Assim, também ela, por sua vez, fez suas primeiras filhas-de-santo, ajudada - o que não significa, simplesmente, acolitada, mas partilhando o ritual iniciático com Bamboxê, com Tio Joaquim, com o Balé Xangô, José Teodoro Pimentel, que substituiu, nesse cargo, Bamboxê Obiticô por morte deste último.
Mais tarde, com sua irmã-de-santo Fortunata, iniciaria outras filhas-de-santo, na ilha de Itaparica, em casa do Balé Xangô, cuja filha, Ondina Valéria Pimentel, uma das iniciadas desse grupo, viria a ser, ainda muito jovem, a iá-quequerê de São Gonçalo e, como já foi dito, por morte da ialorixá Senhora, de quem era irmã-de-santo, assumiria a chefia daquele terreiro. Com o tempo - e já nos anos de 1930, esse tipo de co-participação diminuiria nos terreiros da Bahia. Pelo menos, de tal maneira ostensiva, regulada pelo saber iniciático dos velhos tios - todos iguais no plano do conhecimento, mas cada um especializado, por assim dizer, em determinados orôs ou tendo compromissos rituais com certos orixás - o que os tornava indicados para a co-paternidade ritual.
Mas ainda assim, a iniciação tinha um líder, um chefe; "o que botava primeiro a mão na cabeça da iaô". E essa metáfora temporal definia a autoridade principal nas complexas cerimônias iniciáticas. E ajudando a mãe, estavam os tios e as tias, na participação conjunta que era, também, troca de conhecimentos de iniciação e enforçamento da solidariedade comunitária.
Édison Carneiro escreveu, dias após a morte da ialorixá Aninha, em 3 de janeiro de 1938, um emocionado artigo sob o título "Dona Aninha", publicado no Estado da Bahia de 25 de janeiro. O artigo foi republicado em Ladinos e crioulos, em 1964, na seção do livro "A face dos amigos", como'"Aninha". E o fato de ser o primeiro da série evidencia, com o destaque editorial, a importância que lhe dava Carneiro e a admiração que tinha pela ialorixá a quem, respeitosamente, chamava de "Dona Aninha".
Carneiro, então, a descreve:
Essa negra alta, disposta, falando claro e corretamente, o beiço inferior avançando em ponta, era bem o expoente da raça negra do Brasil, síntese feliz da soma de conhecimentos da velha Maria Bada e da agilidade intelectual de Martiniano do Bonfim.
E sobre a sua condição de superior guardiã e renovadora coerente das tradições ancestrais, afirma, no mesmo artigo:
Muito fez pela preservação das tradições africanas no candomblé da Bahia. Darei apenas dois exemplos. Em quarto guardado à vista dos curiosos e de estranhos, prestava culto a Yá, a deusa das águas dos negros galinhas (grunces), uma tradição já, então, desaparecida. E foi Aninha quem, no ano passado (1937), trouxe para o Opô Afonjá a festa africana dos obás de Xangô, empossando os seus doze ministros com o rito próprio, há muito esquecido pelos chefes e pelos aderentes das religiões populares.
O culto da "deusa das águas dos negros galinhas", a que se refere Carneiro, é também mencionado por D. M. Santos, ao falar sobre a implantação do terreiro de São Gonçalo por Aninha.
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>> CONTINUA >>
Comentários (1):
Em 16/01/2008, às 12:35:25,
Gaia
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disse:
lindas peças de arte......adorei.....quanto ao conteúdo........pra variar. sempre esclarecedor.c é 10
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