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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 23/12/2007 21:22

>>> O candomblé da Bahia na década de 1930 <<<
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>> 11a. PARTE

[...] Daí, Iyá Obá Biyi, com sua boa vontade, seu espírito batalhador e a ajuda de todos que acompanhavam, continuou a construir o Axé, fazendo casas nos assentos já existentes para Exu, para Oxalá, está com um quarto para as Ayabás, para a Iemanjá denominado Ilê Iyá, onde Mãe Aninha adorava Iya n'ilé Gruncis (a mãe da terra de Gruncis, na África), outra para Obaluaiê, a de Oxossi e a casa de Ilê Ibô Iku (casa de veneração aos mortos) [...]
Nesse quarto, uma extensão da casa de Oxalá, mas dela independente pela fachada voltada para a casa de Xangô, não se acende luz elétrica e até hoje se mantém, no ciclo das festas da Casa, uma obrigação especial para a santa da terra dos pais de Aninha.

Esta misteriosa e preservada santa, a Iyá dos grunces - remanescente de um panteão para sempre perdido, é assim identificada com a Iemanjá nagô, também uma santa das águas, dos rios. Pode-se, até supor que talvez fossem semelhantes em suas epifanias originais. Ambas divindades das águas, dos rios. A Ia dos grunces, quem sabe de que afluente do rio Volta e a Iemanjá nagô, do rio Ogun que corta a terra dos egbás. Foi, aliás, na casa de Iá, que Aninha - como conta D. M. Santos - quis morrer, num retorno definitivo à terra africana de seus pais, Aniió e Azambriió:

[...] Pediu que a levassem para a casa de Iyá, onde, depois de ter feito alguns preceitos com o cuidado e o auxílio da maior parte das suas filhas-de-santo, que lá se encontravam, alguns Obás e Ogans também presentes, perdeu a fala e veio a falecer, às quinze horas, na presença de seu médico assistente, dr. Rafael Menezes que ainda chegou a tempo de vê-la dar o último suspiro.

Carneiro também se refere à implantação do grupo dos Obás ou Ministros de Xangô, em cerimônia por ele assistida, e, ainda, à participação de Aninha no 2º Congresso Afro-Brasileiro. Carneiro conta que só às vésperas do Congresso pôde avistar-se com Aninha e como foi este encontro com a ialorixá:
No dia seguinte, domingo, fomos, pessoalmente, vê-la. A recepção excedeu a expectativa, pois em vez de uma simples mãe-de-santo que se mostrava favorável ao Congresso, encontramos umas mulher inteligente que acompanhava e compreendia os nossos propósitos, que lia os nossos estudos e amava a nossa obra. Aninha se comprometeu a escrever um trabalho sobre os quitutes trazidos pelo negro para a Bahia. E em apenas três dias de prazo, o Opô Afonjá pôde oferecer aos congressistas uma das mais belas noites que há memória nos fastos do candomblé da Bahia.

E continua Carneiro:
Posso dizer o mesmo do seu apoio à União das Seitas Afro-Brasileiras, fundada a 3 de agosto de 1937, com o fim especial de defender a liberdade religiosa sempre periclitante dos candomblé da Bahia.
Quanto à festa do Opô Afonjá, por ocasião do 2º Congresso Afro-Brasileiro, foi assim noticiada no Estado da Bahia de 14 de janeiro:

Tiveram grande brilhantismo as festas de ontem do 2º Congresso Afro-Brasileiro. À noite os congressistas em marinetti especial, foram visitar o Centro Cruz Santa do Axé do Opô Afonjá, de D. Aninha, em São Gonçalo do Retiro. Ali os esperava uma festa especialmente preparada para os congressistas. Todo o terreiro estava aberto à visita dos congressistas. A festa do Opô Afonjá encantou sobremaneira os congressistas.

É bom que se evoquem esses fatos, cinqüenta anos depois de ocorridos quando uma mãe-de-santo tradicionalista e rigorosa não hesitou em organizar uma festa em seu terreiro, fora do calendário ritual, para uma finalidade que ela considerou (e o Xangô da casa decerto confirmou!) necessária a um propósito válido. Não houve, então, contudo, qualquer concessão indevida, nenhuma quebra de norma - mas o pleno exercício da autoridade e da capacidade de decidir, dentro da coerência dos princípios, do "ritmo da casa", como costuma dizer a ialorixá Senhora.


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>>> CONTINUA >>>>>



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