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Categoria: Adulto

Postado por ellegua.com em 11/03/2008 02:56
>>> O candomblé da Bahia na década de 1930 <<<
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15a PARTE
Essas as figuras que, não ao acaso, escolhi, para exemplificar o fenômeno da liderança nas comunidades dos terreiros da Bahia nos anos de 1930. O babalaô Martiniano e a ialorixá Aninha, sendo singulares, não foram, entretanto, únicos, naquele universo povoado de personalidades criativas e dominadoras. Lá estavam, nesse tempo, Tia Massi, do Engenho Velho; Menininha, do Gantois; Dionísia, do Alaqueto; Bernardino, do Bate-Folhas; Procópio, do Ogunjá; Ciriáco, já na Vila América; Cotinha, do Oxumarê... e tantos mais. Todos vivendo no mundo das esperanças e das crises.
Nem foram, com certeza, Martiniano e Aninha, imunes à crítica, à censura velada ou ostensiva nem aos sutis mecanismos do "fuxico", instituição universal que, se provoca tensões, igualmente as resolve, pelas estratégias codificadas da linguagem. Omiti, deliberadamente, esses aspectos que não posso chamar de "negativos", da história lembrada - ou recriada? - dessas figuras já lendárias.
Fui seletivo no uso das fontes escritas e orais, sem a preocupação de ter, no apoio talvez excessivo das remissões e notas, a "legitimação" de um ensaio interpretativo de um curto período da história social da cidade da Bahia. Lembrando, no entanto, que as fontes escritas para uma história do Candomblé são, afinal, as fontes orais da narrativa. Pois o que disseram os pesquisadores - de Carneiro a Verger -, foi recolhido na tradição oral das casas-de-santo: seus mitos, suas, por vezes, contraditórias genealogias, suas racionalizações sobre o tempo e o espaço.
Como por exemplo, o livro que citei, muitas vezes, de Deoscóredes M. Santos, Didi, fundamental sob tantos aspectos, para o conhecimento da organização e da história de "uma casa de Queto", da "nação de Queto" - que é o terreiro fundado por sua "avó"Aninha, por tantos anos dirigido por sua mãe Senhora, é, também, e sobretudo a tradição oral da casa, cuidadosamente escrita, evitando referências a fatos polêmicos relacionados com genealogias imprecisas ou sucessões discutíveis.
As figuras de Martiniano e Aninha sobressaem, assim documentadas fartamente em pontos secundários mas muito importantes, nítidas todavia, até certo ponto mitificadas pela lembrança coletiva das comunidades dos candomblés. De um ponto de vista historiográfico (e falo como um antropólogo que não renega a História), dentro da abordagem valorativa do cotidiano e das mentalidades, os documentos que formam a correspondência ativa de Édison Carneiro a Artur Ramos ficam, a partir de agora, à disposição dos estudiosos e dos especialistas. Neste ensaio ou nesta tentativa de interpretação, fui, como disse antes, seletivo e crítico.
Optei, às vezes, pela versão de um certo fato com base na confiabilidade de um determinado informante ou em raros documentos oficiais - como o testamento de Marcela da Silva, a antiga mãe-de-santo do Engenho Velho, que, devidevidamente analisado, poderá ajudar a esclarecer a debatida cronologia das casas "de Queto" da Bahia, originadas do Engenho Velho, da casa de Iá Nassô.
Tentei, dessa maneira, contribuir, no campo da etnohistória, para a ampliação do conhecimento acerca da participação do negro na sociedade nacional, expondo um quadro narrativo do candomblé na Bahia dos anos trinta, ressaltando as personalidades de seus líderes e a lembrança encapsulada latente nos terreiros e neles atuando em meio ás formas novas de conhecimento e de poder.
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>>>. CONTINUA >>>>>
Comentários (1):
Em 20/03/2008, às 11:27:33,
mariceo1_unir@hotmail.com
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disse:
Gostaria de obeter algumas informações a respeito dessa tão valiosa história de pai Euclides de Mina no Maranhão
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