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Postado por ellegua.com em 25/06/2008 21:09
>>> A FUNDAÇÃO DO TERREIRO DO ALAKETO <<<
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5a. PARTE
Os oyós e shabés sofreram fortes influências dos grupos étnicos vizinhos, principalmente do nupê (conhecido na Bahia por tapá) e do bariba (ou borgu). Já os ketus, que passaram a ser chamados pelos povos da região, juntamente com os shabés e demais iorubás do oeste, de nagôs ou anagôs, misturaram-se com os fons, seus vizinhos ocidentais, conhecidos na Bahia por jejes, influenciando-os poderosamente mas também sendo marcados por sua cultura, donde a expressão jeje-nagô que designa entre nós as tradições provenientes daquela região fronteiriça.
A língua dos ketus e dos demais nagôs da região, chamada pelos seus vizinhos de anagô, tornou-se com o tempo mais próxima do fon e, naturalmente, também seus nomes, seus costumes, suas divindades, seu vocabulário cotidiano, litúrgico e ritual. Por isso os iniciados do Alaketo afirmam que sua casa pertence ao culto “nagô-vodum”, expressão que funde o subgrupo étnico iorubá às divindades do panteão fon.
10 Melville Herskovits já salientou a importância dos nagô-iorubás e dos fons, bem como de todas as sociedades “sem escrita” da África Ocidental, destacando-as entre todas as sociedades do mesmo gênero: Essas sociedades do oeste africano [...] são das maiores do mundo ágrafo. Seu equipamento tecnológico é avançado, suas economias
complexas, seus sistemas políticos sofisticados e suas estruturas sociais bem organizadas e administradas. Sua arte tornou- se famosa, seu folclore distingue-se por sua sutileza, e sua música influenciou o estilo musical euro-americano [...] O foco dessas culturas encontra-se, no entanto, na religião e em todas as comunidades.
10 S1opás1án também é transcrito na literatura africanista como Itcha-Ikpatchan ou Sho- Ipachan. Sobre a história da região cf. Samuel Johnson, The history of the Yoruba, from the earliest times to the beginning of the British protetorate, edited by Dr. O. Johnson, Lagos, Bookshops, 1921 (orig. 1897), pp. 2-16. Montserrat Palau Martí, L’histoire des S1àbé1 et de ses rois, Paris, Maisonneuve et Larose, 1992, pp. 57-111, e Le roi-dieu au Bénin, pp.
18-61; Olúmúyiwá Anthony Adékò1yà, Yorùbá: tradição oral e história, São Paulo, Terceira Margem, 1999, pp. 13-28; e Robert S. Smith, Kingdoms of the Yoruba, Londres, Methuen, 1969, passim e pp. 101-104 para as datas de fundação de Ketu. Na tradição oral do Alaketo a expressão é “nagô-vodum”, mas na literatura antropológica aparece como “nagô-vodunce”, este último termo indicando os iniciados ao culto vodum.
Cf. Yeda Pessoa de Castro, Falares africanos na Bahia, um vocabulário afro-brasileiro, Rio de Janeiro, Academia Brasileira de Letras/Topbooks, 2001, pp. 81-82; e Costa Lima, “Ainda sobre a nação de Queto”, in Cléo Martins e Raul Lody (orgs.), Faraimará, o caçador traz alegria: Mãe Estela, 60 anos de iniciação (Rio de Janeiro, Pallas, 1999), p. 80. Afro-Ásia, 29/30 (2003), 345-379 353 as suas manifestações: sistemas de crenças, visão do mundo e
ritual. Aí reside o máximo estímulo para o pensamento e a expressão criadora e nisso se verifica a maior variedade na forma.
11 Acrescentemos que os rituais públicos, não só nas sociedades de tradição oral como no Antigo Regime europeu, tinham um caráter sagrado porque eram a constituição viva da sociedade, a revitalização periódica das instituições. Nesses eventos, todos os segmentos da sociedade, grupos e indivíduos destacados exibiam publicamente a própria
identidade, os símbolos e atributos do seu poder, do seu status, e eram socialmente reconhecidos. O rito público era portanto, desde a Antiguidade até o Antigo Regime, um dos locais privilegiados de legitimação da autoridade, de delegação do poder, de reprodução da estabilidade política. Do ponto de vista político, as sociedades, através da história, funcionavam oficialmente como um conjunto estruturado de rituais dinásticos, corporativos e comunitários, justamente porque o festival público era, por exelência, o meio de comunicação de massa.
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