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Postado por ellegua.com em 20/06/2008 21:38
>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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2a. PARTE
A parte relativa às tradições orais do Alaketo foi retomada em Costa Lima, “Nações-de-candomblé”, in Encontro de nações-de-candomblé. Anais do Encontro realizado em Salvador, 1981 (Salvador, Ianamá/CEAO-Universidade Federal da Bahia, 1984), pp. 11-26, onde estão republicadas as informações referentes ao Alaketo, porém com vários erros de revisão inexistentes na dissertação. Nesta mesma publicação se encontra o depoimento de Olga do Alaketo, “Nação-Queto”, pp. 27-33, sobre as origens de sua casa-de-santo. Na elaboração do presente artigo também foi levado em consideração o trabalho de Teresinha Bernardo, que fez várias entrevistas com Olga do Alaketo e outras pessoas do seu terreiro, antes de publicar o seu livro Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu, São Paulo/Rio de Janeiro, Educ/Pallas, 2003; e um texto de Júlio Braga, Notícia sobre o terreiro do Alaketo, anexado à documentação do arquivo da casa. Dona Olga assumiu a direção do Alaketo desde 1948, aos vinte e três anos de idade, e é a principal detentora das suas tradições orais. Em 7 de novembro de 2003 e 5 de fevereiro de 2004, durante a instrução do processo de tombamento, tive a oportuAfro- Ásia, 29/30 (2003), 345-379 347 )
“ No barracão principal do Alaketo encontra-se uma placa onde está registrada a data de fundação do terreiro: 1636. Entretanto, outra data, 1616, figura no citado depoimento de 1981. Já na primeira entrevista a mim concedida, Dona Olga afirmou que seu candomblé “tem seiscentos anos”. Podemos portanto, nas tradições do Alaketo, sentir segurança quanto aos personagens fundadores, mas incredulidade quanto a sua data de fundação.
Visto que o mito habitualmente mistura fatos reais com dados imaginários, infiltra-se na mente do pesquisador a dúvida sobre por onde passa a fronteira. Além do mais, como se sabe, “as tradições mais sujeitas a uma reestruturação mítica são as que exprimem a gênese e portanto a essência, a razão de ser de um povo”.3 Teria o Alaketo efetivamente tal antiguidade, teria sido ele fundado por uma princesa, ou por uma rainha, como às vezes pretende Dona Olga? E como encarar a afirmação de que o próprio orixá Oxumarê teria miraculosamente interferido nessa história e comprado as princesas para alforriá-las logo em seguida?
Sobre este obstáculo cronológico Vivaldo da Costa Lima escreveu que “é preciso que não se pense que estes [...] anos são os nossos, do nosso calendário [...] É um tempo diferente do [...] tempo secular. É um tempo de vida, um tempo de memória, um tempo de lembrança [...] puramente simbólico”. A tradição oral do Alaketo parece fundir, conforme a classificação de Meihy, o “tempo antigo”, remoto, que escapa da seqüência cronológica, “um tempo encantado, repleto de aspectos heróicos e cheio de força explicativa das futuras mudanças”, com o “tempo dos acontecimentos”, que leva em consideração fatos da realidade histórica que provocaram transformações sociais.4
Tive a oportunidade de entrevistá-la e a outras pessoas da casa, entre elas sua filha Jocelina Barbosa Bispo, Jojó, e seu filho José Francisco Barbosa, Zequinha, o axogum da casa. O advogado do terreiro, Florivaldo Cajé de Oliveira Filho, teve a gentileza de me apresentar toda a documentação antiga da instituição, abreviando o longo trabalho de garimpagem que normalmente ocorre nesses casos. Aproveitei a oportunidade e solicitei a confirmação
cuidadosa dos nomes dos personagens principais, visando corrigir os numerosos erros de revisão (alguns graves) que infestam a publicação do CEAO e a entrevista da Planeta. Por exemplo, Iyá Obokô Mixôbi, a irmã gêmea de Otampê Ojarô, tornou-se na publicação do CEAO, não se sabe por que cargas d’água, a caricatural “Iyá Gogorixá”!
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CONTINUA >>>>>
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