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Categoria: Adulto
Postado por ellegua.com em 23/12/2007 21:25

>>> O candomblé da Bahia na década de 1930 <<<
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>> 12a. PARTE

Aninha cumpriu o prometido a Carneiro e preparou um pequeno trabalho sobre a culinária africana, entregue aos organizadores do Congresso, depois do seu final, e por eles incluídos como Apêndice ao volume O negro no Brasil, (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1940), com o título "Nota sobre comestíveis africanos". A "Nota" é uma breve lista de vinte cinco qualidades de comidas, todas com nomes iorubás (menos uma - "farofa") e descritas - as que o foram, com extrema simplicidade, com breves referências à forma ou ao ingrediente básico nelas utilizados.

Nenhuma informação, no entanto, sobre a "maneira de fazer" e, menos ainda, ao seu possível emprego ritual no candomblé. Esse despojamento nas "receitas" de Aninha indica, claramente, no campo da comida ritual, o que significa, para o povo-de-santo, a reserva nas "coisas-de-fundamento". Pois as "comidas africanas" listadas por Aninha eram, todas elas, comidas-de-santo, oferecidas nas obrigações aos orixás, que têm suas próprias preferências alimentares, sempre associadas a seus mitos e a uma complexa prescrição simbólica.

Aninha ficou, assim, para atender ao pedido de Carneiro, no extremo limite que podia se permitir: uma lista quase sinótica de comidas africanas, sem de nenhuma maneira relacioná-las com os sacrifícios e as oferendas votivas aos orixás. Atendeu ao pedido do amigo, mas o fez com as reservas do seu código de mãe-de-santo.

Aninha - do mesmo modo que Martiniano - era acessível ao questionamento, à curiosidade científica ou jornalística dos profissionais que a procuravam. Não se negava a informar, a comentar, a discutir. Guardava, naturalmente, e também aí como seu "irmão" Martiniano, o rigoroso preceito do segredo ritual, da doutrina e dos mitos essenciais de sua religião, como também o sentido exato das "conveniências sociais" - cortesia e reserva. Sua filha-de-santo, a ialorixá Senhora, costumava evocar, em momentos de ocasional confidência, a figura de sua mãe-de-santo, sábia, altiva, rigorosa e autoritária mas, igualmente, generosa, tolerante, compreensiva.

Aninha, segundo ela, "ensinava e vigiava". E assim promovia, indicava e preteria, na medida da inteligência, do esforço e do aproveitamento, suas filhas-de-santo, na hierarquia de mando do terreiro.
Donald Pierson também descreveu Aninha:
A mãe-de-santo chama-se Aninha. Ela é uma preta alta e majestosa, cujo menor gesto é imediatamente obedecido pelos membros de sua seita [...] Ela se gaba, com orgulho, sou filha de dois africanos, graças a Deus [...] Inteligente, viva de espírito, ágil no debate, ela é um dos mais grandemente respeitados e obedecidos líderes do mundo afro-brasileiro.

E a seguir relata uma discussão de Aninha com um sacerdote católico:

Quando um padre, discutindo com ela, lhe disse que ela, não sendo ordenada pelo Papa, não tinha "autoridade espiritual" para executar ritos religiosos, ela perguntou logo se Moisés, "aquele grande profeta e chefe de seu povo" tinha sido ordenado pelo Papa? O primeiro homem, ela afirmava, não deve ter sido um homem branco, mas sim um homem de cor, "se não preto, pelo menos vermelho". Pois os sábios não dizem que o homem se originou na Ásia, e os brancos vieram daquele continente? Jesus deve ter sido um africano ou pelo menos uma pessoa bem escura. Seus pais não o esconderam no Egito? E o Egito não está na África? Se Jesus não fosse escuro, como eles poderiam tê-lo escondido entre o povo da África?



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>>> CONTINUA >>>>



Comentários (1):

Em 26/06/2008, às 08:54:06, adrielly | e-mail disse:
moço do ceu eu quero os nome sda comidas e nao acho na q coisa na mim da raiva
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