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Postado por ellegua.com em 20/06/2008 21:36
>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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1a. PARTE
SOBRE A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO*
Por .: Renato da Silveira**
“Ao lado das duas principais fontes da
história africana (os documentos escritos
e a arqueologia), a tradição oral aparece
como o conservatório e o vetor do capital
de criações socioculturais acumuladas
pelos povos considerados sem escrita:
um verdadeiro museu vivo.”
J. Ki-Zerbo
“Fundar é inovar.”
Jan Vansina
O mito de fundação do terreiro do Alaketo, preservado na tradição oral da casa, narra que sua fundadora foi uma princesa chamada Otampê Ojarô, originária do reino africano de Keto, que recebeu no Brasil o nome cristão de Maria do Rosário Francisca Régis. Otampê Ojarô teria sido seqüestrada ainda criança, aos nove anos de idade, por soldados do exército daomeano, às margens de um rio situado nos “fundos do reinado de Ketu”, juntamente com sua irmã gêmea, Obokô ou Bokô Mixôbi, tendo sido em seguida vendidas a traficantes, com destino à Bahia. Compradas no mercado de escravos e alforriadas aos 16 (ou 18) anos pelo próprio orixá Oxumarê, na figura de um homem branco, “rico, alto e simpático”, teriam então voltado à África, casando-se Otampê Ojarô,
* Este artigo foi inicialmente concebido como parte do processo para o tombamento do terreiro do Alaketo, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo em seguida revisto e adaptado para os padrões desta revista.
** Professor da Faculdade de Comunicação, do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade e do Programa de Pós-Graduação em História, todos da UFBA.
346 Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 aos vinte e dois anos, com um certo Babá Láji ou Oláji, nagô de Ketu de família consagrada ao orixá Oxalá.
1
Após o matrimônio, o casal teria voltado à Bahia com o objetivo de fundar um candomblé. Babá Láji adotou o nome de João Porfírio Régis “pela parte do Brasil”, e arrendou, “por seis patacas” anuais, um terreno na antiga Estrada do Matatu Grande, ali fundando um terreiro dedicado a Oxóssi, o Alaketo, e edificando o ilê Maroiá Láji, casa de culto dedicada a Oxumarê, onde até hoje são zelosamente mantidas essas tradições religiosas. A primeira filha do casal, nascida na Bahia e chamada de Akobiodé, também viria a receber o título de Iyá e tornar-se
a segunda iyalorixá da casa. Akobiodé, por sua vez, teria um filho chamado João Francisco Régis, cujo filho, José Gonçalo Francisco Régis, casou-se com Silvéria Clemente de Jesus, Sili, a qual recebeu o título de Iyá Merenundê, tornando-se a terceira iyalorixá da linhagem.
Deste casal nasceu Dionísia Francisca Régis, Obá Oindá, a quarta iyalorixá do Alaketo, que morreu centenária em 1953, tia-avó e mãe-de-santo responsável pela formação da atual iyalorixá da casa, Olga do Alaketo.2
1 ( Nomes próprios ou comuns que passam do iorubá ao fon perdem a vogal inicial. No caso da consoante R seguir-se a esta vogal, torna-se L no fon. Por exemplo, a árvore sagrada iroko torna-se, no fon, loko.)
2 ( As tradições orais do Alaketo, pelo que sei, foram pela primeira vez extensamente registradas em texto escrito numa entrevista com Olga Francisca Régis, mais conhecida por Olga do Alaketo, publicada pela revista Planeta em 1974 e assinada pelos jornalistas Luís Toledo Machado e Osvaldo Xidié. Em ambiente acadêmico, essas tradições foram inicialmente divulgadas no texto de Vivaldo da Costa Lima, A família-de-santo nos candomblés jejenagôs
da Bahia: um estudo de relações intra-grupais, Salvador, Pós-Graduação em Ciências Humanas da UFBA, 1977 (trata-se de uma edição facsímile, em tiragem limitada, da dissertação de Mestrado defendida em 1972, e só disponibilizada ao grande público em 2003 pela Editora Corrupio).
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CONTINUA >>>>>
Comentários (1):
Em 28/12/2008, às 20:32:58,
Caril de Xangô e Escritora Miriam de Oxalá
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disse:
Tivemos a oportunidade de conhecer Mãe Olga em sua visita ao RS/Poa em casa de Cleon de Oxalá. Estamos com viagem marcada para a Bahia dia 3 de Março 2009 e gostaria de saber da possibilidade de uma visita ao axé de Alaketo?? Se a casa já estará aberta?? Nos sentiriamos honrados em visitá-los, se possivel??? Obrigado Caril de Xangô
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